“Portugal nos ajudou muito na recuperação do acervo” após incêndio do museu no Rio

Da Redação
Com Lusa

O secretário Especial da Cultura do Brasil, José Henrique Pires, declarou à agência Lusa que tenciona agradecer a ajuda dada pelos técnicos portugueses na recuperação do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que sofreu um incêndio em setembro passado.

“Pretendo agradecer a Portugal (…) pelos técnicos portugueses estarem a ajudar os brasileiros no resgate”, afirmou José Henrique Pires, que inicia nesta segunda-feira uma visita de cinco dias a Portugal.

O responsável pela pasta da Cultura do Brasil acrescentou que foram feitas algumas modificações provisórias na estrutura do Museu Nacional, fundado pelo rei João VI de Portugal, no Rio de Janeiro, sendo o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil e da América do Sul.

“Foram feitos alguns reforços de emergência (…), alguns trabalhos provisórios, como alguns telhados que foram colocados para permitir que a procura por peças seja mais tranquila. Mas quero destacar que grande parte desses trabalhos também contam com a ajuda de técnicos portugueses, que em 1978 enfrentaram um incêndio similar [na Faculdade de Ciências], e aprenderam com esse desastre. E nós estamos a aprender com os portugueses”, frisou o secretário.

José Henrique Pires referia-se ao incêndio que, em março de 1978, destruiu grande parte da Faculdade de Ciências, na antiga Escola Politécnica, e extensas áreas do Museu de História Natural da Universidade de Lisboa – em particular secções de zoologia e antropologia -, para sublinhar a cooperação e troca de informação.

No âmbito das comemorações dos 200 anos da independência do Brasil, que se cumprem em 2022, o detentor da secretaria da Cultura fez saber que tem intenções de alargar os eventos culturais previstos até ao ano do bicentenário.

“Vamos tentar fazer um edital de audiovisual, especificamente de cinema, com esse tema, para se executar no ano de 2022. Quero aproveitar [a missão em Portugal] para visitar a exposição onde Portugal homenageia Dona Maria. Ela que foi a segunda rainha portuguesa, e uma rainha portuguesa nascida no Brasil” declarou Henrique Pires, referindo-se a Maria II, filha de Pedro I, que proclamou a independência do Brasil, e à exposição patente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, “Dona Maria da Glória (1819 -1853): um registo intimista”.

“É uma homenagem que Portugal faz ao Brasil, bastante interessante, e eu faço questão de fazer essa visita ao museu, na Torre do Tombo, para levar um abraço do povo brasileiro a essa gentileza de Portugal. E, talvez, trazer uma parte dessa exposição para o Brasil”, revelou José Henrique Pires à Lusa.

Durante a visita a Portugal, ele deve encontrar com a ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca, e com a direção do Instituto do Cinema e do Audiovisual, entre outros responsáveis de diferentes setores.

O titular brasileiro da Cultura disse que pretende investir mais recursos nas relações com Portugal, nomeadamente no âmbito do mercado audiovisual, de forma a que os dois países consigam atingir novos públicos.

“Nós queremos melhorar a relação com Portugal, no sentido de apontar mais recursos para fazer obras de audiovisual, de animação ou ficção, mas que tenham uma boa possibilidade de propagação da cultura brasileira e portuguesa nos países lusófonos e também nos outros mercados, como o latino-americano e o europeu”, referiu.

Questionado sobre a importância da cooperação entre países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Henrique Pires sublinhou a importância da instituição do Prêmio de Literatura Infantojuvenil Monteiro Lobato, que distingue texto e ilustração, de autores de língua portuguesa, e que foi promulgado no dia 22 de janeiro, pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Acho que o prêmio Monteiro Lobato de Literatura Infantil vem preencher uma lacuna, porque acaba por ser destinado ao público infantojuvenil, mostrando o que os países de língua portuguesa fazem de melhor. A parte que diz respeito a Portugal já está muito bem feita e resolvida. O Brasil está com a tramitação na Câmara dos Deputados (…), e esperamos que nos próximos dois a três meses consigamos concluir essa parte do prêmio aqui no Brasil (…) e colocá-lo no cenário cultural lusófono”, explicou Henrique Pires à Lusa.

Na bagagem, o responsável traz também o Prêmio Camões, o “mais importante para o conjunto da obra de autores da língua portuguesa”, com a 31.ª edição, este ano, a caber ao Brasil, com a reunião do júri e o anúncio do vencedor. A constituição da Biblioteca Digital Luso Brasileira, projeto de digitalização de acervos das bibliotecas nacionais de ambos os países, é outro ponto em agenda.

O Governo brasileiro, presidido por Jair Bolsonaro, eliminou o Ministério da Cultura, que passou a Secretaria Especial da Cultura, integrada no Ministério da Cidadania. Na visão de José Henrique Pires, nada foi alterado em termos políticos.

“O Brasil adotou este modelo. Continuamos exatamente com o mesmo tamanho. (…) Na verdade é um arranjo administrativo que não impacta a estrutura da cultura do país. Está muito bem organizada nos estados e nos municípios, e pretendemos trabalhar bastante ao longo desses próximos quatro anos”, assegurou o secretário.

O secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, inicia a viagem a Portugal, acompanhado pela presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Brasil (Iphan), Kátia Bogéa.

Durante a missão oficial, que começa com a participação na Reunião da Comissão do Patrimônio da CPLP, nesta segunda-feira, o secretário brasileiro irá encontrar-se com diversas autoridades portuguesas para tratar de temas da agenda bi e multilateral, no âmbito da CPLP.

Gestão do patrimônio histórico, cooperação no setor do audiovisual e preparativos para a celebração do Bicentenário da Independência do Brasil são assuntos que irão ser debatidos pelas autoridades dos dois países, durante a visita.

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