Cátedras Camões: chegamos hoje às 50!

Por Augusto Santos Silva

Uma das missões fundamentais do Instituto Camões é a promoção internacional do ensino da língua portuguesa.

Fá-lo através de vários instrumentos, como a rede de Ensino Básico e Secundário em 17 países, dirigida às crianças e adolescentes oriundos das comunidades lusodescendentes, assim como de outros países de língua portuguesa; o apoio aos sistemas escolares que oferecem no seu currículo o português como língua estrangeira; os leitorados e protocolos com departamentos universitários um pouco por todo o Mundo, que garantem estudos superiores sobre a nossa língua e as literaturas e culturas que nela se exprimem.

As cátedras Camões inserem-se neste último plano. Integradas em universidades e sob sua responsabilidade académica, elas reúnem num mesmo quadro as funções de ensino, investigação e difusão cultural. Professores, investigadores e estudantes de licenciatura e pós-graduação trabalham em conjunto sobre a língua e a literatura, promovendo-a nas respetivas instituições e nações. E assim se reforça o estatuto do português como língua de cultura e de ciência.

Hoje inaugura-se, na Universidade de Sófia, capital da Bulgária, a cátedra José Saramago, que será a 50.ª unidade da rede de cátedras do Instituto Camões. Elas distribuem-se por 20 países, em quatro continentes. Os países de mais forte tradição de estudos portugueses encontram-se, naturalmente, em lugar de destaque: 12 cátedras situam-se em Itália, seis no Brasil, cinco em França, outras cinco no Reino Unido, quatro em Espanha, três na Alemanha. Escolhemos figuras cimeiras da literatura e cultura nacional para seus patronos, de Eça de Queirós a Fernando Pessoa, de Manoel de Oliveira a Eduardo Lourenço, de Vergílio Ferreira a Sophia, de Carlos de Oliveira a Manuel Alegre, assim como figuras históricas (como D. João II), ou grandes estudiosos e divulgadores (como Lindley Cintra ou Solange Parvaux).

O número de cátedras tem aumentado. Entre 2015 e 2019, passou de 39 para 50. E vai continuar a aumentar: a próxima será em Marrocos. Este esforço, que permite alargar a geografia da investigação académica sobre o português (do México à Polónia, da Colômbia à Índia, dos Estados Unidos a Moçambique), é largamente compensador. Com o apoio financeiro, o enquadramento institucional e a capacidade de ligação em rede, que o Instituto Camões assegura, obtém-se um significativo efeito multiplicador nesta dimensão central da afirmação internacional da língua e da cultura, que é a universidade. Vai-se progressivamente constituindo uma comunidade global de professores e investigadores, que fazem avançar o conhecimento em áreas disciplinares tão diversificadas como as artes e o património, as migrações e a interculturalidade, o ensino e a tradução, a linguística e a análise literária, a história e os estudos pós-coloniais.

Esta é a principal força, mas também a indeclinável responsabilidade da rede de cátedras Camões. Por isso, se hoje é dia de festa, porque chegamos às 50, é também dia de trabalho, para consolidarmos e expandirmos este instrumento de promoção da nossa língua.

 

Por Augusto Santos Silva
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal em artigo no Jornal de Notícias

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