Após visita rápida a Borba, presidente deixa mensagem de apoio e condolências

Mundo Lusíada
Com Lusa

O Presidente de Portugal deixou nesta terça-feira uma mensagem de apoio às operações em curso em Borba, Évora, apresentou condolências aos familiares das vítimas e pediu paciência face à indefinição da conclusão dos trabalhos.

Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que já passou “muitas vezes, em atividades profissionais ao longo de muitos anos”, pela estrada junto a uma pedreira que desabou na segunda-feira, provocando duas vítimas mortais confirmadas e vários desaparecidos.

Questionado se entende que este era um desastre anunciado, respondeu: “Não me vou pronunciar sobre isso”. Neste dia 20, empresários declararam já ter avisado autoridades sobre o estado do local, pedindo interdição, o que foi retrucado pela Câmara local.

“Penso que, neste momento, o fundamental é esta mensagem de apoio ao que está a ser feito e está a ser feito com critério, com cuidado e com segurança e, por isso, sem limites temporais precisos, como tem sido explicado e bem à opinião pública”, considerou.

O chefe de Estado disse que “todos os portugueses ficaram chocados com aquilo que aconteceu” e que se deslocou ao local do acidente “mal foi possível lá ir e lá estar sem perturbar os trabalhos em curso”.

“Desde já, naturalmente, apresento a minha solidariedade, as minhas condolências aos familiares das vítimas. E apoio aquilo que tem sido dito, que é pedir paciência àqueles que querem encontrar uma resposta mais rápida”, acrescentou.

Segundo o Presidente da República, “é o bom senso que obriga, e razões de segurança, a que tudo seja feito como está a ser feito, portanto, sem se poder fixar prazos precisos para as várias operações”.

Marcelo Rebelo de Sousa, fez uma “visita relâmpago” ao local onde ocorreu um deslizamento de terras para dentro de uma pedreira. Fontes locais contaram à agência Lusa que Marcelo Rebelo de Sousa visitou o “teatro de operações” na pedreira e o posto de comando e regressou a Lisboa.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, após visitar durante 15 minutos a zona onde onde ocorreu o deslizamento de terras numa pedreira na zona de Borba. Nuno Veiga/Lusa

O deslizamento de um grande volume de terra na estrada entre Borba a Vila Viçosa, no distrito de Évora, provocou a deslocação de uma quantidade muito significativa de rochas, de blocos de mármore e de terra para o interior da pedreira pelas 15:45 de segunda-feira.

Segundo o comandante distrital de operações de socorro de Évora, José Ribeiro, estão confirmados dois mortos, operários da empresa que explora a pedreira.

As autoridades procuram ainda um número indeterminado de vítimas, cujas viaturas em que seguiam terão sido arrastadas para o interior da pedreira.

As autoridades de socorro destacaram a “complexidade” das operações em curso, sublinhando que vão ser “morosas e difíceis”.

O corpo de uma das duas vítimas mortais confirmadas do deslizamento de terras foi retirado nesta tarde, quase 24 horas depois do acidente, disse à agência Lusa fonte dos bombeiros. O corpo é de um dos dois operários da empresa que explora a pedreira.

Autarca diz “nunca na vida” foi alertado

O presidente da Câmara de Borba declarou que “nunca na vida” foi informado da alegada perigosidade da estrada junto às pedreiras, argumentando que empresários do setor queriam cortar a via, mas para ampliar a extração de mármore.

“Nunca na vida”, respondeu o autarca de Borba, António Anselmo, quando questionado pela agência Lusa sobre se, numa reunião com técnicos dos serviços regionais de Geologia, não tinha já sido alertado para a perigosidade da estrada.

O presidente da câmara, que se encontra no local das operações da Proteção Civil, afirmou à Lusa recordar-se, efetivamente, de há quatro anos ter participado “nessa reunião” com técnicos de Geologia e Minas da antiga Direção Regional de Economia e com industriais do setor dos mármores.

Segundo António Anselmo, em ‘cima da mesa’ estava “a possibilidade” de interromper a estrada e “os empresários nunca se entenderam”, ou seja, “não houve consenso”.

“Houve uma reunião em que os empresários não se entenderam relativamente ao corte da estrada. E ao corte não, ao partir da estrada para permitir a exploração” de mármore, alegou.

A “ideia”, de acordo com o presidente da câmara, “não era cortar a estrada, era partir a estrada para fazer exploração nesse sítio onde uma parte caiu”. “A estrada passava a ser pedreira, era essa a ideia”, explicou.

Na conferência de imprensa realizada no quartel dos Bombeiros Voluntários de Borba, na segunda-feira à noite, o autarca já tinha dito estar “de consciência completamente tranquila” e que o que tinha “em termos legais e de conhecimento” era que “a situação” da estrada “estava perfeitamente segura”.

O Ministério Público instaurou “um inquérito para apurar as circunstâncias que rodearam a ocorrência”, referiu a Procuradoria-geral da República.

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