Portugal investiu 11 milhões nas vacinas da gripe, mais que o dobro do ano passado

Da Redação
Com Lusa

O Estado português investiu este ano mais de 11 milhões de euros em vacinas contra a gripe para serem dadas gratuitamente a grupos de risco no SNS, mais do dobro do que na época gripal passada.

Os números foram revelados pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, recordando que este ano pela primeira vez estarão disponíveis em Portugal vacinas tetravalentes, que funcionam para quatro tipos de vírus da gripe (dois do tipo A e dois do tipo B). Até aqui, as vacinas eram no máximo trivalentes e cobriam três tipos de vírus.

A vacina tetravalente faz aumentar a probabilidade de o conteúdo da vacina coincidir com os vírus que vão circular e há a expectativa de a vacina ser mais efetiva e cobrir mais hipóteses de variação do vírus da gripe em circulação, como explicou Graça Freitas à margem da reunião de vigilância da gripe que decorreu no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa.

O investimento do Estado para ter 1,4 milhões de doses de vacinas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi este ano de 11,3 milhões de euros, quando no ano passado tinha sido de 4,8 milhões para o mesmo número de vacinas.

“O Estado investiu muito para este suposto ganho em saúde (…). Vamos acompanhar o benefício em termos de menos casos de gripe, gripe menos grave, menos internamentos e menos morte [decorrentes] desta nova vacina. Neste momento é um investimento, supostamente esse investimento vai ter retorno”, afirmou a diretora-geral da Saúde.

Além das vacinas disponíveis para administrar gratuitamente no SNS a pessoas nos grupos de risco (como idosos ou alguns doentes crónicos), haverá ainda mais de 600 mil doses nas farmácias e que podem ser compradas mediante receita médica.

Ao todo, Portugal terá cerca de dois milhões de doses de vacinas contra a gripe, que começam a estar disponíveis a partir de segunda-feira, sendo a quantidade que “se estima que seja a suficiente e necessária de acordo com o padrão em todo o mundo em termos de vacinação”.

As vacinas para as pessoas que não são dos grupos de risco, que têm a vacina gratuita no SNS, podem ser compradas nas farmácias mediante receita médica e com uma comparticipação de 37%.

No SNS a vacina é gratuita para os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos, para pessoas residentes ou internadas em instituições, para pessoas com algumas doenças definidas, como doença pulmonar obstrutiva crônica, para profissionais de saúde do SNS e para os bombeiros.

A autoridade de saúde recomenda a vacinação aos profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, incluindo os bombeiros, recordando que têm “maior probabilidade de exposição e de transmissão da gripe a pessoas com maior risco de complicações”.

Fora do grupo para vacinação gratuita mas em que a vacina é muito recomendada, estão por exemplo as grávidas ou as pessoas entre os 60 e os 64 anos.

Quanto às crianças, a diretora-geral da Saúde explica que a vacina só tem elevada recomendação quando há doença crônica associada, como diabetes ou asma.

Nas crianças saudáveis, apesar de vulneráveis à doença e de serem grandes transmissoras, a gripe tem geralmente um quadro benigno, segundo a diretora-geral da Saúde.

Mortes por gripe

Mais de três mil pessoas teriam morrido em Portugal devido à gripe na época passada, e o frio contribuído para a morte de quase 400 pessoas, num período de intensidade gripal moderada.

Os dados constam do relatório do Programa Nacional de Vigilância da Gripe na época 2018/2019, apresentado pelo Instituto Ricardo Jorge, que indica uma baixa dos números da mortalidade atribuída à gripe, para 3.331, contra 3.700 na época 2017/2018.

“Durante a época de gripe 2018/2019 o número de óbitos atribuíveis à gripe e às temperaturas baixas extremas foi estimado, respetivamente, em 3.331 e 397 óbitos”, refere o relatório do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.

No último inverno, o número de mortes por todas as causas esteve acima do esperado entre janeiro e fevereiro (semanas 2 e 7 de 2019), quando ocorreu um excesso de óbitos de 2.844 em relação ao esperado. “Durante o período de excesso de mortalidade ocorreram dois eventos que podem explicar este aumento do risco de morrer. Nomeadamente, a epidemia de gripe sazonal cujo período epidémico decorreu entre as semanas 01/2019 e 09/2019, com um pico na semana 03/2019, e períodos com temperaturas mínimas abaixo do normal nos meses de janeiro e fevereiro de 2019”, explica o relatório.

Ainda assim, a atividade gripal na época passada foi considerada “moderada”.

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