Estratégias de Comunicação

Por Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Todas as comunicações humanas apresentam dificuldades que os interlocutores procuram, por vezes, resolver e, outras vezes, complicam:
a) Um primeiro problema, que se coloca, é que em todas as comunicações humanas ninguém imagina que há dificuldade quer se esteja a conversar com uma pessoa, ou com um grupo, porque todos pensam, com demasiada frequência, que as pessoas não só ouvem o que se diz, mas também entendem, concordam e agem de acordo com o que ouviram, exatamente da maneira que se pensa que o deviam fazer;
b) Uma outra dificuldade é que os indivíduos, de uma maneira geral, não são muito bons ouvintes, realmente a escutar, quando alguém fala com eles e depois a entender, corretamente, o que ouvem;
c) É importante, e contribui para o êxito comunicacional, o domínio e compreensão de três técnicas das comunicações: «Audição eficiente; interpretação da linguagem corporal – a arte de ver o que as outras pessoas estão a pensar; apresentação eficiente». (LIDSTONE, 1994:16).
É pela fala que se procura afirmar a vontade individual, os pontos de vista de cada um e a própria autoridade, enquanto que a audição é, geralmente, considerada uma atitude passiva, e/ou de concordância e, como refere o adágio: “Quem cala, consente”.
Em geral, as pessoas que são boas a ouvir, tendem a ser boas a comunicar com eficiência, por exemplo, nos contactos com a Comunicação Social, é fundamental utilizar-se uma comunicação eficaz, justamente, através de uma escuta ativa, até porque: «Quando falamos sentimos que controlamos os acontecimentos ou situações. Todavia, quando falamos, embora possamos satisfazer as nossas próprias necessidades, não consideramos as necessidades dos outros. Na verdade, quanto mais falamos menos aprendemos». (Ibid.:18).
A comunicação eficiente é, por vezes, prejudicada, por situações que, genericamente se consideram como barreiras à eficácia comunicativa, destas se destacando:
a) A velocidade com que o ser humano fala;
b) Distrações exteriores, tais como: fadiga, desconforto pessoal, ruídos diversos, demasiado conforto, mensagens indecifráveis;
c) Interpretação e distorção – ambiente cultural e educacional de quem fala e, na mente do ouvinte, a linguagem pouco precisa de quem a usa, ideias preconcebidas, suposições sobre o que ouvimos;
d) Barreiras pessoais, desde logo a partir dos próprios preconceitos, conversas e vocabulário que desinteressa o ouvinte ou provocam neste, irritação e sentimentos de repulsa;
e) Má audição, por razões de interferência das barreiras enunciadas, pode provocar graves danos, como por exemplo: erros ortográficos, de construção e de sentido da frase.
A importância dada ao ouvinte atencioso, significa um grande contributo para que a comunicação humana seja proveitosa, para os interlocutores envolvidos. Em certas situações, bem específicas, mais importante do que falar é ouvir, todavia, nem todas as pessoas têm bem apurada esta faculdade, não no sentido patológico, antes na perspectiva cultural, educacional e técnica.
Afigura-se, portanto, necessário, indicar algumas técnicas para uma boa audição, tais como:
a) Domínio completo sobre a atenção consciente e concentrada no assunto que se está a abordar;
b) Evitar distrações, principalmente, em relação a outras conversas, barulhos de trânsito, propaganda sugestiva, toques e conversas telefónicas, no local onde decorre o diálogo;
c) Prestar atenção fisicamente à pessoa que fala, permanecendo-se de frente para ela, mantendo-se um bom contacto visual;
d) Prestar atenção psicologicamente a quem fala, o que se está a dizer, procurar ouvir bem o tema central de quem fala, manter um espírito aberto e não tirar conclusões precipitadas, ignorar o vestuário de quem fala, a voz, o penteado, o sexo, a etnia e a apresentação, eventualmente pobre; prestar atenção aos filtros emocionais;
e) O que está e como está a ser dito determinado tema, atendendo ao modo como a pessoa fala, e transmite as suas ideias, incluindo os movimentos físicos que faz enquanto fala;
f) O que não está a ser dito, procurando-se ler/entender o sentido do que está omisso, e descodificar a designada «Agenda Escondida».
Em todo o caso, não será conveniente uma demasiada concentração naquilo que não se está a dizer, porque pode provocar reações desfavoráveis. A postura mais adequada será a audição interativa, através do contacto visual com a pessoa que fala, gestos corporais que evidenciam interesse e concentração, expressões de encorajamento para quem fala.
A boa estratégica sugere alguns cuidados a observar: «Como os nossos hábitos de audição se desenvolvem mais por acaso do que por treino, muitos de nós somos ouvintes pouco ou nada eficientes. Encontros bem-sucedidos com a imprensa dependem do domínio que possuirmos sobre os factos. Quando estivermos a ouvir é preciso: estar atento fisicamente; estar atento psicologicamente ao que se está a dizer, à maneira como se diz e ao que não se está a dizer». (Ibid.:25)

Bibliografia

LIDSTONE, J. (1994). Como Lidar com os Media: Como Gerir as Entrevistas para a Televisão, Rádio e Imprensa. Tradução, Francisco de Oliveira Faia, Mem Martins: CETOP – Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância.

 

Por Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Professor Universitário, Escritor, Mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea.
Blog Pessoal: http://diamantinobartolo.blogspot.com

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