Açores, a região de Portugal com melhor desempenho na gestão de resíduos

Da Redação
Com Lusa

A produção de resíduos urbanos nos Açores aumentou 3,4% em 2018, contrariando a diminuição dos últimos dois anos, mas a região mantém o melhor desempenho do país na sua gestão, com uma taxa de valorização de 54,6%.

O relatório de gestão dos resíduos urbanos, apresentado em conferência de imprensa em Ponta Delgada pela secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, e pelo diretor regional do Ambiente, mostra que a produção aumentou 3,4%, uma inversão da tendência de redução dos últimos dois anos, ultrapassando a estimativa do Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores (PEPGRA) em 0,8%.

Ainda assim, a secretária regional, Marta Guerreiro, frisou que os dados “mostram que os Açores são a região do país com melhores desempenhos na gestão de resíduos”.

Foi São Miguel a ilha que mais contribuiu para esse aumento: na maior ilha dos Açores foram produzidas em 2018 85.803 toneladas de lixo, um aumento de 5,1% em relação a 2017, seguindo-se a Terceira, com 34.171 toneladas, um incremento de 3% em relação ao ano anterior.

A região apresenta uma taxa de valorização de resíduos de 54,6%, destacando-se o aumento de 16,1% da valorização material face a 2017 e a taxa de preparação para a reutilização e reciclagem de 37,6%, sendo que a meta estabelecida para 2020 é de 50%, que deverá ser atingida com a instalação de unidades de tratamento mecânico e biológico na ilha de São Miguel.

Os Resíduos Urbanos Biodegradáveis eliminados em aterro foram de 60% da quantidade de referência, 16.216 toneladas, um valor que o executivo espera que reduza para 35% em 2020.

Marta Guerreiro sublinhou o facto de sete das nove ilhas, as de menor população, “terem atingido taxas de valorização material e orgânica acima dos 81%, sendo que as ilhas das Flores, Corvo, Faial e Santa Maria alcançaram o objetivo ‘aterro zero’”.

Registrou-se ainda “apenas uma pequena parte do refugo dos respectivos Centros de Processamento de Resíduos a ser eliminada no aterro intermunicipal de São Miguel” nas ilhas da Graciosa e São Jorge, com valores de 0,5% e 1,1%, respetivamente, devido a dificuldades no transporte dos resíduos.

“O aspeto mais crítico dos dados de 2018 tem a ver com a circunstância de 71,3% dos resíduos urbanos da maior ilha dos Açores, São Miguel, continuarem a ter como destino a eliminação em aterro, fazendo com que esta ilha contribua com 95% do total de resíduos urbanos eliminados em aterro”, frisou Marta Guerreiro.

A governante destacou que o lançamento do concurso para a instalação de uma unidade de tratamento mecânico da MUSAMI na ilha é “um primeiro passo para uma mudança urgente e absolutamente necessária”.

Sobre esta unidade, o diretor regional do Ambiente, Hernâni Jorge, avançou que deverá retirar “vidro, metal, plástico e ECAL dos resíduos indiferenciados numa quantidade estimada de cerca de quatro mil toneladas”.

A essa unidade, deverá seguir-se a criação de uma unidade de tratamento biológico, que tratará 9.600 toneladas de resíduos biodegradáveis.

Com estes dois investimentos, “são 13.600 toneladas, que representam, olhando para dados de 2018, 12,5 por cento da produção de resíduos urbanos recicláveis” que são retirados de aterro.

“A mera implementação das unidades de tratamento mecânico e biológico na MUSAMI permitir-nos-iam, se estivessem em pleno funcionamento, alcançar a meta de valorização e reciclagem, de reutilização de reciclagem, de 50%”, concluiu o governante.

12 toneladas de lixo

Todos os anos são retirados da orla costeira das ilhas dos Açores entre 10 a 12 toneladas de lixo marinho, a maioria plástico, que dá à costa por influência das correntes e das marés.

Os dados foram revelados por Gui Menezes, secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia do Governo açoriano, no âmbito de uma campanha designada “lixo zero”, que vai decorrer em todo o arquipélago para alertar a população para o problema.

“As estatísticas que temos indicam que, todos os anos, se limpam entre 10 a 12 toneladas de lixo nas orlas costeiras dos Açores”, explicou o governante, lembrando que a própria sociedade civil açoriana está cada vez mais desperta para este problema e tem-se mobilizado para fazer campanhas de limpeza da orla costeira.

A Praia de Porto Pim, na ilha do Faial, é uma das praias da região que mais lixo acumula, devido à sua localização, virada a sul, aparentemente mais exposta às correntes marinhas.

“É uma baía mais confinada e, infelizmente, acumulam-se aqui muitos plásticos, de pequenas dimensões”, recordou o secretário regional do Mar, acrescentando que, por essa razão, Porto Pim é também “uma das praias mais monitorizadas” da região.

O governante lembrou ainda que o executivo regional socialista tem vindo a lançar “uma série de iniciativas” para reduzir a utilização de plásticos descartáveis e no sentido de se produzir menos plásticos no futuro.

“O plástico nos Açores aparece em todos os ecossistemas marinhos, tanto em profundidade como na superfície, nas praias e nas zonas balneares”, lembrou Gui Menezes, acrescentando que, por essa razão, estão também a decorrer vários trabalhos e projetos científicos ligados a esta temática.

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia recordou os dados recolhidos, por exemplo, no âmbito da campanha “SOS Cagarro”, uma ave protegida na região, que indicam que “90% dos juvenis que foram analisados” em laboratório, depois de terem sido encontrados mortos, “tinham lixo no seu estômago”: “Isto é muito preocupante”, vincou.

A campanha “lixo zero” está integrada numa outra campanha de sensibilização ambiental mais vasta, denominada “Entre Mares”, que prevê iniciativas de sensibilização ambiental, destinadas às escolas e ao público em geral, e ainda um concurso de trabalhos artísticos, em diversas áreas, relacionados com a problemática da conservação dos oceanos.

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