Confederação apela à suspensão da greve dos motoristas em Portugal

Foto Greve de motoristas de matérias perigosas, junto à Companhia Logística de Combustíveis, Aveiras, 17 de abril de 2019. MÁRIO CRUZ/LUSA

Da Redação
Com Lusa

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal manifestou nesta quarta-feira em Lisboa preocupação pelo impasse que se verifica no transporte de matérias perigosas e apela à suspensão da greve dos motoristas por uma semana para se conseguir resolver o problema.

A CIP divulgou um comunicado onde chama a atenção dos diversos intervenientes para os danos que a manutenção desta paralisação está a causar a empresas e trabalhadores.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Apesar de reconhecer que este impasse só pode ser resolvido através do diálogo, o organismo presidido por António Saraiva sublinha que “este não pode ocorrer numa situação em que toda a economia se encontra refém de uma situação”.

Por isso, a CIP sugere que “a suspensão da greve por um período minimamente razoável, e uma semana assim parece, poderia revestir utilidade na tão necessária resolução do impasse que não pode eternizar-se”.

No mesmo documento, o organismo apela ao Governo para que exerça a máxima influência junto das partes no sentido de se criar uma base negocial e pede ainda que o executivo “tenha a consciência de que a situação que se verifica afeta Portugal como um todo, sendo penalizadora da generalidade dos agentes econômicos”.

A CIP acredita que o que aconteceu nos últimos dias exige uma reflexão profunda sobre setores críticos para a economia e a sua vulnerabilidade.

Devido à greve, na terça-feira, gerou-se a corrida aos postos de abastecimento de combustíveis, provocando o caos nas vias de trânsito.

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) informou que não foi ainda retomado o abastecimento dos postos de combustível, apesar da requisição civil, e que já há marcas “praticamente” com a rede esgotada.

O primeiro-ministro admitiu alargar os serviços mínimos e adiantou que o abastecimento de combustível está “inteiramente assegurado” para aeroportos, forças de segurança e emergência.

Na terça-feira, alegando o não cumprimento dos serviços mínimos decretados, o Governo avançou com a requisição civil, definindo que até quinta-feira os trabalhadores a requisitar devem corresponder “aos que se disponibilizem para assegurar funções em serviços mínimos e, na sua ausência ou insuficiência, os que constem da escala de serviço”.

No final da tarde de terça-feira, o Governo declarou a “situação de alerta” devido à greve, avançando com medidas excecionais para garantir os abastecimentos e, numa reunião durante a noite com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e o sindicato, foram definidos os serviços mínimos.

Militares da GNR estão de prevenção em vários pontos do país para que os caminhões com combustível possam abastecer e sair dos parques sem afetarem a circulação rodoviária.

No ano passado, o Brasil passou por situação semelhante com uma greve dos caminhoneiros que paralisou diversos setores. Na altura, o governo federal estimou que a greve dos caminhoneiros causou prejuízo de R$ 15,9 bilhões à economia, com bloqueios em rodovias e crise de abastecimento de itens como combustível e alimentos.

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