Comerciantes do Porto estimam que vendas neste Natal superem 2018

Da Redação
Com Lusa

A Associação de Comerciantes do Porto estimou nesta terça-feira que as vendas neste Natal vão superar as de 2018 por haver “iluminação natalícia mais forte”, mas há lojistas a registrar quebras justificadas pela falta de estacionamento e pela ‘black friday’.

Na ‘Casa Lourenço’, loja de comércio tradicional da Baixa do Porto, localizado na Rua Fernandes Tomás, “os queijos amanteigados de Seia e de Celorico de Basto” e os “vinhos do Douro” foram os produtos mais vendidos nestes primeiros dias de dezembro “principalmente a clientes espanhóis”, revelou João Cunha, gerente do estabelecimento portuense.

“Este fim de semana foi bastante melhor do que o anterior, principalmente com os espanhóis a levarem queijos da serra e vinhos do Douro”, conta, afiançando que está com “expectativas otimistas” sobre as vendas para o Natal de 2019.

O presidente da Associação de Comerciantes do Porto, Joel Azevedo, assume expectativas “muito elevadas” para as vendas deste ano, por causa da iluminação das luzes de Natal estar mais forte do que em 2018 e espalhadas por mais ruas.

“O ano de 2018 foi um ano bom no Natal, porque todos os comerciantes disseram que as suas vendas foram superiores aos anos anteriores e estamos otimistas e confiantes que os portuenses e todos os visitantes continuem a fazer as suas compras no Natal, até porque as iluminação está mais forte. Estamos com muita expectativa de superar os números de venda de 2018”, declarou.

A chuva e o mau tempo podem tornar-se nos principais inimigos das vendas, porque as pessoas fogem das lojas de rua quando há intempéries e refugiam-se nas grandes superfícies, refere Joel Azevedo.

“Se estiver mau tempo, isso influencia a procura nas lojas de rua, mas vamos aguardar”, até porque o “ponto máximo das compras de Natal vai chegar mais tarde”, acrescenta.

O registro do aumento de vendas foi também sentido na Casa Natal, onde se verificou este fim de semana um aumento de 15% nas vendas em relação ao período homólogo de 2018, segundo dados de Justino Rocha, dono da loja tradicional da Baixa do Porto, dedicada à venda de bacalhau e frutos secos.

Na confeitaria Cristo Rei, cujos produtos mais vendidos são os bolos rei alagados, as rabanadas e o pão-de-ló, está também a registar-se um “ligeiro aumento das vendas” este dezembro em relação ao mesmo período do ano passado, assume Daniel Cunha, o gerente.

Há lojistas, todavia, que falam em quebras de 10% nas vendas na primeira semana de dezembro relacionadas com promoções nas grandes superfícies.

A tese para a diminuição das vendas não demorou a chegar e segundo Manuel José, responsável pela mercearia típica O Pretinho do Japão, na Rua do Bonjardim, a explicação foi a ‘black friday’.

A “‘black friday’ durou uma semana inteira e as pessoas preferiram ir gastar para os centros comerciais”, argumentou José Manuel, crente, no entanto, que até dia 22 de dezembro ainda vá vender muito bacalhau, principalmente quando os clientes “receberem o subsídio de Natal”. O Pretinho do Japão vende uma tonelada daquele peixe só na época natalícia.

Além da ‘black friday’, a dificuldade em estacionar na Baixa do Porto é outra dificuldade elencada por alguns comerciantes, mas a Associação de Comerciantes refere que já em 2018 e 2017 se verificavam dificuldades no estacionamento.

“Como é que querem fomentar o comércio local se as pessoas não têm onde estacionar?”, questiona Margarida Fonseca, funcionária da loja Favorita do Bolhão, lamentado que o “trânsito caótico” que se vive na cidade se repercuta no comércio tradicional.

Em 2018, o atraso da ligação da iluminação das luzes de Natal no Porto chegou a preocupar os comerciantes da cidade que temeram que condicionasse o aumento de vendas e uma falha de eletricidade no dia 14 de dezembro, em plena hora de almoço, provocou prejuízos de milhares de euros aos comerciantes.

Na altura, fonte da EDP Distribuição confirmou hoje à Lusa que o apagão se deveu a “uma avaria num cabo de média tensão, resultado de escavações realizadas por terceiros não pertencentes à EDP”.

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