Fátima. Fé e Esperança em Maria – 13 maio 2021

Por Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Respeitando as religiões que: cada povo, cada instituição, cada pessoa, professam, e desejando-se igual comportamento, a verdade é que os crentes numa Entidade Divina, têm necessidade de nela acreditar, e a ela recorrer sempre que se encontrem em situações-limite, principalmente quando tudo parece estar perdido, designadamente a saúde e, mesmo os não-crentes, de quando em vez, lá vão proferindo o nome de Deus, ou até de um Santo.

Em Portugal, o mês de maio é muito especial para os católicos, fundamentalmente para aqueles que desde há muito tempo interiorizaram uma Fé e Esperança ilimitadas em Nossa senhora de Fátima, cujas celebração, homenagem e ação de graças têm o seu ponto alto, no dia treze de maio, precisamente no Santuário de Fátima.

A religião faz parte da cultura de um povo e, já em tempos imemoriais, a ela se recorria para os mais diversos fins: recuperar a saúde perdida; receber uma proteção em cenários perigosos, e, por via disso, por exemplo, ainda hoje se assiste ao “cumprimento de promessas” que, por ocasião das guerras, as pessoas imploravam auxílio e proteção, em “troca” da obrigação de um “voto”.

Tal como acontece um pouco por todo o mundo, também em Portugal, ao Santuário de Fátima, acorrem milhões de pessoas todos os anos, imbuídas de profunda Fé e imensa Devoção em Maria, à qual agradecem as Graças que, por sua intercessão, receberam de Deus, relativamente a pedidos que, entretanto, foram feitos para resolver situações que escapam à ciência, à técnica e à tecnologia.

Ousar criticar esta postura dos crentes, poderá revelar uma enorme falta de respeito, uma “pseudo-supremacia” e, provavelmente, um materialismo exacerbado. O contrário, sem dúvida, é, igualmente, inaceitável ou seja: os crentes censurarem os não-crentes, até porque se deve partir do princípio, segundo o qual, a liberdade religiosa é um direito constitucional inalienável, em Portugal.

Quem conhece, e visita regularmente o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, não consegue ficar indiferente: às comoventes manifestações de Fé; às emoções fortíssimas que os crentes, peregrinos de dezenas de países, revelam durante as cerimónias religiosas, em que alguns rituais levam muitas pessoas a entrar em situações incontroláveis: chorar profundamente, desmaios, nomeadamente, enquanto decorre a procissão e depois o recolhimento da imagem à Capelinha das Aparições, sendo significativo o ritual do “Adeus” em que os crentes se despedem da Virgem Santa, acenando com lenços brancos.

Haverá fenómenos que a ciência e a técnica não conseguem explicar, muito menos provar, cabal e inequivocamente, como seja, por exemplo, o “aparecimento” de Nossa Senhora de Fátima, no dia treze de maio de mil novecentos e dezassete, na Cova da Iria, a três pastorinhos, dos quais, um deles, a irmã Lúcia, que faleceu há poucos anos e que terá confirmado aquele evento fantástico.

Quanto a este acontecimento extraordinário, que no corrente ano perfaz um século, comemorando-se, assim, o primeiro centenário das “Aparições de Fátima”, evento que, pela primeira vez, traz a Portugal, Sua Santidade, o Papa Francisco, também ele, com a sua superior inteligência, bom-senso e bondade, porém, como peregrino, conforme é seu desejo, porque é nessa qualidade que visitará o Santuário de Nossa Senhora de Fátima.

Naturalmente que se compreende, e se respeita, que tanto a ciência como a técnica, e os não-crentes, desvalorizem ou até o neguem, com argumentos de “ilusão ótica” ou “fenómenos meteorológicos”, mas também não teremos o direito de desmentir quem realmente sempre afirmou ter ocorrido, havendo, inclusivamente, prova testemunhal, os pastorinhos, e documentação escrita a este propósito.

Ninguém se deve sentir envergonhado, complexado ou ter qualquer preconceito em manifestar a sua devoção e crença em Nossa Senhora de Fátima, como também não assiste o direito, aos não-crentes e de outras religiões, de ridicularizarem e humilharem as pessoas que têm Fé e Esperança em Maria.

