Ano de Portugal no Brasil tem pouca participação da Comunidade, diz CCLB

Lançamento do programa não consta nenhum grande espetáculo musical, ao contrário de Brasília, Rio e Minas. Comunidade espera reverter o quadro inicial que não agradou o Conselho da Comunidade.

 

O comissário-geral do programa Miguel Horta e Costa, o representante do Governo do Estado de SP, Marcelo Araújo, o Cônsul-Geral de Portugal em SP, Paulo Lopes Lourenço, e o representante da Prefeitura de SP, Guilherme Mattar, na terceira e última apresentação da programação oficial do Ano Brasil em Portugal e Portugal no Brasil, no Consulado de Portugal de São Paulo.

 

Por Odair Sene
Mundo Lusíada

O Ano de Portugal no Brasil (APB) e o Ano do Brasil em Portugal (ABP) foi apresentado em Lisboa, no Rio de Janeiro e também em São Paulo, nas dependências do Consulado Geral no Jardim Europa, dia 18 de julho, quando o maior volume de pessoas eram repórteres, fotógrafos, jornalistas de vários veículos de comunicação e sites diversos.

Sem representantes da comunidade portuguesa, apenas o presidente do Conselho, Antonio de Almeida e Silva, sem nenhum presidente de alguma associação luso brasileira de São Paulo, ABC ou Baixada Santista, que somam quase cem entidades representativas da chamada luso brasilidade. Com isso, o evento foi apresentado exclusivamente para a imprensa e contou com representantes da Prefeitura de São Paulo (Guilherme Mattar, Secretário Adjunto de Relações Internacionais) e do Governo do Estado (Marcelo Araújo, Secretário de Cultura).

As iniciativas lançadas nos dois lados do Atlântico, apesar de múltiplas, estão basicamente resumidas em duas áreas, cultural e empresarial, numa estrutura de cooperação entre entidades, agentes públicos e privados (veja mais do programa na página 12), e foram apresentadas nesta ocasião pelo comissário-geral do APB, Miguel Horta e Costa.

Com uma receita que deve variar entre sete até 14 milhões de reais, os organizadores pretendem mostrar a produção atual do país com shows, exposições, espetáculos teatrais e de dança, torneios esportivos, eventos gastronômicos, encontros sobre negócios e sobre intercâmbio de estudantes universitários, entre outras ações.

A cantora brasileira Roberta Sá, a cantora portuguesa Mariza e a Orquestra Sinfônica de Brasília darão início à programação com um show gratuito em Brasília, dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. Mariza também se apresentará com Milton Nascimento em Belo Horizonte (no Palácio das Artes, dois dias depois) e no Rio de Janeiro (Teatro Municipal, no dia 12 de setembro).

Entre os dias 21 e 23 de setembro, em Lisboa, artistas brasileiros como Ney Matogrosso, Martinho da Vila e Zeca Baleiro se apresentam no Terreiro do Paço, marcando a abertura do Ano do Brasil em Portugal. Os eventos ocorrem simultaneamente nos dois países ao longo de dez meses, sendo finalizado no tradicional “10 de Junho”, o Dia Nacional de Portugal, de Camões e Dia das Comunidades Portuguesas, a data é celebrada por todas as comunidades lusas espalhadas pelo mundo.

O comissário-geral do programa, Miguel Horta e Costa, falou ao Mundo Lusíada nesta ocasião e deixou claro que o objetivo é promover encontros que estimulem a criatividade e a diversidade do pensamento, as manifestações artísticas e culturais dos dois países, além de intensificar o intercâmbio científico e tecnológico, e estreitar as relações econômicas entre as duas nações.

Porém, Horta e Costa salientou que apesar da extensa programação anunciada, o programa ainda deverá receber muitos novos projetos que, naturalmente serão aprovados, inseridos e lançados na programação. A idéia é despertar mais interesse pela cultura e pelos produtos portugueses no Brasil, atrair mais turistas e empresas brasileiras e estreitar vínculos entre as sociedades civis. “Queremos que o Brasil e os brasileiros nos conheçam melhor e gostem ainda mais de nós.”

