Brasil notifica 30 navios estrangeiros na investigação sobre derrame de petróleo

Da Redação
Com agencias

A Marinha brasileira exigiu que 30 navios de dez países estrangeiros prestem declarações no âmbito das investigações sobre um derrame de toneladas de petróleo que atingiu 132 praias no nordeste do país e que ameaça a fauna da região.

O gigantesco derramamento de óleo, cuja primeira aparição foi detectada no início de setembro, já afeta praias de 63 municípios em nove estados do país, matou pelo menos 12 tartarugas e ameaça centenas de espécies animais, afirmam especialistas.

Como parte da investigação que está a ser realizada sobre o desastre ambiental, a Marinha do Brasil decidiu notificar 30 petroleiros de dez países para solicitar explicações sobre o derrame de petróleo.

“A Marinha entrará em contacto com as autoridades competentes dos países dessas bandeiras, a Organização Marítima Internacional e a Polícia Federal, para esclarecer todos os fatos”, afirmou a entidade em comunicado.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, que, caso o óleo que atinge praias do Nordeste tenha partido de um navio, houve crime ambiental porque nenhuma embarcação informou a ocorrência de um possível vazamento perto da costa brasileira.

“Uma das possibilidades é que um navio, passando no Atlântico Norte, teve algum incidente ou acidente, e as correntes chegam ao litoral do Nordeste. E ali, em Sergipe e Pernambuco, uma parte das correntes vai para o Norte e outra vai para o Sul. É exatamente o que está ocorrendo. Então, estamos investigando esses navios e essas bandeiras”, disse.

“Se aconteceu isso, e há grande possibilidade, se torna um crime ambiental, porque esses navios não informaram um possível vazamento”, afirmou.

O ministro reforçou que o governo brasileiro está investigando navios que trafegaram pelo Atlântico e podem ser a origem do óleo. Ele acredita ser pequena a possibilidade de o vazamento ter como origem um navio já naufragado, como chegou a ser cogitado por pesquisadores.

Uma conclusão que as investigações já apontam, segundo disse, é que o petróleo não é brasileiro. “Ele tem um DNA do tipo do petróleo que tem a Venezuela. O que não significa que eles sejam culpados em relação a isso”, argumentou.

A chegada do óleo ao litoral do Brasil começou a ser detectada no início de setembro, mas em quantidades mais esparsas. “No início de outubro, se intensificaram muito esses óleos”, acrescentou o ministro da Defesa.

Também o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse também que existiam indícios de que petróleo produzido na Venezuela terá sido derramado de um navio estrangeiro, associação que foi negada pelo país vizinho que acusou o Brasil de lançar “informações infundadas”.

O ministro de Minas e Energia do país, Bento Albuquerque, também reiterou na quinta-feira que as investigações ainda são inconclusivas.

De acordo com a Marinha brasileira desde 02 de setembro, data em que o aparecimento do petróleo nas praias brasileiras foi detetado pela primeira vez, 1.583 militares foram mobilizados para as áreas afetadas.

Segundo especialistas, as toneladas de petróleo encontradas nas águas do Atlântico na costa brasileira ameaçam centenas de espécies animais, algumas delas em risco de extinção como o peixe-boi, podem contaminar a cadeia alimentar e ser prejudiciais aos seres humanos.

Análises laboratoriais realizadas por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) em amostras do óleo corroboram a informação de que o material contaminante tem “forte correlação” com produto extraído na Venezuela.

Em parceria com especialistas da Universidade Federal de Sergipe (UFS), os pesquisadores do Centro de Excelência em Geoquímica do Petróleo, Energia e Meio Ambiente do Instituto de Geociências da Ufba recolheram 27 amostras de resíduos ao longo do litoral do Sergipe e da Bahia. Nove destas amostras foram submetidas a minuciosas análises geoquímicas.

A conclusão dos especialistas é de que o óleo analisado tem correlação com um dos tipos de petróleo produzido no país vizinho. Segundo os pesquisadores, nenhuma das variedades de petróleo produzidas no Brasil apresenta características semelhantes às encontradas nas amostras analisadas. A análise dos pesquisadores é compatível com a análise que a Petrobras fez.

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