Lisboa recebe Conferência internacional sobre migrações

Mundo Lusíada
Com Lusa

O diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM), António Vitorino, é o principal orador da sexta edição do Fórum Luso-Alemão, dedicado este ano às migrações internacionais, que acontece em Lisboa.

A iniciativa, sob o tema “Perspectivas das Migrações: Ação política e participação cívica” e organizada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros português e alemão, Academia Europeia de Berlim, Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e Observatório da Emigração, conta com a participação de especialistas nacionais e internacionais na área das migrações.

Além da intervenção de António Vitorino, a conferência traz dois painéis: O Desafio Global e A Resposta Europeia.

No primeiro painel, sobre o desafio global colocado pelas migrações, participam Francesco Vacchiano, do Instituto de Ciências Sociais, Irena Vojackova-Sollorano, coordenadora-residente das Nações Unidas na Turquia, e Michelle Amedeo, da Comissão Europeia.

Lucinda Fonseca, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, João Peixoto, da Lisbon School of Economics and Management e o embaixador Thomas Ossowski, representante especial para as políticas da UE, do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, preenchem o segundo painel, dedicado à resposta europeia à questão das migrações.

O programa da conferência inclui ainda uma troca de experiências luso-alemã quanto à resposta da sociedade civil nas migrações, em que participam Vasco Malta, do Alto Comissariado para as Migrações, Dina Moreira, assessora da Câmara Municipal da Amadora, pelo lado português, e Andreas Buttner, secretário de Estado do Ministério do Trabalho, Assuntos Sociais e Saúde, Mulher e Família, do Estado de Brandenburgo, e Hatice Akyun, jornalista, pelo lado alemão.

Percepção de invasão

Em entrevista à Lusa, Vitorino defendeu que a percepção negativa que a opinião pública tem dos migrantes é um dos principais problemas que a Organização Internacional das Migrações enfrenta atualmente.

“É preciso lidar com a percepção de que estamos a assistir a uma invasão”, defendeu António Vitorino na conferência em Lisboa.

Segundo referiu, a tendência para migrar tem vindo a aumentar e vai continuar a crescer, sendo que “60 a 70% dos migrantes não passam as fronteiras de forma legal”.

No entanto, sublinhou o responsável da Organização Internacional para as Migrações, “80% dos africanos que migram fazem-no para outro país africano”.

Estes números são uma demonstração de que “a percepção, sentida muito na Europa, de que estamos a lidar com uma invasão do Sul para o Norte está muito longe da realidade”, afirmou.

O Norte do planeta enfrenta as mesmas dificuldades no que concerne às ondas de migração que o Sul, garantiu António Vitorino, lembrando os graves problemas nesta área enfrentados por países como o Quénia, a Nigéria, o México ou a Venezuela.

O sentimento de rejeição que se estendeu a todo o mundo provém, de acordo com António Vitorino, de dois fatores: o 11 de setembro nos Estados Unidos, que levou as pessoas a associarem a migração ao terrorismo, e a onda de migrantes de 2015, quando só a Alemanha recebeu cerca de um milhão de pessoas.

“Sejamos francos. Nos anos 90 também tivemos cerca de um milhão de pessoas a migrarem para a Europa por causa do desmembramento da Jugoslávia” e, na altura, a reação “foi completamente diferente”, lembrou.

“O que foi diferente é que, certo ou errado, a opinião pública teve a percepção de que os governos perderam o controle”, explicou.

A mudança desta percepção vai depender muito das forças que estiverem no Parlamento Europeu, depois das eleições, e do exemplo dado por países moderados em relação aos migrantes, como são os casos de Portugal e da Alemanha, defendeu Vitorino, instando os políticos a deixarem de “ser tímidos”, já que “estão em causa princípios e valores fundamentais”.

O encerramento do evento é feito pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, pelo embaixador da Alemanha, Christof Weil, e pela vice-reitora para a Internacionalização do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, Maria das Dores Guerreiro.

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