Filosofia: Árvore da Sabedoria?

Por Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Abordar a Filosofia como uma “ciência” estruturada, sistematizada, sincrónica ou diacronicamente considerada, nos dias de hoje, é uma tarefa praticamente impossível. Ao longo dos séculos, e dos milénios, a “mãe de todas as ciências”, o “refúgio da sabedoria” ou quaisquer outros qualificativos que se lhe queira aplicar, têm vindo a ser atribuídos à Filosofia, para o bem e para o mal: analisada, estruturada, debatida, rejeitada, aplaudida.

Contudo, o seu estatuto, não pode deixar de ser altamente valorizado, num mundo que tende a globalizar-se, que resvala para as tecnocracias desumanas e para o materialismo insensível aos dramas da Humanidade, bem como pelo respeito aos mais elementares Direitos Humanos, enfim, à “preguiça” em pensar.

Nesta fase da vida etária, cívica, académica, literária e profissional, do autor deste trabalho, cumpre, como eternamente aprendiz de filósofo, lançar um grito de “revolta pacífica”. Tem sido preocupante a situação para a qual os detratores dos valores humanos quiseram levar a Filosofia, negando-lhe o estatuto de disciplina do conhecimento humano.

Procuraram esvaziá-la dos seus conteúdos mais nobres e vitais para a sociedade humana, assim como desviá-la dos seus objetivos primordiais que, afinal, fundamentam, categoricamente, os mais importantes e imprescindíveis valores humanos, plasmados nos documentos internacionais, sobre a problemática dos direitos do homem e do cidadão. Questões como:

  1. a) Filosofia, enquanto “ciência do pensamento estratégico” sobre a situação do homem, nas suas mais profundas interrogações: Quem somos? O que queremos? Para onde vamos?
  2. b) Educação, como caminho a percorrer, ao longo desta vida terrena, principal meio para o homem se perspectivar numa dimensão superior, enquanto SER dos seres naturais, concebido à imagem e semelhança do seu Criador?
  3. c) Direitos Humanos, como valores inquestionáveis, delimitadores de toda a práxis humana, na vertente relacional do Homem para com o seu semelhante, mas também do Homem para com a natureza animada, inanimada e divina?
  4. d) E a Ciência, o que nos pode dizer acerca da situação do Homem, face aos inúmeros, complexos e velhos problemas que afligem a humanidade? A positividade científica, como deve ela colocar-se ao serviço do bem, da virtude, da paz?

A cumplicidade e solidariedade que devem existir entre a Filosofia, a Ciência e a Educação para os Direitos Humanos, serão, portanto, nesta breve reflexão, o assunto que se tentará desenvolver de uma forma muito singela, recorrendo, naturalmente, a algumas ilustres personalidades da área filosófica, e a uma outra obra, ou a uma outra teoria.

Confessadamente, e desde já, será difícil sustentar uma apologia incondicional do acumular de teorias, sem a passagem à prática das que possam, efetivamente, contribuir para a melhor formação do homem e da sua qualidade de vida.

Por isso, entende-se que o filósofo deve ser mais interventivo na vida concreta, real, quotidiana das pessoas, atuando no terreno, saindo um pouco mais das universidades e das bibliotecas, enfim, descendo da sua “Árvore da Sabedoria” A partir de uma abertura descomplexada, o filósofo terá, certamente, uma nova importância e o estatuto da Filosofia será, seguramente, valorizado como é da mais elementar justiça.

Para alguém se atrever a uma tentativa de definição de Filosofia, terá, no mínimo, de reunir várias qualidades/condições: sabedoria, experiência, maturidade e humildade. Reconheçamos que não congregamos todas aquelas faculdades (ou qualidades), todavia, não deixaremos, como sempre temos feito, ao longo da vida, de recorrer às personagens que julgamos poderem dar satisfação a tão antiga quanto profunda interrogação: O que é, afinal, a Filosofia?

Nós não sabemos, mas, defendemos que se trata de um saber prudente, também crítico, cada vez mais necessário e insubstituível para a resolução dos problemas e dos conflitos que atormentam a humanidade. Sabe a pouco esta ideia, mas não somos capazes de outra mais esclarecedora e convincente.

 

Por Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Portugal

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