Primeiro-Ministro quer apresentar novo Governo logo após constituição do parlamento

Da Redação
Com Lusa

O secretário-geral do PS afirmou nesta quarta-feira ser sua intenção ter tudo preparado para apresentar ao chefe de Estado a composição do seu novo Governo logo após a constituição da Assembleia da República.

António Costa falava no final de uma reunião com o Bloco de Esquerda, na sede deste partido, em Lisboa – o último encontro de uma ronda de contatos políticos com as forças parlamentares de esquerda e com o PAN.

Interrogado sobre quando tenciona apresentar o elenco do próximo executivo por si liderado, o secretário-geral do PS referiu-se que, até à próxima semana, ainda terão de ser apurados os resultados dos círculos da emigração, que elegem quatro dos 230 deputados da Assembleia da República.

Os resultados dos círculos da emigração ainda não estão apurados. O voto dos emigrantes portugueses por via postal deveria ser expedido até ao dia da eleição (06 de outubro) e chegar à Assembleia de Recolha e Contagem, em Lisboa, até 16 de outubro.

Na melhor das hipóteses, correndo tudo bem, segundo a estimativa de António Costa, “a primeira reunião da Assembleia da República será dia 21 ou 22” deste mês.

“Só na sequência dessa primeira reunião o Governo pode ser constituído e, como tal, só nessa altura apresentarei a lista ao senhor Presidente da República. A minha ideia é ter tudo preparado para, assim que a Assembleia da República seja constituída, poder apresentar ao Presidente da República a composição do próximo Governo”, declarou o líder socialista.

Sobre as reuniões que teve com o Livre, PAN, PEV, PCP e Bloco de Esquerda, António Costa classificou-as como “positivas”.

“É positivo termos encontrado em todos os interlocutores vontade clara que o país viva quatro anos de estabilidade política. A possibilidade de haver entendimentos com uns ou com outros é algo que está em aberto. Em todos [os partidos], encontramos disponibilidade para trabalhar e procurarmos graus de entendimento. Uns à partida para quatro anos, outros só passo a passo”, disse, numa alusão às diferenças entre Bloco de Esquerda e PCP.

“Saímos do conjunto destes contatos com a confiança de que é possível não só formar Governo, como iniciar uma governação com estabilidade no horizonte de quatro anos”, acrescentou o secretário-geral do PS.

Sem esquerda preferencial

Costa defendeu que há um quadro político distinto face a 2015, que respeita a opção do PCP de não exigir acordo escrito de Governo e que tratará sem preferências os parceiros de esquerda.

“Respeitamos os partidos que entendem que é útil que haja acordo escrito [Bloco de Esquerda] e também os partidos que entendem que não é útil que haja acordo escrito [PCP]. Não trabalharemos preferencialmente com nenhum dos partidos com quem temos contatos ao longo do dia de hoje”, declarou António Costa na sede do PCP.

Costa congratulou-se por, até agora, nenhuma força política (Livre, PAN, PEV e PCP) “ter fechado a porta” à formação do novo governo socialista, defendeu que “há razões para se encarar com confiança” a próxima legislatura, mas advertiu que o quatro político atual é distinto àquele que se verificava em 2015, quando foi formada a “Geringonça”.

“Nesta reunião, o que foi manifestado pelo PCP – e que consideramos positivo – é a disponibilidade para fazer a apreciação conjunta desde logo do Orçamento do Estado. Haver essa disponibilidade é um sinal positivo”, insistiu.

A seguir, o líder socialista procurou desdramatizar o fato de o PCP, desta vez, não pretender assinar qualquer declaração conjunta na perspectiva de uma legislatura, ao contrário daquilo que aconteceu em 2015.

“Felizmente, o quadro político é distinto do de 2015. O quadro político anterior ou o atual não aproximou ou distanciou mais o PS do PCP. O anterior quadro político colocava exigências a cada um dos partidos distintas em relação às condições que existem hoje, desde logo porque em 2015 era necessário afirmar uma maioria que não tinha resultado diretamente das eleições para haver uma indigitação de Governo”, justificou, numa alusão ao papel então assumido pelo ex-Presidente da República Cavaco Silva.

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