Lisboa discute jornalismo de investigação

Por Ígor Lopes De Lisboa, para Mundo Lusíada

Divulgação

O Museu da Comunicação, em Lisboa, foi palco do primeiro Congresso Internacional de Jornalismo de Investigação e Novos Meios Tecnológicos, no dia 7 de Novembro. O evento contou com a presença dos jornalistas Don Hale, do Reino Unido, Mark Briggs, dos Estados Unidos, e dos portugueses, Ricardo Fonseca e Manso Preto.

A presença de dois grandes nomes do jornalismo internacional foi o mote para atrair dezenas de profissionais, professores e estudantes de jornalismo. Segundo a sua organização, o objetivo do congresso foi “chamar a atenção para a importância da investigação jornalística séria e credível”. Uma das propostas foi incentivar os jornalistas portugueses, os professores e os estudantes de comunicação social a refetir sobre a problemática do jornalismo na vertente da investigação apoiados pelas novas teconologias.

Um dos oradores mais aguardados foi Don Hale. Este jornalista de investigação foi vencedor do prêmio da liberdade internacional atribuído pelo governo britânico. Hale é conhecido pela sua investigação jornalística, de mais de oito anos, que veio a provar a inocência de Stephen Downing, condenado por homicídio e preso durante 27 anos. O caso foi transformado em série de televisão pela BBC. Na altura, este profissional recebeu o prêmio de melhor jornalista britânico e melhor campanha de investigação do ano, na Grâ-Bretanha.

Don Hale falou sobre os caminhos da investigação, lembrando que as ameças fazem parte dessa profissão. “Fui alvejado, atropelado e ameaçado. Trabalhei sob disfarce em alguns casos. As pessoas não gostam de jornalista de investigação”, conta. Uma das grandes questões do insucesso da investigação no jornalismo é o fato dos diretores dos órgãos de comunicação não dedicarem muito tempo a esse assunto. “Não fui apoiado pelo jornal onde trabalhava durante o caso Downing. Fui inclusive ameaçado de despedimento”, recorda Hale.

Já Mark Briggs, autor do livro “Journalism 2.0: How to survive and thrive in the digital age”, falou sobre a importância da tecnologia no panorama jornalístico no mundo.

Especialista em notícias interativas, Briggs liderou as operações on-line no The Herald, como administrador de conteúdos, chefe de equipe e diretor da New Media. Durante esse período, o The Herald recebeu vários prêmios de inovação on-line.

Para este profissional, a internet veio ajudar a promover o jornalismo. Com o advento dos novos meios tecnológicos, surgem novos conceitos na profissão, que passam por, segundo Briggs, transparência, autenticidade e colaboração. “Há ainda o surgimento de novas ferramentas sociais, como o facebook, myspace, hi5 ou orkut, que podem ser fontes de histórias fantásticas para o jornalismo”, acredita o jornalista americano.

Para defender o caso português de investigação, o jornalista Ricardo Fonseca, da revista generalista Visão, foi autor de uma das melhores apresentações do dia. Esbanjando experiência, Ricardo alertou para o fato de que para caminhar no jornalismo de investigação é preciso digerir ameaças e a dificuldade de ter acesso à fontes de informação preciosas e a documentos confidenciais.

Para o jornalista, é preciso haver, por parte do profissional de comunicação social, muita paciência e intuição. “O jornalista deve ir ao encontro da história. Sair da redação e conhecer quem são as suas fontes e quais são os seus objetivos é fundamental”.

Ricardo Fonseca fez já reportagens sobre os mais diversos temas, desde o fenômeno das máfias de Leste à construção ilegal ao longo da costa portuguesa. Ricardo trabalha com temas ligados à justiça, crime e segurança.

Manso Preto foi o primeiro jornalista em Portugal a ser condenado por se recusar a revelar as suas fontes. Autor do livro “Minho Connection”, este jornalista de investigação free-lancer diz-se desmotivado com a situação da investigação em Portugal.

“Tive o meu carro destruído no seguimento de um caso de entorpecentes que eu divulguei numa revista. Tive inclusive de mudar de casa”, afirma Mando Preto, que recorda que não pode haver investigação sem a garantia das fontes e que, em Portugal, é impossível fazer investigação com as leis atuais”, finaliza.

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