Pessoas cegas vão poder votar em braile pela primeira vez nas Eleições Europeias

Da Redação

O governo português, através da Secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, e a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, promoveu uma demonstração para explicar como é que as pessoas com deficiência visual vão poder votar nas próximas eleições europeias de forma autônoma, segura e secreta através dos boletins em braile que vão estar disponíveis em todas as mesas de voto.

Ana Sofia Antunes referiu que quando uma pessoa cega se dirigir à sua mesa de voto, ser-lhe-á entregue uma matriz que já tem um boletim de voto no interior, e graças à qual a pessoa consegue identificar os partidos e assinalar a cruz num quadrado recortado, sendo que cada partido corresponde a um número.

Antes de votar é entregue uma folha explicativa onde é feita a correspondência entre o número da candidatura e o respetivo partido para que depois a pessoa identifique facilmente na matriz o número que quer assinalar.

“Uma vez feito o voto, a pessoa tira o boletim do interior da matriz e dobra-o em quatro. Tem uma linha guia colocada na parte branca para saber que é aquela parte que tem de ficar para fora no momento em que dobrar o voto em quatro”, acrescentou a Secretária de Estado.

O presidente da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), Tomé Coelho, afirmou que este é “um passo extremamente importante” para as pessoas cegas, mesmo que pareça algo simples para a maioria das pessoas.

“É algo que nunca aconteceu no nosso País, possibilitar pela primeira vez que as pessoas com deficiência visual possam votar autonomamente, possam ter a certeza de que votam no partido ou na coligação que desejam”, acrescentou.

A demonstração do Governo incluiu também uma explicação de como funcionará o voto eletrônico, que é uma experiência piloto que vai estar disponível em 50 mesas de voto distribuídas pelos 14 concelhos do distrito de Évora, nas eleições europeias de 26 de maio.

“O voto eletrônico em Évora tem a vantagem de qualquer cidadão do distrito de Évora poder votar numa qualquer mesa em qualquer concelho”, disse Isabel Oneto, acrescentando que é possível que o recurso seja alargado a todo o País no futuro.

O voto eletrônico também tem uma componente de acessibilidade, que será adequado para pessoas cegas e amblíopes, uma vez que a máquina funciona de forma tátil, através de um sistema de voz e com recurso a auriculares. Está ligada a uma impressora que, no final do processo, imprime o voto em papel para depois ser colocado na urna.

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