Em solenidade em Santos, presidente do CCP Mundial faz reflexão sobre futuro da comunidade

Foto Odair Sene: Autoridades da mesa diretiva da solenidade com líderes associativos da região e demais convidados.

Mundo Lusíada

Em 7 de Junho, o Centro Cultural Português de Santos promoveu a solenidade comemorativa do Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas. O evento contou também com a presidente nacional do CDS de Portugal, Assunção Cristas que esteve no Brasil para encontro com integrantes da comunidade.
O orador da noite foi o presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Flávio Martins.
“Tive a felicidade de ser reeleito em 31 de maio, e já havia sido convidado há algum tempo pelo comendador Duarte, que é nosso companheiro lá no Conselho, como também o comendador Vasco Monteiro. Para mim é estar em casa, já estive em outras oportunidades no Centro Cultural Português de Santos”, diz ele que esteve na última vez em Santos acompanhando a visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.
“Eu vejo aqui como uma referência, já comentei isso, para mim é o salão de uma associação mais bonito que conheço no Brasil”, definiu o visitante do Rio de Janeiro em referência ao Salão Camoniano do Centro Cultural Português.
Em sua explanação nessa noite, Flávio Martins destacou dois pontos nas comemorações do 10 de Junho. “Nós devemos realçar e cada vez mais reconhecer o trabalho das nossas comunidades e dos que já passaram por aqui. Ninguém tem uma associação há quase 125 anos, com patrimônio e história que tem o Centro Cultural Português, se não houver muita dedicação e trabalho das nossas comunidades”.
Segundo ele, grande parte desse trabalho desenvolvido nas diversas áreas – cultural, social, beneficente – foi feito sem “qualquer ajuda ou pouca ajuda” do governo português. “A não ser recentemente, Portugal sempre olhou pouco para as nossas comunidades”, declarou destacando que é necessário reconhecer a pujança das comunidades portuguesas da diáspora.
O seu segundo ponto de destaque é uma reflexão sobre o futuro da comunidade, principalmente no Brasil. “Hoje é uma comunidade mais ligada aos movimentos associativos, não só em Santos e São Paulo como no Rio, Minas Gerais, do sul do Brasil e outras cidades onde há presença da comunidade portuguesa, participação de jovens e mulheres nos cargos de direção é pequena. Isso tem que ser pensado, até que possamos atrair futuras gerações para que elas percebam a importância que é ser português”.
Segundo Flávio, aquelas vagas de imigração para o Brasil desapareceram. “Quando há, as pessoas ficam pouco tempo aqui, muitas vezes tem um perfil completamente diferente de décadas atrás, normalmente são pessoas ligadas a empresas que ficam por um tempo e voltam, estão aqui mas poderiam estar em qualquer outro lugar. Não é aquele grupo que antes vinha se juntar ao movimento associativo luso-brasileiro”.
Neste âmbito, o presidente do CCP sugeriu mudar o paradigma em como se trabalha nas associações, para “atrair e dar responsabilidade às futuras gerações”, que poderão manter essa história. “Corremos o risco, daqui há 10 ou 20 anos, de termos associações esvaziadas e patrimônios materiais e imateriais perdidos”.

CCP Mundial

Órgão de consulta do governo português e partidos políticos na Assembleia da República em Lisboa, o CCP decidiu nesta gestão que seria proativo e não esperariam que fossem consultados. “Nós temos feito diversas iniciativas, algumas deram resultado outras nem tanto porque vemos que nossa função é aconselhar mas não deliberamos, não decidimos nada”.
Segundo Flávio, teve mudanças principalmente depois da alteração eleitoral que permite maior participação das comunidades nas eleições em Portugal. “Percebemos este 10 de Junho diferente, porque os partidos políticos se movimentam hoje para estarem nas comunidades, seja fora da Europa ou na Europa. O que denota que eles começam a perceber que há uma forte possibilidade das comunidades começarem a intervir na vida política portuguesa”.
O governo atual tem sido sensível nas questões da diáspora, diz o presidente do CCP, além dos partidos políticos tanto apoiadores do governo quanto da oposição. Um resultado que também decorre do que é feito no CCP, defende.
Como exemplo, Flávio citou que as alterações legislativas começou num processo de iniciativa popular apresentada no Parlamento português em janeiro de 2017, que surgiu de um movimento de emigrantes em Londres, e que depois foi abraçado por todo CCP. “Estivemos lá, entregamos o projeto de iniciativa popular que previa até outras questões que não foram levadas adiante, como por exemplo, o voto eletrônico (pela internet)”. O assunto será insistido pelo CCP, já que “esse é o caminho” para uma maior participação das comunidades.
Comentando a alta abstenção nas últimas eleições europeias, muito comentada pelos portugueses este ano e notadamente alta nas comunidades, Flávio fez críticas. “Há muita gente em Portugal que acha que entende das comunidades, só entende – com raras exceções – quem vive nas comunidades. Ouvi muita coisa contra a falta de participação das comunidades, só que as pessoas esquecem que houve pouca propaganda dos partidos políticos nas próprias comunidades, ou nenhuma. As pessoas esquecem que esta foi uma eleição foi presencial, e que as mesas de votação nas freguesias em Portugal estão a 3km da casa das pessoas, enquanto que nas comunidades elas estão a 300km ou 3 mil km de onde as pessoas moram. Se as pessoas em Portugal não andam 3km para irem votar por que exigem das comunidades façam essa distância?”, questionou completando que é um processo que está avançando.
Uma das alegações do órgão é também ter uma maior autonomia no CCP. Foi apresentado um documento na última semana aos representantes governamentais em Lisboa, não só para fortalecimento do órgão consultivo mas de toda comunidade portuguesa no estrangeiro.
“Estejamos aqui, fora de Portugal ou em Portugal, somos portugueses. Então Portugal não se restringe ao continente ou ilhas, Portugal está onde está cada português, cada portuguesa, defendendo seus valores e princípios, e trabalhando para dignificar Portugal nesses outros países de acolhimento”.

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