O trabalho de coordenação-geral dos eventos ficará a cargo do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas. Segundo o Conselho de Ministros de Portugal, Portas fará a supervisão e coordenação do Ano de Portugal no Brasil e da participação nacional no Ano do Brasil em Portugal.

Conselho da Comunidade diz que órgão não foi, se quer, consultado

Para o presidente do Conselho da Comunidade Luso Brasileira do Estado de São Paulo, Antonio de Almeida e Silva, os portugueses de São Paulo e a comunidade portuguesa, não estão inseridos nessas comemorações, nos eventos, ou nos programas apresentados, os quais deveriam, segundo o órgão, já constar desde o início por conta da representatividade luso brasileira.

“Eu tomei conhecimento da programação hoje, mas a comunidade está esperando há algum tempo pelo início desses preparativos, e esperávamos que todos nós fôssemos convocados a participar ativamente. Vi que na programação tem coisas muito positivas, e não entendi porque terá show da Mariza em Brasília, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro e em São Paulo não tem, eu não entendi”, disse Almeida e Silva.

O presidente do Conselho referiu que torce para que a programação “dê muito certo”, mas lamentou “desde já” que as comunidades portuguesas no Brasil não tenham sido convidadas para nenhum tipo de colaboração. “Não será por isso que nossa comunidade vai deixar de apoiar, como sempre estaremos juntos, apoiando, porque é Portugal e Brasil, mas lamento que as comunidades não tenham sido, se quer, consultadas, até porque, temos associações fortíssimas que são os melhores termômetros do sentimento do pulsar junto à sociedade brasileira. Nós poderíamos ter sido convocados a darmos algum contributo válido, portanto eu não entendi, mas vamos colaborar mesmo assim”, disse.

Para o Conselho da Comunidade, o desvio do foco para uma imagem “moderna” tira muito do valor cultural português que está enraizado na sociedade brasileira. “Tem se falado muito na ‘modernidade’ de Portugal e não me parece muito correto, lógico, Portugal hoje é um país moderno que nos orgulha muito e nós queremos que este Portugal seja mostrado ao Brasil. Agora, eu gostaria de lembrar as palavras da Agustina Bessa Luís, quando ela disse assim: o futuro que nos vale é o passado que nos honra – ou seja, nós temos que pensar na modernidade mas não temos que ter um mínimo complexo em relação ao nosso passado que é um passado digno, uma história maravilhosa e para construir um futuro cada vez melhor, nós podemos pegar tudo que o passado nos ensinou, nossa história, nossa presença no mundo, etc. Portanto modernidade sim, mas não precisamos esconder nosso passado”, referiu o dirigente.

O Mundo Lusíada falou sobre este assunto com o coordenador do programa, Miguel Horta e Costa, que se limitou a responder o seguinte: “Todas as entidades que queiram participar do Ano de Portugal no Brasil serão recebidas de braços abertos. Ainda mais aquelas que representam as comunidades portuguesas aqui no Brasil, serão recebidas de braços abertos”, disse ele não querendo dar margem à polêmicas em torno do programa.

Perguntado se as comunidade portuguesas do Brasil foram consultadas, ou o Conselho como órgão representativo das entidades, Horta e Costa respondeu que: “se eles quiserem colaborar e contribuir estaremos de braços abertos”, e dessa forma não havia como procurar um melhor esclarecimento.

Cônsul Geral explicou porque a comunidade não está na primeira programação de eventos

O Cônsul Geral de Portugal em São Paulo, Paulo Lopes Lourenço, anfitrião do evento, falou ao Mundo Lusíada sobre a impressão do Conselho e colocou de uma forma mais clara os objetivos do projeto. Apesar se ser um tema para ser tratado com o secretário geral, disse que em sua perspectiva há que se entender que o programa está em aberto.

