Na ONU, Presidente cita um Portugal migrante e pede “não vamos repetir erros do passado”

Presidente na ONU: Desde que nascemos, temos milhões de portugueses espalhados pelo mundo. Foto Lusa

Da Redação
Com agencias

Em um discurso de união dos países e combate a xenofobia, “isolacionismo” e radicalismos, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu aos líderes na 74.ª Assembleia Geral das Nações Unidas para não “repetir os mesmos erros de há 100 anos”. E colocou Portugal como um país de emigrantes e acolhedor para imigrantes.

Perante a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o afastamento dos Estados Unidos da América e a entrada tardia da União Soviética para a Liga das Nações, de que aquela organização “nunca recuperou”, vendo crescer “lideranças hipernacionalistas, xenófobas isolacionistas e unilateralistas”.

“Vale a pena recordar que há 100 anos nasceu a Liga das Nações. Uma iniciativa de um presidente americano, Woodrow Wilson, que viu o Congresso rejeitar a ratificação do Tratado com base em posições isolacionistas. Os Estados Unidos, que tinham sido o povo de arranque de uma nova ordem internacional, acabavam por não entrar na nova organização. Ao mesmo tempo a União das Repúblicas Soviéticas não queria integrar a Liga das Nações invocando razoes ideológicas”, relembrou o Presidente português.

Segundo ele, a “Liga das Nações nunca recuperou do não empenhamento dessas duas potências”, completando que o mundo foi parar, 20 anos depois, na Segunda Guerra Mundial.

“Vale a pena pensar que tem sentido lutar por mais direitos internacionais para reger as relações entre povos e estados. Vale a pena lutar por organizações internacionais que ajudem problemas que são de todos, e não só de alguns estados. Vale a pena lutar por um papel político, e não apenas técnico, dessas organizações. Vale a pena lutar por uma visão multilateral de todos, a começar nos que se consideram mais poderosos, porque ninguém é uma ilha, ninguém consegue sozinho, ou com alguns aliados, enfrentar problemas globais” defendeu.

“Vale a pena tudo fazer para que a História seja aprendida e que se não confunda o poder, a liderança, a conjuntura de cada momento com a eternidade. Porque o mundo e a vida mudam muito, já assistimos a tanta mudança geoestratégica em menos de quarenta anos, e vamos, nós e os nossos descendentes, assistir a ainda muitíssimas mais e mais aceleradas nos próximos quarenta anos. O mais prudente é apoiarmos esta Casa que vai fazer 75 anos, reforçarmos a sua sustentabilidade financeira, a sua capacidade interventiva e as suas ações de encontro, diálogo, prevenção de conflitos e conjugação de iniciativas em domínios de interesse comum”, defendeu.

O presidente citou que Portugal é um país migrante. “Desde que nascemos, há nove séculos, que temos milhões de portugueses espalhados pelo mundo. Acolhemos o que nos chegam, combatendo xenofobias e intolerâncias. Consideramos prioritária a educação, consideramos que é preciso evitar a radicalização, o tráfico de seres humanos, e salvaguardar a paz e os direitos das pessoas e das comunidades”.

O chefe de Estado português falou de patriotismo depois de ter ouvido o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer, na sessão de abertura do debate geral, que “o futuro não pertence aos globalistas, mas aos patriotas”.

Marcelo Rebelo de Sousa contrapôs que os líderes devem ser “não só multilateralistas”, como “verdadeiros patriotas das nossas próprias pátrias”.

“Ser-se patriota é ter-se orgulho no passado, é ter-se orgulho nas raízes, é ter-se orgulho na História própria, mas é também ter-se a exata noção de que o mundo é como é, e de que os outros têm direito a ter orgulho nas suas próprias pátria. E que o mundo, onde não há ilhas, é fruto do diálogo do encontro, da permanente conjugação entre o espírito patriótico de todos e cada um de nós”, defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falou em português, reforçou esta mensagem no final da sua intervenção em inglês: “Só aqueles que não conhecem a História e, por isso, não se importam de repetir os erros do passado, minimizam ou relativizam o papel das Nações Unidas”.

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