Nova crise na Venezuela não provocou “acréscimo significativo” na saída de portugueses

Da Redação
Com Lusa

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas disse que o recente agudizar da crise na Venezuela não provocou “acréscimo significativo” no número de portugueses e lusodescendentes que regressaram ou querem regressar a Portugal.

“Contabilizando os que regressaram à Madeira e os que estão no continente, estimamos em cerca de 10 mil os que regressaram a Portugal. Não tem havido grandes oscilações”, afirmou José Luís Carneiro à agência Lusa, após uma reunião, em Lisboa, com representantes das comissões temáticas do Conselho das Comunidades Portuguesas, incluindo vários da Venezuela.

O secretário de Estado Adiantou, por outro lado, que tem havido “um movimento pendular” de portugueses que passam alguns tempos em Portugal e depois regressam à Venezuela.

De acordo com José Luís Carneiro, registou-se um acréscimo no número de portugueses que saíram para os países vizinhos da Venezuela e para Espanha.

Segundo dados avançados à agência Lusa pelo gabinete do secretário de Estado, o número de portugueses e lusodescendentes que saiu para países da América Latina está estimado em 5.700, enquanto para Espanha terão saído 5.200.

O Governo contabiliza ainda 880 portugueses que foram para os Estados Unidos da América e Canadá.

“Relativamente aos números que adiantamos nos últimos dois meses não há nenhum acréscimo muito significativo”, salientou.

José Luís Carneiro adiantou que o Governo português continua a acompanhar “à hora” a situação da comunidade naquele país.

“Não são apenas os portugueses a sofrer dificuldades na Venezuela, todo o povo tem vindo a conhecer um aprofundamento das dificuldades, que são muito graves quer na área da saúde quer alimentar”, declarou.

Por isso, o executivo tem vindo a reforçar os meios de apoio, nomeadamente às associações portuguesas, acrescentou.

“Ainda há poucos dias aprovamos apoio financeiro para três instituições associativas cujas prioridades são a parte alimentar, da saúde e do apoio aos mais idosos e às crianças”, especificou.

Para o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, este é “um esforço que tem de ser permanentemente desenvolvido em função das necessidades diagnosticadas em cada momento”.

A crise política na Venezuela agudizou-se desde o início do mês, depois de o autoproclamado Presidente Juan Gaidó ter desencadeado um ato de força contra o regime do Presidente Nicolás Maduro em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.

Nicolás Maduro, que tem sido alvo de forte contestação nas ruas, mas que aparentemente continua a controlar as instituições, viu as chefias militares confirmaram-lhe a lealdade, mantendo a situação do país num impasse.

Pelo menos cinco manifestantes morreram, três dos quais menores, e 239 ficaram feridos nos protestos que se seguiram ao levantamento liderado por Guaidó.

Segundo dados do Governo, estão registados nos consulados da Venezuela cerca de 180.000 portugueses, mas estima-se que o total de portugueses e lusodescendentes no país possa ultrapassar os 300 mil.

Composto por portugueses residentes no estrangeiro, o Conselho das Comunidades Portuguesas é o órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas e está organizado num órgão de cúpula, o Conselho Permanente, secções regionais e três comissões temáticas.

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