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Crônica: A Ponte Sobre o Tejo e a Dança Das Placas

Por | 21 março, 2017 as 11:44 am | Nenhum comentário

Por Humberto Pinho da Silva

 

Porto. Shchipkova Elena/European Best Destinations

Porto. Shchipkova Elena/European Best Destinations

A inveja está interligada à política, como aliás a todas as áreas de cultura. Para denegrir o rival, ou possível rival, recorre-se, muitas vezes, à calúnia e à mentira.

Mentira espalhada por outros invejosos, que desejam alcançar benesses, que a maioria das vezes não merecem.

Quando há mudança de regime, logo surgem, impelidos pela inveja, ou ânsia de aproveitarem a oportunidade para ascenderem socialmente, indivíduos que tentam colar-se aos vencedores, mesmo que tenham de renegar adiais, que acreditam, ou amesquinhar os que foram companheiros de “luta”.

Isso passa-se na política, mas acontece, infelizmente, na Igreja. Sim: até na Igreja; e quando falo na Igreja, não me refiro apenas à Católica, mas a todas as denominações.

Salazar – como bom estadista, e homem de grande saber, – conhecia, perfeitamente, a natureza humana.

Quando lhe disseram que a Ponte Sobre o Tejo iria ser batizada, em sua homenagem, logo retorquiu:

“ O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte” e acrescentou (cito Pedro Mexia) “ Comentando também que as letras da placa deviam ser aparafusadas e não fundidas no bloco de bronze: “ Vão dar depois muito mais trabalho a arrancar.” Com efeito, em 1974, dias depois da Revolução, um comité revolucionário pintava inscrição a negro, martelou as lápides, segundo o mote” a arte fascista faz mal à vista”. Uns meses mais tarde, a ponte foi rebatizada “ 25 de Abril” – Pedro Mexia – “É uma Paisagem “ – “E” – A Revista do Expresso – 10/Set./2016.

No tempo da 1ª Republica, energúmenos, quebraram, à pedrada ou a camartelo, a coroa real, colocada em muitas obras realizadas no tempo da monarquia. Salvou-se, entre outras, a que ainda permanece no pilar de pedra da Ponte D. Luís I, no Porto. Salvou-se, por “ descuido” ou por milagre…

Também os nomes de ruas mudam, para apagar feitos do antigo regime, os “patriotas”, logo mudam as placas.

No Porto, é notável a Rua de Santo António, atual 31 de Janeiro; e no Brasil, apesar de muitos republicanos admirarem o Imperador, até terem colaborado com ele, não escapou à mudança de nomes: a Praça Dom Pedro II passou a ser de Marechal Deodoro; a Rua da Princesa, de Rui Barbosa, isto no Rio

Em Petrópolis, a Rua do Imperador, virou Avenida da República; mais tarde, tornou a ser do Imperador… para agradar aos turistas…

Lá, como cá, a inveja ou parvoíce, reina, mesmo em tempos democráticos…

A Ponte Salazar, que demorou apenas 45 meses a ser construída. Inaugurada a 6 de Agosto de 1966, na presença do Presidente da República, o Almirante Américo Tomás, e o Presidente do Conselho de Ministros, António Oliveira Salazar, foi, apesar das infrutíferas tentativas de muitos, rebatizada pelo povo, de: “ Ponte Sobre o Tejo”.

Já que não é de Salazar, seja, então, do Tejo…

 

Por Humberto Pinho da Silva
De Portugal, Blogue luso-brasileiro: “PAZ”
http://solpaz.blogs.sapo.pt/



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