OMS: Mulheres vivem mais do que homens em todos os lugares do mundo

Da Redação

As mulheres vivem mais do que os homens em todos os lugares do mundo, sobretudo em países de alto rendimento. A conclusão é do relatório Estatísticas de Saúde Mundiais, publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sobre a primeira pesquisa que apresenta dados distinguidos por gênero, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que “dividir os dados por idade, sexo e grupo de rendimento é vital para entender quem está sendo deixado para trás e por quê.”

Segundo ele, a função dos decisores políticos é “usar estes dados para tomar decisões políticas baseadas em fatos que nos aproximem de um mundo mais saudável, seguro e justo para todos.”

Segundo a pesquisa, a diferença entre a expectativa média de vida de homens em relação às mulheres é menor onde as mulheres não têm acesso a serviços de saúde.

Em países de baixo rendimento, onde os serviços são mais escassos, uma em 41 mulheres morre por causas relacionadas com a maternidade, em comparação com uma em 3.300 em países de alto rendimento. Em mais de 90% dos países de baixo rendimento, há menos de quatro enfermeiras e parteiras por cada mil pessoas.

Atitudes
As atitudes para com os cuidados de saúde também diferem de acordo com o gênero. Perante a mesma doença, os homens muitas vezes procuram menos cuidados de saúde do que as mulheres.

Em países com epidemia generalizada de HIV, por exemplo, os homens têm menor probabilidade de fazer o teste, de ter acesso à terapia antirretroviral e mais propensos a morrer de doenças relacionadas. O mesmo acontece com pacientes de tuberculose.

O relatório também destaca diferenças nas causas de morte entre homens e mulheres.

Das 40 principais causas de morte, 33 contribuem mais para reduzir a expectativa de vida em homens do que em mulheres. Em 2016, a probabilidade de uma pessoa de 30 anos morrer de uma doença não transmissível antes dos 70 anos de idade era 44% maior em homens do que em mulheres.

No mesmo ano, as taxas globais de mortalidade por suicídio foram 75% mais altas em homens do que em mulheres. As taxas de mortalidade por acidentes de trânsito são duas vezes mais altas em homens e as taxas de mortalidade por homicídio quatro vezes maiores.

A nova pesquisa é publicada dias antes do Dia Mundial da Saúde, marcado no domingo, 7 de abril. O tema deste ano é cuidado primários como base da cobertura universal de saúde.

Ghebreyesus disse que uma das metas da agência é que “mais 1 bilhão de pessoas tenham cobertura universal de saúde até 2023.”

Para ele, isso “significa melhorar o acesso a serviços, especialmente nas comunidades, e garantir que esses serviços sejam acessíveis, acessíveis e eficazes para todos, independentemente do gênero.”

A diretora-geral assistente de dados da OMS, Samira Asma, afirmou que “estas estatísticas destacam a necessidade de dar prioridade urgente a cuidados primários de saúde.”

A especialista deu o exemplo de algo simples como controlar a pressão arterial, dizendo que “não está acontecendo na escala necessária”, e que o uso do tabaco continua sendo a principal causa de morte prematura.

Progressos
Entre 2000 e 2016, a esperança média de vida em todo o mundo aumentou 5,5 anos, de 66,5 para 72 anos. A expectativa de vida saudável, o número de anos que se pode esperar viver em plena saúde, aumentou de 58,5 para 63,3 anos.

Estes valores continuam sendo muito influenciados pelo rendimento. Nos países de baixo rendimento, a expectativa de vida é 18,1 anos mais baixa que nos países de alto rendimento. Nos países menos desenvolvidos, uma criança em cada 14 morre antes de completar cinco anos.

A OMS afirmou, no entanto, que muitos países ainda têm dificuldades em reunir estes dados desagregados por gênero.

O principal autor do relatório, Richard Cibulskis, disse que “o fecho destas lacunas de dados deve ser acelerado e é importante para eliminar a desigualdade de gênero.”

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