Eleição no Brasil segue para segundo turno, Bolsonaro também ganha no exterior

Foto José Cruz/Agência Brasil Brasília. Chefe da missão da OEA visita locais de votação em Brasília

Mundo Lusíada
Com EBC

Já com 96,06% das urnas apuradas, foi confirmado o segundo turno entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) para a presidência do Brasil. Os dois voltam a se enfrentar no dia 28 de outubro.

Em terceiro lugar está Ciro Gomes (PDT), com 12,52%. Ele é seguido por Geraldo Alckmin (PSDB), com 4,82% e João Amoedo (Novo), com 2,57%. Os votos em branco somam 2,67% e os nulos, 6,11%. Até o momento, a abstenção registrada era 20,33%.

Bolsonaro (PSL) teve a maioria dos votos válidos em 16 estados e no Distrito Federal. Haddad (PT) ganhou em nove estados, a maioria no Nordeste. Ciro Gomes teve a maior votação apenas no Ceará, com 41% dos votos válidos.

Com quase 90% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro obteve a preferência dos 58,4% dos votos válidos dos eleitores brasileiros no exterior. Ciro Gomes (PDT) foi o segundo colocado, com 14,4%. Fernando Haddad (PT) alcançou o terceiro lugar, com 10,4%. Em quarto lugar, João Amoêdo, do partido Novo, obteve quase 7% dos votos válidos.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 500 mil brasileiros estavam aptos a votar em 99 países, mas menos da metade compareceu. A abstenção foi altíssima; chegou a 59%. Os votos brancos e nulos se aproximaram dos 5%.

Portugal

Bolsonaro venceu nos consulados brasileiros em Portugal, com mais de 50% dos votos. “Quase 60% dos votos, mais concretamente 59,80%, em Faro foram para o candidato Jair Bolsonaro”, disse à Lusa o representante diplomático responsável pelo ato eleitoral no consulado de Faro, salientando que a afluência às urnas foi “fraca”. Apenas 22% dos eleitores inscritos.

A fonte consular explicou que a afluência foi maior durante o período da manhã, tendo à tarde havido alguns fluxos maiores de eleitores de acordo com os horários das chegadas dos comboios a Faro.

“Muito dos eleitores não residem em Faro, vem de outras zonas do Algarve ou do Alentejo, uma vez que a área de abrangência do consulado vai até Portalegre”, incluindo distritos de Évora e Beja, explicou.

No Porto, Jair Bolsonaro também venceu com larga maioria, segundo a vice-consul Lígia Verde, que adiantou que em segundo lugar ficou Ciro Gomes (o candidato que encabeça o Partido Democrático Trabalhista), ficando em terceiro o candidato do PT, Fernando Haddad.

No consulado “a afluência foi enorme”, chegando a haver pessoas que esperaram cerca de três horas para votar, admitiu a vice-cônsul. “A afluência foi bem maior do que a esperada”, afirmou Lígia Verde.

Em Lisboa, o candidato de extrema-direita conquistou 56% dos votos dos brasileiros que votaram.

O número foi divulgado a noite, na antena da TSF, pela jornalista Juliana Miranda, que obteve os números junto do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, depois de ter passado todo o dia junto à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, um dos locais de votação em Portugal.

Cerca de 40 mil brasileiros residentes em Portugal estavam aptos a votar nesta primeira volta das eleições presidenciais, segundo dados da Embaixada do Brasil em Portugal, mais 10 mil recenseados do que em 2014.

Falas

Pelas redes sociais, Bolsonaro convocou os eleitores para a disputa do segundo turno. “Temos de acreditar no nosso Brasil. Não podemos nos recolher. Faltam três semanas”, disse em transmissão pelas redes sociais, acompanhado do economista Paulo Guedes, seu assessor econômico na campanha e eventual ministro da Fazenda em caso de vitória.

Ele ainda agradeceu aos brasileiros pelos votos que recebeu. Bolsonaro venceu em quatro regiões do país, perdeu somente no Nordeste. “Tenho certeza que ampliaremos esta vantagem no segundo turno”, disse.

Bolsonaro disse que irá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar soluções sobre problemas em urnas eletrônicas durante a votação deste primeiro turno. No Rio de Janeiro, foram registradas longas filas na seções eleitorais por causa de problemas em troca de urnas e biometria. “Vamos juntos ao TSE para exigir soluções para isto que aconteceu agora. Não foi pouca coisa. Foi muita coisa. Se nós tivéssemos confiança nas urnas eletrônicas, já teríamos o nome do futuro candidato à Presidência da República definido hoje”, afirmou o candidato.

O candidato também fez críticas à campanha do PT. “Eles têm bilhões para gastar e parte da mídia. Quase quebraram o BNDES e muitos bancos. Afundaram empresas”, afirmou.

No primeiro pronunciamento após a confirmação da disputa de segundo turno na corrida presidencial, o candidato Haddad afirmou haver “muita coisa em jogo” no pleito deste ano e sinalizou a busca de apoio nas próximas três semanas de campanha.

“Esta eleição coloca muita coisa em jogo. O próprio pacto da Constituinte de 1988 está em jogo em função das ameaças que sofre quase diariamente”, afirmou. A declaração foi dada em um hotel no bairro do Paraíso, em São Paulo, na presença de dezenas de apoiadores, correligionários e aliados, incluindo a candidata a vice-presidente na chapa, Manuela d’Ávila (PCdoB) e integrantes do PROS, o outro partido que compõe a coligação.

O petista afirmou já ter conversado por telefone com Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede). “Tenho muita consideração por todos e a ideia é manter o diálogo aberto”, disse. Segundo a assessoria do candidato, Haddad trocou telefonemas de cumprimentos com os três adversários, mas ainda não foi definida uma agenda de conversas para viabilizar o apoio deles no segundo turno.

A assessoria de Haddad informou ainda que o governador reeleito da Bahia, Rui Costa (PT), está articulando uma reunião com governadores do PT e aliados para a próxima terça-feira, para discutir o apoio nos estados na sequência da campanha eleitoral. O presidenciável também deve visitar amanhã (8) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, e em seguida deve conceder uma entrevista coletiva à imprensa.

Em seus discurso, Fernando Haddad disse ainda que pretende “unir os democratas do Brasil” em torno de um projeto que tenha como prioridade o combate as desigualdades sociais do país e a defesa da soberania nacional e popular. Ele falou ainda que o segundo turno abre oportunidade para discutir “frente à frente e olho no olho”.

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