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Após canonização dos pastorinhos, Papa comprometeu-se a repetir a “mensagem de paz” de Fátima

Por | 15 maio, 2017 as 10:11 am | Nenhum comentário

Mundo Lusíada
Com Agencia Lusa

Durante a missa no Santuário de Fátima, o papa canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco enaltecendo a “força revolucionária da ternura e do carinho”, inspirada em Maria. Nas intervenções que fez em Fátima, Francisco deixou apelos à paz e à concórdia e lembrou os excluídos da sociedade e todos os que sofrem em consequência dos conflitos em vários países do mundo.

O bispo de Leiria-Fátima disse que o momento da canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco foi um “dia memorável, cheio de beleza e espiritualidade”. O prelado disse também que se juntaram três eventos num só dia: ”O centenário das aparições, a canonização dos pastorinhos e a presença do papa, que dá uma dimensão histórica à ocasião”.

Nesta visita pastoral, o pontífice fez apelos à “paz e concórdia entre os povos”, pedindo a Nossa Senhora, que, “no mais intimo do Seu imaculado coração”, veja “as dores da família humana que geme e chora neste vale de lágrimas”.

“Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco, da alvura branqueada no sangue do cordeiro derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos”, disse Francisco, na oração proferida na sexta-feira, após um momento de recolhimento frente à imagem de Nossa Senhora.

O papa exortou os cristãos a serem, antes de mais, “marianos” e disse: “Devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus, que nos abre o caminho que nos leva a Ele.”

À noite, Francisco surpreendeu os fiéis, quando, no recinto, desceu do papamóvel e foi ao encontro de alguns peregrinos, fazendo a pé metade do percurso até à capelinha, onde rezou o terço. Neste curto trajeto, Francisco recebeu flores, mensagens escritas, beijou crianças e cumprimentou alguns peregrinos que lhe estenderam os braços.

Na cerimônia da bênção das velas, o papa afirmou que “devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será feito à luz da Sua misericórdia”.

O recinto encontrava-se lotado, e em vários pontos da cidade, centenas de pessoas concentraram-se próximo de ecrãs que transmitiam a cerimônia, acompanhando-a com fervor.

O papa Francisco esteve em Fátima na sexta-feira e no sábado, durante perto de 24 horas, para presidir as cerimônias do centenário das “aparições” e à canonização de Jacinta e Francisco Marto, duas das crianças que em 1917 afirmaram ter visto Nossa Senhora na Cova de Iria.

No dia 14, já no Vaticano, o Papa disse que a canonização dos pastores Francisco e Jacinta Marto, em Fátima, é um sinal de atenção por todas as crianças. “Com a canonização de Francisco e Jacinta, quis propor a toda a Igreja o seu exemplo de adesão a Cristo e de testemunho evangélico. Também quis propor a toda a Igreja que tome conta das crianças”, realçou o papa, falando a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação do “Regina Coeli”, um dia após ter concluído a peregrinação a Fátima.

Despedida

O papa foi recebido pelas três mais altas entidades do Estado português, na sua despedida na Base Aérea de Monte Real, em Leiria, conforme tinha acontecido na sua chegada, sendo acompanhado por milhares de fieis pelo caminho.

No dia 13, o papa Francisco despediu-se de Portugal ao som da Orquestra Clássica de Fátima, que entoou o hino do Vaticano num palco na rotunda Norte, onde centenas de pessoas aplaudiram e gritaram por “Chico”. “O maestro André Lousada fez uma adaptação para orquestra clássica do Hino do Vaticano, que não existia. Foi simultaneamente uma estreia e uma oferta ao santo padre”, contou à Lusa Alexandre Rodrigues, coordenador da orquestra composta por 43 músicos de todo o país, que está sediada em Fátima.

Antes, durante almoço do dia 13, o papa Francisco pediu desculpa por ter passado pouco tempo com os bispos portugueses durante a sua peregrinação a Fátima. “Foi um almoço muito familiar, com uma palavra de saudação do cardeal patriarca e o agradecimento do Santo Padre. Ele manifestou a grande alegria em estar conosco e pediu, em certo sentido, desculpa por ter estado tão pouco tempo connosco”, contou o arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, à saída da Casa Nossa Senhora do Carmo, em Fátima.

O papa despediu-se de Portugal também com uma mensagem no Twitter afirmando que Fátima é sobretudo “um manto de luz”. “Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir: mostrai-nos Jesus”, escreveu.

Medjugorje

A bordo do voo de volta a Roma, o papa Francisco se referiu às alegadas aparições mensais de Maria em Medjugorje, na Bósnia-Herzegovina, e afirmou que a “mãe de Jesus” não é “chefe de correios, que todos os dias manda uma mensagem à hora certa”.

