Entrevista: Roberto Leal fala do problema de saúde e porquê resolveu se candidatar por SP

Por Odair Sene

Pela primeira vez na Adega da Lusa, Roberto Leal disse ao Mundo Lusíada que achou o ambiente “maravilhoso” e que lhe trouxe sentimentos especiais: “Essa visita me trouxe coisas maravilhosas, isso é como uma camisa ou um perfume que você gostas muito e não usa, então o que eu fiz hoje, foi um exercício de estar com as pessoas com aqueles mesmos olhares, mesmos cheiros, os mesmos aromas, aquelas coisas que nos traz à nossa terra, e são essas coisas que não podem desaparecer”, disse ele que ficou emocionado e contente por estar ali.
Roberto Leal passou sua mensagem política, sutilmente, dizendo apenas que “vamos nos unir, vamos fazer o que Deus quiser, se Deus não quiser, nós não vamos fazer”, disse afirmando que não quer ser deputado por ser, apenas, se dizendo realizado na carreira de cantor, ele acha que precisa fazer alguma coisa que talvez sendo deputado, ele consiga fazer.
Perguntado sobre sua entrada numa área movida pela corrupção, coisa que poderia até manchar sua imagem, Roberto Leal respondeu que “o ato é de quem pratica”, e justificou: “Na minha carreira eu passei por muitos testes, passei pelas pessoas mais drogadas, pessoas que cheiravam, pessoas que mais tinham problemas, e aqui estou sem lesões, é a mesma coisa que a corrupção na política, quem nasceu corrupto será corrupto na política, no comércio, vai ser numa igreja, em qualquer lugar que se encontre. Quando você tem Deus no coração, tem filtro, você pode estar em qualquer parte, o que a gente precisa, é não ficar só jogando pedra, é o que nós fazemos a maioria das vezes”, disse ele lembrando do atentado sofrido pelo candidato jair Bolsonaro, como sendo um ato de violência terrível, “que faz mal até para gente mais incrédula”, disse, falando que a corrupção será vencida porque “o bem sempre venceu o mal”.
Roberto Leal disse que quando começou a cantar, lá pelo ano de 1962/63, era quase palavrão, o bonito era cantar a música inglesa, americana, italiana e francesa: “mas eu disse, não, eu sou isso, e se eu conseguir, vai ser a bandeira que eu vou hastear, se eu não conseguir, ao menos eu tentei, o covarde é aquele que não vai para a batalha e morre sem ter tentado ganhar a batalha, essa a minha forma de estar”, disse.
Esta noite na Lusa o cantor também fez questão de esclarecer sobre rumores de que estaria deixando os palcos e por isso estaria entrando na política. “Que nem falem isso, eu não vivo sem a música, o que eu recebo [do público] eu levo comigo, você viu quanto amor, quanto carinho, como é que vou viver sem isso?”, disse reforçando a ideia de poder unir aquilo que faz artisticamente com a atividade política.

A doença. O tratamento de câncer. A volta por cima
Segundo o próprio Roberto Leal, esta foi a primeira vez que ele falou publicamente (numa entrevista) sobre o pior problema de saúde que já teve de enfrentar na vida. Depois de quase morrer, o cantor disse que viu pessoas sofrendo e ele próprio foi desacreditado.
“Depois de um ano e meio que eu fiz de tratamento, que estive mais do lado de lá do que do lado de cá, eu fiz três operações de câncer, é a primeira vez que estou falando nisso, e falo porque sei da sua decência, e sei que você vai publicar o que estou falando. E quando eu corri os hospitais, eu vi gente morrendo nos corredores, gente sem remédios, gente sem médico, sem leito, gente sem nada, desnudada, completamente só; eu disse: se Deus me der saúde, e se Deus me permitir que eu fique neste mundo, toda verba que eu tiver, que Deus permitir, eu investirei na saúde, é essa a razão maior, porque todo mundo sabe que meu pai foi cego, e a partir daí é muito forte tudo que passei”, disse ele revelando que não contou a metade, mas um dia vai contar.
“Só quero te dizer que eu estive muito mais do lado de lá do que do lado de cá, e por alguma razão Deus me deixou, e eu prometi para mim, se eu ficar de pé, se Deus me der saúde, eu vou me candidatar, exatamente para poder fazer algo por todas as pessoas que sofrem e que não tem muitas coisas que eu tive, não tem condições de poder buscar um remédio, um médico, uma ajuda, esta é a razão principal, o resto são coisas de idealismo, eu não sou de estacionar, estou sempre pensando em fazer alguma coisa que ainda não foi feita”, disse ele encerrando a entrevista.

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