As “ALCUNHAS” em Portugal

Como todos sabem as “ALCUNHAS” em PORTUGAL são palavras para identificar pessoas fora do nome próprio de cada um e no BRASIL são conhecidas como “APELIDOS”, ao contrário da Língua Mãe, em que APELIDO em PORTUGAL vem a ser o nome próprio do cidadão, ou seja, o nome da Família.
Essa forma de conhecer o cidadão, tornou-se praticamente o conhecer dele, ao invés do Apelido, quase ninguém conhece ou conhecia pelo nome próprio. Essa conformidade deveu-se em parte pela invasão dos judeus em PORTUGAL, no século 15, ou seja, em 1498, quando 100 mil deles foram expulsos da Espanha e adentraram pelo norte de Portugal.
À exceção de uma pequena percentagem, quase todas as pessoas da “Raça Judaica” que permaneceram em Portugal, tinham a sua “Alcunha”. Na maior parte dos casos, as pessoas respondiam ao chamamento pela “Alcunha” e em outros casos as Alcunhas serviam para identificar melhor a pessoa de quem se falava, na sua ausência ou morte e hoje quase todo mundo em PORTUGAL, seja de quaisquer descendência, tem a sua ALCUNHA, como acontece também no próprio BRASIL.
As “ALCUNHAS” eram postas por diversos motivos, tais como: 1) Por herança ou hereditariedade de ascendente de pais ou avós. 2) Por palavras deturpadas ou mal pronunciadas. 3) Por defeitos ou deficiências físicas ou mentais. 4) Por linguagem, esperteza ou comportamento. 5) Pelo nome ou papel desempenhado nos autos de apresentação cênica em festas escolares e ou atos públicos. 6) Por variadíssimos motivos, como em todas as Aldeias de Portugal.
Assim sendo as pessoas, não só os descendentes judaicos, mas em todos e seguiam por toda família do cidadão, como seja: O CHICO MANHANAS, O FELIPE MANHANAS, O ANIBAL MANHANAS, ETC; e então as pessoas quase desconheciam os nomes familiares dos cidadãos que eram praticamente conhecidos pelas Alcunhas, tais como: Tio Arrobas, Tio Lamas, Tio Manhanas, Tio Marnóia, Tio Remicho e assim por diante.
Um exemplo constante nos anais, o “TIO AMADEU > AMADEU ANTÓNIO DE PAULA RODRIGUES < do século 16, conhecido como o TIO BURGA, era solteiro, dedicou-se à venda de solas e de cabedais e percorria as feiras do seu distrito e ninguém o conhecia pelo nome familiar e sim era o TIO BURGA e bem como outros cidadãos, como o TIO SERRALHEIRO, O TIO SOLEIRO, O TIO CARPINTEIRO e assim por diante e essa prática deu-se e existe hoje em dia, e praticamente em todas ALDEIAS DE PORTUGAL, todo mundo tem a sua ALCUNHA.
Aconteceu comigo também, visto que meus pais são TRASMONTANOS, de RIO FRIO/BRAGANÇA E CARÇÃO/VIMIOSO, e já estive em PORTUGAL por 3 vezes, e quando queria identificar a minha família, não conseguia pelo nome ou seja pelo APELIDO, e sim pela ALCUNHA “MARNÓIA”, e as pessoas me cumprimentavam e diziam, olha aqui um descendente dos MARNÓIAS.
Portanto, na beleza estrutural do nosso conhecido e Eterno PORTUGAL, uma fase maravilhosa da feitura lusitana e antigas que permanecem até os nossos dias.

 

Adriano Augusto da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.

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