“A forma como foi organizado o programa, tem a ver com a necessidade de encontrar projetos que depois obtenham seus próprios financiamentos, não será o Estado português a financiá-los. São projetos culturais, empresariais, artísticos, e eventos que são apresentados e depois procuram os financiamentos juntos às empresas portuguesas e brasileiras. Portanto é de baixo para cima e toda a sociedade civil e toda a comunidade portuguesa podem apresentar projetos. Não foi só este programa que aqui vemos, é muito mais do que isso. E o que se vier a organizar durante este ano de comemorações, será bem vindo”, disse o cônsul.

Conforme Paulo Lourenço, a questão não está em se incluir ou se excluir a comunidade portuguesa, mas sim as propostas que foram apresentadas e que a comunidade as apresente porque a programação é uma programação aberta. “Nós vimos na apresentação uma parte minúscula daquilo que será o ABP e APB. E eu enquanto cônsul não deixarei de envolver a comunidade portuguesa, aliás eu fiz hoje referências à comunidade aqui e fiz questão que tivéssemos o lançamento também aqui em São Paulo, por conta da importância que São Paulo tem para Portugal e a Comunidade Luso Brasileira de São Paulo. Mas na minha opinião esta questão deve ser colocada ao contrário: como é que a comunidade pode contribuir para este programa? Apareçam com projetos, com propostas! O programa está em aberto”, disse o Cônsul de Portugal em SP.

O diplomata esclareceu ainda que foi aberto um processo de candidaturas para que produtores culturais, agentes artísticos, as sociedades e as empresas apresentassem idéias, depois essas idéias foram vistas pelo comissariado e, conforme este procedimento, a estratégia seguida foi diferente.

Diretora da CGB também sentiu a falta de um grande show em São Paulo

Conforme as explicações dos organizadores e do cônsul, os programas envolvendo shows musicais também foram apresentados como projetos financiados, aprovados e apresentados no lançamento, por já serem uma realidade.

Durante o evento de lançamento em São Paulo, várias pessoas comentaram sobre a falta de um programa musical de qualidade para a maior e mais importante capital brasileira. O show da fadista portuguesa Mariza, por exemplo, foi o mais comentado porque não havia, naquela altura, nada programado para São Paulo, apenas Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estavam fechados na programação.

Além do presidente do Conselho, Antonio de Almeida e Silva, a diretora-presidente do Banco Caixa Geral Brasil (CGB) Deborah Vieitas, falou ao Mundo Lusíada dizendo que também sentiu a questão da capital paulista ter ficado de fora dos grandes espetáculos como o da cantora Mariza, artista que a própria Caixa já trouxe no ano de 2010, para uma apresentação em São Paulo.

Deborah Vieitas disse que São Paulo merece uma apresentação da fadista Mariza, a exemplo do Rio e Minas. Segundo a diretora, a própria CGB poderia ser inserida num programa deste porte que seria apresentado numa grande sala de espetáculos da cidade, como Sala São Paulo ou Ibirapuera, por exemplo. Portanto a comunidade portuguesa de São Paulo, certamente deverá se organizar para colocar São Paulo em destaque neste programa que será único entre as duas nações e marcará, por certo, o fortalecimento das relações culturais, artísticas, econômicas, políticas, etc.

Entre setembro de 2012 e junho de 2013, devem surgir muitas oportunidades para que as empresas portuguesas, principalmente as pequenas e médias, consigam expandir para o mercado brasileiro, como também deve crescer o interesse no turismo e facilitar o acesso de profissionais portugueses bem qualificados ao mercado de trabalho brasileiro.

LEIA MAIS >> Portugal e Brasil vão se descobrir em eventos até 2013

2 Comments

  1. PARECE QUE É SÓ EM S,PAULO RIO OU BH, QUE EXISTE COMUNIDADE PORTUGUESA , EM FORTALEZA E EM TODO O CEARÁ , TAMBEM TEM UMA FORTE COMUNIDADE LUSITANA E GOSTARÍAMOS DE SABER SE ESSAS COMEMORAÇOES NAO CHEGARAO ATÉ NÓS , ESTAMOS TODOS NA EXPETATIVA E COM ENORME VONTADE DE PARTICIPAR E DESFRUTAR DE ALGUNS EVENTOS COMEMORATIVOS . SAUDAÇOES LUSAS

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