Os imigrantes portugueses do inicio do século 20 e a sua localização nos bairros de São Paulo

Nos primórdios do século XX, a imigração portuguesa para São Paulo era de uma intensidade magistral, milhares de portugueses de todas partes de PORTUGAL vinham para São Paulo, por intermédio do Porto de Santos. Como lá em Portugal vendiam as suas propriedades, embora por valores irrisórios, chegando aqui procuravam locais de seus agrados para comprarem terrenos, fazer as suas casas e ao mesmo tempo plantar produtos, como árvores frutíferas, repolhos, alfaces e uma infinidade de plantas, para poderem as vender nos mercados municipais dessa época.

Aqui na capital paulista, os bairros preferidos desses imigrantes eram o Tatuapé, Vila Maria, Brás e Vila Mariana, e também outros bairros, mas, em menor escala. Como os meus pais e avós também estavam dentro dessas levas, pois que, transmontanos que eram, vieram os meus avós paternos e maternos, junto com minha mãe e meu pai e instalaram-se a princípio no bairro do Brás, e após alguns anos se transportaram para o bairro do Tatuapé, ali pelas bandas da Rua Tuiuti, no entorno dos bairros da Vila Azevedo, Vila Formosa e Água Rasa.

Como os meus pais se casaram na Igreja de Santo António do Pari e eu nasci no bairro do Brás na Rua Miller, na ida para o bairro do Tatuapé, ali também desenvolvi a minha infância, frequentando tudo que existia na época, como a escola da Igreja Paróquia de Nossa Senhora do Bom Parto, onde fui crismado e também fui coroinha nas missas ali registradas por alguns anos e bem como, o Grupo Escolar Congonhas do Campo na Rua Tuiuti, onde fiz o período do curso Primário, cujo prédio após tantos anos ainda está ali na mesma rua todo imponente.

A Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto hoje tem 90 anos de fundação, a velha matriz foi derrubada e construída uma mais moderna, evidentemente não sabemos a real data da sua construção, uma vez que documentos dessa época foram perdidos, só sabemos de 1925 em diante, uma vez que a imprensa paulistana começou a desenvolver-se a partir dos anos 20 e certamente muita coisa foi escrita e guardada pelos imigrantes.

Pouca coisa sabemos, a não ser que por volta de 1908 foi construída uma pequena ermida, uma capela com o nome de N.S. do Parto, mais tarde do Bom Parto e a zona ainda era conhecida como o Alto da Quarta Parada, em razão dos “trens” da Estada de Ferro Central do Brasil, que passavam perto dali, no entorno da Rua Tuiuti e da Vila Gomes Cardim. Só em 1957 é que foi derrubada a velha matriz e começou-se a erguer o novo templo a partir desse ano magistral.

Evidentemente, os portugueses, um povo magistral, alegre, musical, cantador, não podia deixar de contar essas evidências que aconteciam no seu lindo PORTUGAL, e começavam a se reunir nos fins de semanas nas vendas (empórios), para poderem se recordar do seu velho PORTUGAL, para eles perdido para sempre, porque era impossível um retorno, visto que os barcos da época embora modernos no seu tempo, a passagem era muito caro, demorando as viagens até quase 60 dias, e não havia ainda os grandes aviões que existem hoje, na qual partindo daqui estamos em 8 horas em Lisboa, como num passe de mágica.

Essas vendas continham armazéns que vendiam tudo que as pessoas precisavam, e além de grandes e pequenas, existiam também as quitandas, e nessas vendas ou empórios sempre existiam locais para esses encontros semanais, onde os velhos tocadores de guitarras, os cantores de fados se reuniam, para cantar a desgarrada, os fados saudosos do seu ETERNO PORTUGAL.

Aconteceu que o meu pai ADRIANO AUGUSTO DA COSTA era um exímio tocador de guitarra e declamador de poesias, como poeta que era fazia parte dessas tardes morenas e sempre me levava a esses encontros, e eu apreciava bastante, diferente de muitos meninos dessa época que preferiam outras distrações.

Como fiquei enturmado com esses velhos guitarristas e cantores, a minha alma foi tomada pelo FADO, pelo som da GUITARRA e pelo seu acompanhante o VIOLÃO, o que fez da minha pessoa um apaixonado “Fã” da música portuguesa, mesmo porque por anos e anos a fio frequentei esses ambientes lusitanos, o que deixou gravado eternamente na minha alma esses lances magistrais da contingência secular da canção portuguesa e da poesia lusitana também. Eu, um Luso-Descendente, tornei-me também um português de carteirinha após muitos anos de luta para obter também a dupla nacionalidade, que em 2012 a consegui com a graça divina.

Esses velhos tempos magistrais não existem mais, evidentemente, mas para as pessoas que por ali passaram e vieram a ver e assistir essas tardes maravilhosas de fins de semanas, onde o amor longínquo do velho PORTUGAL estava ali presente, e hoje só existe a lembrança das pessoas que ainda existem desse tempo magistral, de recordação do velho e ETERNO PORTUGAL.

 

Adriano Augusto da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.

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