O trabalho em rede do futuro Museu Nacional da Emigração

Por Daniel Bastos

No âmbito do projeto do futuro Museu Nacional da Emigração, criação aprovada, como recomendação, pela Assembleia da República, a 27 de outubro do ano transato, foi anunciado então pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, a intenção do Governo vir a estabelecer que os vários museus municipais ligados ao fenômeno da emigração possam constituir-se como polos do vindouro espaço museológico.
Trata-se de uma estratégia cultural em rede importante, porquanto pelo país encontram-se disseminados vários núcleos museológicos locais e regionais, que ao longo dos anos se têm dedicado à preservação e conhecimento do processo de emigração, um fenómeno estruturante na sociedade portuguesa e com marcas em todos os continentes. Encontram-se neste caso, por exemplo, o Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, o Espaço Memória e Fronteira, localizado em Melgaço, e o Museu da Emigração Açoriana, instalado na Ribeira Grande, que têm prestado um serviço público de grande relevância na promoção do conhecimento das migrações na diáspora portuguesa.
No entanto, além desta perspetiva desconcentrada e polinuclear proposta pelo Governo, na esteira do projeto de resolução do PS para a criação do museu, sustentado no trabalho do deputado eleito pelo círculo da Europa, Paulo Pisco, e da inclusão no mesmo de um centro de documentação, proposto pelo PSD, é igualmente fundamental que o futuro Museu Nacional da Emigração se articule simultaneamente com outros espaços museológicos espalhados pelas comunidades portuguesas, assim como as inúmeras estruturas associativas portuguesas no estrangeiro.
O prosseguimento de uma estratégia de articulação e cooperação transnacional do futuro Museu Nacional da Emigração, por exemplo, com a Galeria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico em Toronto, que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá, será indubitavelmente uma mais-valia para a comunidade luso-canadiana, assim como para a missão vindoura do Museu Nacional da Emigração. No mesmo sentido, a articulação e cooperação transnacional do futuro Museu Nacional da Emigração com o associativismo luso no estrangeiro é essencial, pois é no seio destes movimentos que residem os vínculos de pertença cultural e se encontram os sinais de integração nos países de acolhimento.

 

Por Daniel Bastos
Historiador português, autor de “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

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