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Visita oficial: “Nenhum outro povo está unido como os cabo-verdianos e os portugueses”, diz presidente

Por | 11 abril, 2017 as 5:16 pm | Nenhum comentário

Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (E) durante uma receção na Câmara do Mindelo, Cabo Verde, 11 de abril de 2017. O Presidente da República visita três ilhas de Cabo Verde, de 08 a 12 de abril, seguindo depois para uma visita de Estado inédita ao Senegal, entre 12 e 13 do mesmo mês. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (E) durante uma receção na Câmara do Mindelo, Cabo Verde, 11 de abril de 2017. O Presidente da República visita três ilhas de Cabo Verde, de 08 a 12 de abril. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Mundo Lusíada
Com Lusa

O Presidente português foi recebido calorosamente na cidade cabo-verdiana do Mindelo, na ilha de São Vicente, e considerou que os povos de Portugal e Cabo Verde estão unidos pela morabeza e pela saudade como nenhum outro.

Quando chegou ao largo da Câmara Municipal, vindo da ilha de Santiago, de avião, Marcelo Rebelo de Sousa tinha à sua espera muitas dezenas de pessoas, que o saudaram com aplausos e palavras de boas-vindas.

O chefe de Estado português percorreu todo o largo, distribuindo abraços e beijos, enquanto uma banda tocava a marcha “Lisboa Antiga”. Entretanto começou a chuviscar. “O senhor veio trazer a chuva para Cabo Verde”, exclamou uma mulher.

Depois, num discurso durante uma sessão solene na Câmara Municipal de São Vicente, em que recebeu as chaves da cidade, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se emocionado e agradecido com esta receção calorosa que, disse, “toca o fundo do coração do Presidente da República Portuguesa”.

“Não há nenhum outro povo do mundo que tenha em comum como nós temos estas duas realidades, morabeza e saudade, que são inseparáveis”, acrescentou.

A palavra morabeza é um regionalismo crioulo de Cabo Verde, que significa afabilidade, amabilidade, gentileza. “Onde há morabeza, há saudade. Há saudade, porque há morabeza”, considerou o Presidente português.

O Presidente português também prestou homenagem à democracia cabo-verdiana, multipartidária, com livre debate de ideias e separação de poderes, apontando-a como “um exemplo” no contexto regional africano e para além dele.

Paz
O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, defendeu que Portugal e Cabo Verde devem reforçar a colaboração na área da segurança, colocando a excelência das suas relações ao serviço da paz. “Num mundo cada vez mais complexo e imprevisível, a excelência das nossas relações é sem dúvida um grande capital que podemos e devemos colocar ao serviço da paz, da liberdade, da tolerância, da democracia e da estabilidade”, disse.

Jorge Carlos Fonseca falava durante o jantar em honra do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que decorreu no Palácio do Plateau, na cidade da Praia. Para o chefe de Estado de Cabo Verde, é neste quadro que os dois países devem “reforçar e ampliar a colaboração em matéria de segurança”, considerando que esta “é cada vez mais um processo global, que exige uma articulação muito estreita em diversos domínios”.

“Mantemos a nossa firme determinação de prosseguir os nossos esforços, no sentido de contribuir, no limite das nossas possibilidades, para que a nossa sub-região seja de facto um espaço de paz”, assegurou.

Marcelo Rebelo de Sousa acabou o segundo dia de visita oficial a Cabo Verde a dançar funaná ao som dos Bulimundo na abertura da Atlântic Music Expo (AME). A “culpa” foi do ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, que incentivou o Presidente português a dançar com a sua mulher, a cantora Lura, quando ecoavam no palco os acordes dos Bulimundo, um dos grupos mais emblemáticos de Cabo Verde. Inicialmente hesitante, Marcelo Rebelo de Sousa acabou por ceder, levantou-se e deu “um pezinho de dança” que durou menos de um minuto, mas foi entusiasticamente saudado pelo público.

Investimento
O Presidente Jorge Carlos Fonseca sublinhou a importância estratégica do Português, defendendo um “investimento efetivo” no Instituto Internacional de Língua Portuguesa, que tem sede em Cabo Verde.

“A defesa da língua portuguesa, esse património comum de valor inestimável, pode ter uma importância estratégica, que deve ser reconhecida e traduzida cada vez mais na elaboração e concretização de uma política que vise a sua defesa e promoção”, disse.

Para tal, Jorge Carlos Fonseca defende “o efetivo investimento no reforço dos meios Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP)” sediado na cidade da Praia, e que desde a sua criação, no âmbito da CPLP, se debate com falta de meios.

Jorge Carlos Fonseca sustentou ainda que Portugal e Cabo Verde podem ter “um importante papel” na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) no sentido “de ajudar a organização a ser, cada vez mais, uma organização da democracia, sintonizada com os valores do Estado de direito, particularmente num contexto em que alguns dos países enfrentam dificuldades”.

Jorge Carlos Fonseca agradeceu também o acolhimento e a “grande abertura” para “encontrar as melhores soluções para os problemas” que os cabo-verdianos enfrentam em Portugal, em especial os estudantes e os doentes enviados de Cabo Verde.

“O papel de Portugal na capacitação dos nossos quadros, nos mais diversos domínios, tem sido determinante no processo de desenvolvimento” de Cabo Verde, disse Jorge Carlos Fonseca. “No tocante aos doentes, a solidariedade portuguesa tem contribuído de forma muito positiva para a superação de boa parte das nossas insuficiências em matéria de assistência médica”, acrescentou.

Sublinhou ainda a cooperação na área econômica, considerando que “os investimentos portugueses serão sempre bem-vindos em Cabo Verde”.



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