Cidades de praias do litoral paulista entram em lockdown até 4 de abril

Da Redação

O Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) aprovou em reunião virtual, a implantação de lockdown nos nove municípios da região litoral de São Paulo.

As restrições valem por 13 dias: entre 23 de março (terça-feira) e 4 de abril. Uma força-tarefa com a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal vai fiscalizar a circulação de pessoas e veículos.

Será permitida a circulação de pessoas e veículos para a compra de remédios, atendimento ou socorro médico de pessoas ou animais, embarque e desembarque em terminal rodoviário, atendimento de urgências e necessidades inadiáveis, bem como a prestação de serviços permitida em decreto municipal.

Segundo o presidente do Conselho e prefeito de Santos, Rogério Santos, justificou a necessidade. “São medidas duras mas que, infelizmente, temos que tomar agora para preservar vidas. Os especialistas em Saúde nos passaram um quadro assustador no encontro realizado quinta-feira”.

A circulação de pessoas e carros será permitida com a apresentação de documentos como nota fiscal de compra ou prescrição médica de remédio, atestado de comparecimento a uma unidade de Saúde, carteira de trabalho (ou holerite) ou documento que comprove a prestação de serviço autorizado no decreto, tíquete ou imagem da passagem de ônibus ou ainda comprovação de urgência ou necessidade inadiável por qualquer meio.

As principais restrições incluem o transporte público municipal, que funcionará com horário reduzido pela manhã e ao final do dia.  Os ônibus não circularão aos sábados, domingos e feriados. Ficou acertado que cada cidade irá definir os horários de circulação.

A medida foi tomada um dia depois de a prefeitura da capital paulista anunciar a antecipação de cinco feriados para os dias 26, 29, 30, 31 e 1º, o que resultará em um período de dez dias sem dias úteis, de 26 de março a 4 de abril.

Nesta sexta-feira (19), Santos recebeu 81 notificações de covid-19 entre os munícipes. O número de casos acumulados passou para 37.450. O Município teve 1.164 óbitos entre residentes desde o início da pandemia.

Também na região metropolitana, os prefeitos do Grande ABC pediram ao governo do Estado a decretação de um lockdown em toda a Região Metropolitana de São Paulo.

Em ofício, os chefes do Poder Executivo propõem que o governador João Doria decrete o bloqueio total em todos os 39 municípios da Grande São Paulo, inclusive com a interrupção total do serviço de transporte público estadual. Devido ao fluxo diário de pessoas entre a Capital, o Grande ABC e outras cidades vizinhas, um lockdown apenas nos sete municípios teria impacto limitado para conter a disseminação do novo coronavírus.

Ainda, a cidade de Ribeirão Preto, no interior paulista, iniciou dia 17)l um confinamento de 120 horas para tentar conter o aumento dos casos de covid-19. As medidas valem pelos próximos cinco dias, até o próximo domingo (21).

Durante esse período, somente serviços considerados emergenciais podem funcionar na cidade. Até mesmo supermercados, padarias, açougues e hortifrútis só poderão atender por meio de entrega em domicílio.

No Rio

Um decreto da prefeitura do Rio de Janeiro proíbe, a partir deste dia 20, a permanência nas areias das praias da cidade, como forma de evitar a propagação do novo coronavírus. Estão proibidos também banho de mar, o comércio nas areias e a prática de esporte.

Ônibus e outros veículos de fretamento estão proibidos no município, com exceção daqueles que prestam serviço a empresas e hotéis. A princípio, a medida vale até segunda-feira (22).

Falta de oxigênio

Restrições avançam em diversos estados brasileiros diante do recorde de mortes por covid no país e falta de leitos em hospitais públicos e privados. Belém do Pará, Ceará e Bahia também anunciaram medidas mais restritivas para conter o avanço da doença.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) eliminou várias das burocracias necessárias para registrar, distribuir e importar medicamentos que são usados nos cuidados intensivos e que começavam a faltar em algumas regiões do país, segundo comunicado.

O regulador também autorizou temporária e excecionalmente o uso de cilindros industriais para manter gás medicinal, a fim de “aumentar a oferta” de oxigênio aos hospitais.

As unidades de cuidados intensivos do serviço público de saúde do Brasil estão sem capacidade para funcionar ou a apresentar sérias dificuldades, já que o país está a viver o pior momento da pandemia, com uma média diária de mais de 2.000 mortos por covid-19 registrada nas últimas duas semanas.

Nos últimos dias, diversas entidades médicas alertaram para a falta de material médico em alguns hospitais, como sedativos, anestésicos e até oxigénio, em alguns locais, situação que já aconteceu em janeiro passado no estado do Amazonas, norte do país.

Na outra ponta do Brasil, as autoridades do estado do Rio Grande do Sul relataram a morte de seis pessoas por covid-19 na véspera de se terem registrado “problemas na distribuição de oxigênio” na região metropolitana de Porto Alegre.

Em São Paulo, a cidade brasileira mais atingida pela pandemia em números absolutos, com quase 600 mil casos e mais de 20 mil óbitos, uma dezena de doentes foi transferida, esta madrugada, para outro hospital devido ao atraso na entrega dos cilindros de oxigênio por parte da empresa responsável.

Nos dois casos, as autoridades locais referiram que o problema não se deveu a falta de oxigénio, mas sim na linha de abastecimento.

Com um total de quase 12 milhões de infetados e mais de 290.000 mortes, o Brasil é o segundo país com mais infeções e óbitos associados ao covid-19, superado apenas pelos Estados Unidos.

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