Ordem dos Médicos pede abertura urgente de processo disciplinar contra obstetra de Setúbal

Da Redação
Com Lusa

O bastonário da Ordem dos Médicos declarou nesta sexta-feira que seguia com apresentação de queixa ao Conselho Disciplinar do Sul sobre o caso do bebê que nasceu em Setúbal com malformações, solicitando “com urgência a abertura de um processo”.

“Nós tomamos conhecimento das queixas sobre o médico [quinta-feira] quando foram divulgadas as notícias das queixas que já existiam e da queixa atual. Queixa atual que não chegou ainda à Ordem dos Médicos, ou seja, não houve ainda da parte da família uma queixa para o Conselho Disciplinar da Ordem. Ainda assim não é preciso a família apresentar a queixa. Hoje mesmo vou solicitar com urgência a abertura de um processo a nível do Conselho Disciplinar”, disse o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, em conferência de imprensa na sede da instituição, em Lisboa.

A conferência de imprensa foi convocada para prestar esclarecimentos sobre o caso do bebê nascido em Setúbal com malformações no rosto – sem nariz, sem olhos e com parte do crânio em falta – e que envolvem o médico obstetra Artur Carvalho, que, confirmou a Ordem, tem cinco processos disciplinares em aberto no Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos, ao qual se vai juntar um sexto processo relativo a este caso.

Também o Ministério Público abriu inquérito ao caso do bebê que nasceu em Setúbal com malformações graves por não terem sido detectadas durante a gravidez.

O caso foi noticiado na quinta-feira pelo jornal Correio da Manhã. O bebê em causa nasceu dia 07 de outubro no Hospital de São Bernardo sem olhos, nariz e parte do crânio, depois de a mãe ter realizado ecografias com um obstetra numa clínica privada em Setúbal com o médico Artur Carvalho.

De acordo com o Correio da Manhã, os pais do bebê fizeram três ecografias com o médico em causa, sem que lhes tivesse sido reportada qualquer malformação.

Só num exame feito noutra clínica, uma ecografia 5D, os pais foram avisados para a possibilidade de haver malformações. Questionaram o médico que os seguia, que lhes garantiu que estava tudo bem, conta o jornal, citando a madrinha do bebê.

As complicações só foram detetadas depois do parto e os pais apresentaram queixa ao Ministério Publico contra o médico. Entretanto, o Correio da Manhã relata que o Hospital de São Bernardo abriu um inquérito para averiguar este caso.

O mesmo médico já esteve envolvido em 2011 num processo idêntico, em que nasceu um bebê com malformações graves. Na altura, o Ministério Público decidiu investigar, mas o caso acabou arquivado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto:

Send this to a friend