Refere o provérbio popular que: “A Fé é que nos salva”, não só a fé enquanto acreditar num desfecho favorável para uma situação incómoda, ou no êxito de um projeto, mas também a Fé religiosa, que no espírito dos crentes prevalece como uma oportunidade de solução, eventualmente para o mesmo problema que o não-crente está a viver e, então, dir-se-ia que tudo não passa de uma questão de perspetiva.

Tanto quanto se julga saber e, relativamente ao que a ciência e a técnica têm evoluído, a verdade é que o ser humano tem caraterísticas inefáveis que, provavelmente, nenhum outro animal possui. A dimensão espiritual, por exemplo, sempre esteve presente na pessoa humana, que por sua vez, e na maior parte dos indivíduos, remete para a crença e prática religiosas.

Realmente, somos diferentes, somos seres superiores, pelo menos em relação aos restantes animais conhecidos. Construímos, praticamente, tudo o que necessitamos para o nosso bem-estar, naturalmente com as limitações que a Força da Natureza nos impõe e também porque, é bom reconhecer, ainda não somos perfeitos, nem sequer totalmente autossuficientes, mas caminhamos para alcançar objetivos que nenhum outro ser terrestre conseguirá.

A religião é uma prerrogativa do ser humano crente, embora os não-crentes, reconheçam esta dimensão, contudo, sem a praticar. Ser moderadamente religioso, crente, ter Fé e Esperança, num Ente Divino, não fará mal a ninguém, pelo contrário, talvez possibilite viver-se com alguma serenidade e, simultaneamente, a esperança de se conseguir a solução para algo que nos possa afligir num dado momento da vida, porque todos nós, experienciamos altos e baixos na nossa existência.

Nenhuma outra atividade, nem mesmo as desportivas, move tantas pessoas como a Religião em geral e, a Fé e a Esperança em Nossa Senhora de Fátima, a cujo Santuário, em Fátima, num só dia podem acorrer mais de meio milhão de fiéis, o que, de alguma forma, revela que quanto tudo falha, nomeadamente a ciência, a técnica e a tecnologia e outros meios menos “claros” ou, se se preferir, “esotéricos”, as pessoas se voltam para Maria e lhe “imploram”, ajuda e proteção.

Como seria bom que, entre os limites da ciência e da religião, a humanidade se entendesse para: o desenvolvimento, o trabalho, a justiça social, o amor, a felicidade e a paz. Acredita-se que entre a ciência e a religião, não haverá incompatibilidades, talvez, ainda, alguns “complexos”, algumas reticências em aceitar a religião como mais um “veículo” para a humanidade viver melhor.

Naturalmente que nenhuma destas dimensões, eminentemente humanas, pode ser radicalizada, fanatizada, pretendendo: uma, ser superior à outra, porque quando se envereda por posições extremadas, normalmente, o resultado é mau para as pessoas, gerando-se e alimentando-se conflitos, guerras e outras situações que atingem vítimas humanas inocentes, que nunca tiveram nenhum envolvimento nas causas que deram origem às contendas bélicas.

A intercessão de Maria é, portanto, tão necessária e compreensível como outros “expedientes” a que muitas pessoas “recorrem”. Com Ela, com Maria, porém, existe sempre a possibilidade de “conversarmos”, orarmos e pedirmos apoio e resguardo, com Fé e Esperança, de que poderemos ser “atendidos”, embora nem sempre assim se verifique.

Neste treze de maio, saudemos, oremos e agradeçamos a Nossa Senhora de Fátima, para que haja paz no mundo, para que proteja os milhões de migrantes, refugiados, expatriados e toda a sorte de pessoas fragilizadas, marginalizadas e perdidas no rumo da existência errática, devido às vicissitudes da vida, do desequilíbrio de milhares de indivíduos, alienados pelos fanatismos: políticos, religiosos, económicos, financeiros, estratégicos e bélicos, entre outros.

É essencial que tenhamos Fé e Esperança em Nossa Senhora de Fátima, Maria, Mãe de Jesus, para que possamos ajudar a encontrar as melhores soluções para acabar: com as injustiças, com as perseguições, com a dor e sofrimento e, todos juntos, consigamos ter uma vida, verdadeiramente digna da pessoa humana.

 

Por Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
NALAP.ORG

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