Cannes: Manoel de Oliveira recebe Palma de Ouro

Mundo Lusíada com agencias

Inácio Rosa/Lusa Portugal

>> O escritor português e nobel da literatura, José Saramago acompanhado pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles, durante a visita à exposição "José Saramago. A consistência dos sonhos", 18 de Maio de 2008, no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

O cineasta português Manoel de Oliveira recebeu, em 19 de maio, a Palma de Ouro Honorária do 61º Festival de Cannes. "Finalmente ganhei minha Palma de Ouro. Esta é a melhor forma de receber este prêmio porque eu não precisei competir com nenhum colega meu. Eu não gosto de competição. Então, nada me deixa mais feliz que este prémio hoje", agradeceu Manoel de Oliveira.

Entre ministros europeus e os membros do júri desta edição do festival, o Palais du Festival reuniu cerca de três mil pessoas num ambiente descrito como "descontraído e emocionante" pelos jornalistas.

Durante a cerimônia de entrega da Palma de Ouro a Manoel de Oliveira, o diretor artístico e delegado geral do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, brincou com público.

"Quer viver 100 anos? Vá para o Brasil. Três grandes artistas que estão completando 100 anos neste ano vivem indo para o Brasil. O Oscar Niemeyer nasceu lá. O Claude Lévi-Strauss (antropólogo francês) viveu lá. E o Manoel de Oliveira vive indo e voltando para lá".

O media-metragem "Trabalho no Rio do Ouro", documentário dirigido por Manoel de Oliveira, em preto-e-branco, mudo e rodado em 1931, foi exibido após seu agradecimento.

Saramago gostou de "Blindness" Baseado na obra de José Saramago, o cineasta brasileiro Fernando Meirelles rodou "Ensaio sobre a Cegueira" (Blindness em inglês). O filme, que abriu o Festival de Cannes deste ano, foi aprovado pelo escritor.Ele disse ter "gostado muito" do longa que traz a atriz Julianne Moore e a brasileira Alice Braga. "Trata-se de um grande filme. Gostei muito, muito, muito.

Emocionei-me algumas vezes", disse o Nobel da Literatura. Meirelles adaptou seu romance "Ensaio sobre a Cegueira" e disse já ter ouvido críticas "boas e ruins" mas esperava a opinião de Saramago. "Eu estava mais ansioso do que quando mostrei o filme para três mil pessoas em Cannes", afirmou, mostrando-se satisfeito. O roteiro de "Blindness" fala sobre efeitos de uma epidemia de cegueira que atinge os habitantes de uma cidade.

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