Número recorde de 168 milhões de pessoas precisarão de ajuda em 2020

Da Redação

Um número recorde de 168 milhões de pessoas em mais de 50 países precisará de ajuda e proteção em crises humanitárias no próximo ano, informa o Panorama Humanitário Global 2020.

Segundo o relatório, serão necessários quase US$ 29 bilhões para esta resposta. A pesquisa foi divulgada esta quarta-feira, em Genebra, pelo Escritório de Assistência Humanitária da ONU, Ocha.

O subsecretário-geral das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse que desastres relacionados ao clima, surtos de doenças infecciosas e conflitos devem aumentar em 22 milhões o número de pessoas que precisarão de ajuda no ano que vem.

Segundo Lowcock, “isso representa cerca de uma pessoa em cada 45 que vive no planeta.” Esse “é o número mais alto em décadas.”

A tendência de aumento deve continuar. Segundo as previsões do Ocha, mais de 200 milhões de pessoas devem precisar de assistência até 2022.

Para 2020, o chefe humanitário disse que a ONU e os seus parceiros, incluindo a Cruz Vermelha e outras organizações não-governamentais “terão como objetivo ajudar 109 milhões das pessoas mais vulneráveis.”

Tendências
Outra realidade preocupante é que conflitos armados “estão matando e mutilando um número recorde de crianças.” Mais de 12 mil foram mortas ou mutiladas em conflitos em 2018. Os números de 2019 ainda não são definitivos, mas devem ser maiores do que no ano anterior.

Mulheres e meninas também correm maior risco de violência sexual e de gênero do que no passado. Em áreas de conflito, uma em cada cinco pessoas sofre com transtornos de saúde mental.

Em relação a 2019, Lowcock disse que mais comunidades foram afetadas por conflitos do que a agência tinha previsto. O mesmo aconteceu com o número de vítimas de eventos relacionados à mudança climática, com secas mais frequentes, inundações e ciclones que afetaram, de forma desproporcional, pessoas pobres e vulneráveis.

O subsecretário-geral disse ainda que, dos 20 países mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas, 13 são Estados-membros para os quais as Nações Unidas já tem apelos humanitários ativos.

Iêmen
Em 2020, o Iêmen continuará sendo a maior crise humanitária.

Cinco anos depois do início do conflito, o número de pessoas necessitadas deve ser semelhante ao deste ano, cerca de 24 milhões de pessoas, ou 80% da população. O apelo humanitário para o país é de US$ 3,2 bilhões.

Unicef estima que mais de 200 mil crianças em Moçambique devem ter falta de alimentos em fevereiro Desastres naturais, como os ciclones que atingiram Moçambique no início de 2019, são uma das principais causas do aumento do número de necessitados.

O Panorama Humanitário detalha ainda o financiamento necessário para outros Estados-membros com conflitos, como Afeganistão, onde são precisos US$ 732 milhões para alcançar 9,4 milhões de pessoas, e Burundi onde US$ 104 milhões devem permitir ajudar 1,7 milhão de pessoas.

São ainda pedidos US$ 520 milhões para 4,1 milhões de iraquianos, US$ 3,3 bilhões para 11 milhões de sírios e US$ 388 milhões para auxiliar 2,6 milhões de pessoas na República Centro-Africana.

Venezuela
Na Venezuela, será preciso US$ 1,35 bilhão para ajudar 3,8 milhões de pessoas. Lowcock disse que, no país da América Latina, “as necessidades estão superando substancialmente os recursos.”

O apelo representa um “aumento substancial da assistência humanitária aos venezuelanos” que continuam no país. Além disso, permitirá duplicar a assistência para os cerca de 5 milhões de pessoas que já deixaram o país.

Ataques
Lowcock destacou ainda um crescente desrespeito pelo Direito Internacional Humanitário em áreas de conflito. Nos primeiros nove meses de 2019, foram registrados cerca de 800 ataques contra profissionais de saúde e hospitais.

Na área da saúde, o aumento inesperado de surtos de doenças infecciosas também teve influência no aumento das necessidades para níveis sem precedentes.

Segundo Lowcock, “na África, nos primeiros três meses deste ano, houve 700% mais casos de sarampo do que no mesmo período do ano passado.” Apenas na República Democrática do Congo, o surto causou mais de 5 mil mortes desde janeiro.

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