A Imigração Portuguesa para o Brasil em S.Paulo

Por Adriano Augusto Costa Filho

Nos anos idos do princípio do Século 19, na cidade de São Paulo, a imigração era imensa e de todas as partes do mundo, principalmente de Portugal. Milhares e milhares de imigrantes chegavam diariamente nos Portos de Santos e do Rio de Janeiro.
Com isso a cidade de São Paulo e o seu interior recebiam os imigrantes às mancheias e nesse começo de século 19 a cidade de São Paulo contava com uma população em torno de 250.000 habitantes e o Estado de São Paulo, em torno de 1 milhão de habitantes.
Os meus familiares, avós, pais ,tios, primos e sobrinhos vieram nessa imigração lusitana por volta dos anos 1911 e 1912, todos eles da então Província de Trás-os-Montes, das Aldeias, do lado de minha mãe Maria Anunciação Anes, de Rio Frio / Bragança, e do lado de meu pai Adriano Augusto da Costa, de Carção / Vimioso, os quais após chegarem no Porto de Santos, vieram para São Paulo, pela então ferrovia S.P.R. até a Estação da Luz em São Paulo.
Em São Paulo, como era de costume a maioria dos imigrantes ficavam nos bairros do Brás e Vila Maria, aumentando sensivelmente a população nesses bairros, com o que a maioria de imigrantes eram da colônia portuguesa de São Paulo, todavia, imensos números também dessa imigração eram de países europeus, Itália, Espanha e de descendências Árabes, como seja da Síria e bem como dos países ligados à Rússia, e nos anos em torno de 1910 começaram a vir a emigração japonesa e demais países asiáticos.
O bairro do Brás, como tinha o maior contingente da imigração lusitana, começou a se popularizar, e ruas como a Rua Miller e Rua João Theodoro recebiam os imigrantes lusitanos e os quais se fixavam por ali, como comerciantes em bares, padarias e restaurantes portugueses e como empregados de empresas e bem como, bom número tornaram-se viajantes de comércio de roupas e de outras finalidades.
Foram os portugueses que popularizaram as famosas “Feiras” de vendas de tudo que podia existir, como alimentação em frutas, verduras, roupas, enfim produtos em torno da alimentação geral, cujas remessas vinham também de “chácaras” que eram da mesma forma produzidas por emigrantes lusitanos e hoje proliferam em todos os bairros da cidade de São Paulo, facilitando a aquisição de todo tipo de frutas, verduras e alimentos gerais.
Os Portugueses mantidos pela “saudade” de suas Aldeias lusitanas, onde cantavam e dançavam o folclore lusitano, bem como, nas feiras das Aldeias, criaram clubes, salões de festas e nas Igrejas também, onde as festas eram mais continuadas. Nos Salões além das famosas comidas portuguesas, haviam as danças folclóricas, e mormente na Rua Miller, o clube São João Batista, onde semanalmente tinham as danças folclóricas musicais e onde os casais se tornavam namorados e os casamentos se concluíam, o que também aconteceu com os meus pais que ali se conheceram e casaram-se na Igreja de Santo Antonio do Pari, e onde nasci.
Grandes entidades sociais e esportivas se criaram no entorno das imigrações portuguesas, tais como o: Centro Trasmontano de São Paulo em 1932, onde na Rua Tabatinguera por mais de 70 anos proporcionaram à toda colônia portuguesa de São Paulo, memoráveis noites no 1º sábado de cada mês com as músicas e danças portugueses abrilhantadas pelo seu Grupo Folclórico. A Associação Portuguesa Desportos, com parte esportiva e futebol no bairro do Canindé, e também onde proliferaram outras entidades de cunho lusitano, como o Clube Português de São Paulo que era no centro e depois nas Perdizes e uma infinidade de outras entidades.
De 1895 até 1920, com a Lei da Imigração que liberou todos os imigrantes, vieram para o Brasil em torno de 5 milhões de emigrantes, e após 1920 tão somente com carta de Chamada, e assim diminui a imigração para o Brasil, todavia, se fizermos uma comparação com outros países, hoje só no estado de São Paulo, com pouco mais de 45 milhões de habitantes, 75 % são de descendência Portuguesa.
Portando, Honra e Glória à imigração portuguesa que veio para o Brasil e de outros países que também vieram para o Brasil e eu Adriano Augusto da Costa Filho, brasileiro pelo Sol e Português pelo sangue, muito me honra e me honrou por ser descendente direto de pais portugueses e com muito orgulho posso dizer: Sou Brasileiro pelo Sol e Português pelo Sangue!

 

Por Adriano Augusto da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.

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