“Eu pessoalmente sou mais duro, prefiro Nossa Senhora Mãe nossa Mãe, e não Nossa Senhora chefe de correios, que todos os dias manda uma mensagem à hora certa. Esta não é a Mãe de Jesus”, afirmou o papa aos jornalistas, na viagem de regresso do santuário de Fátima.

Francisco acrescentou que “estas alegadas aparições não têm tanto valor”, salientando que falava a título pessoal. A vila de Medjugorje ficou mundialmente conhecida em 1981, com “aparições” marianas regulares a seis crianças nascidas nos arredores da localidade. Na ocasião, Nossa Senhora ter-se-á apresentado como “rainha da paz” e, desde então, terá aparecido sucessivas vezes aos seis videntes, um fenômeno que se repete, pelo menos, todos os meses.

A hierarquia católica tem reagido com ceticismo ao fenômeno e chegou mesmo a afastar um dos principais sacerdotes associados ao caso. Nos últimos anos, Roma tem enviado missões para avaliar a legalidade canônica daquelas “aparições” mas, até agora, os resultados não têm sido conclusivos.

O papa salientou ainda que há ali “um acontecimento espiritual, pastoral, que não se pode negar”. “Pessoas que vão lá e se convertem, que encontram Deus e mudam de vida. Não há ali uma varinha mágica. Este acontecimento espiritual, pastoral, não se pode negar”, considerou.

Ainda, o papa Francisco comprometeu-se a repetir a “mensagem de paz” de Fátima “com quem quer que fale”. “Fátima tem uma mensagem de paz, certamente, que foi levada à humanidade por três grandes comunicadores, que tinham menos de 13 anos, o que é interessante”, afirmou, referindo-se aos três pastorinhos que estiveram na origem do fenômeno.

A canonização dos dois beatos “não estava planejada inicialmente, porque o processo de milagre estava em marcha, mas de repente as perícias vieram todas positivas e acelerou-se, assim juntaram-se as coisas”, relatou, admitindo que este desfecho lhe causou “uma felicidade muito grande”.

Questionado pela RTP sobre o que pode o mundo esperar, após a sua visita a Fátima, a primeira que realizou, o papa respondeu: “Paz. De que vou falar eu, daqui para a frente, seja com quem for? Paz”. Francisco relatou que, antes de visitar Portugal, recebeu um grupo de cientistas de diferentes religiões, mas também ateus e agnósticos e, um deles, ateu, disse algo que lhe “tocou o coração”. “Peço-lhe um favor: diga aos cristãos que amem mais aos muçulmanos. Esta é uma mensagem de paz”, afirmou.

Balanço e Público

No dia 13, assistiram à cerimônia de canonização de Jacinta e Francisco, cerca de 500.000 fiéis, segundo uma estimativa porta-voz da Santa Sé, dada à agência noticiosa Efe, um número semelhante aos que recitaram o terço na sexta-feira à noite.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa descreveu esta visita apostólica como uma “operação dificílima e muito complexa” e agradeceu a todas as estruturas do Estado que contribuíram para a pôr de pé, autarquias, Forças Armadas, e também à Igreja Católica, considerando que “condensar isto em menos de 24 horas é muito difícil”.

Depois, dirigiu “uma palavra muito especial” ao núncio apostólico em Portugal, Rino Passigato, que disse ter sido um aliado, “às vezes secreto”, adiantando: “Eu hoje posso talvez dizer-vos que houve projetos bem mais limitados para Sua Santidade estar cá apenas umas horas, no dia 13. E nós contámos com grandes aliados para a esticar para dia 12, e ainda bem”.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, o papa “ficou muito impressionado com o que viu” em Fátima, “foi dizendo que ultrapassou todas as expectativas”, e “como que rejuvenesceu” de sexta-feira para sábado: “Como vinha fatigado ontem e como saiu hoje, era outra pessoa”. “Estava muito impressionado com o calor das pessoas, mas um calor ponderado, moderado, sentido”, prosseguiu. O Presidente referiu que o papa ficou “muito feliz também com o tempo” que fez.

“Para todos os portugueses foi, de fato, um momento único, porque tivemos uma oportunidade que muitos países, muitos povos gostariam de ter tido e que não tiveram, e poderão não vir a ter. E Portugal teve, e mostrou que era justificada essa oportunidade”, considerou. Marcelo Rebelo de Sousa deixou um “agradecimento aos portugueses”, que, no seu entender, foram “excecionais, crentes e não crentes”.

O chefe do Governo, António Costa, por seu turno, indicou Francisco como “uma referência certamente para os crentes, mas uma referência para todos aqueles que acreditam nos valores da humanidade, nos valores da dignidade da pessoa humana”.

As autoridades portuguesas fiscalizaram 146.893 pessoas e fizeram 63 detenções, no âmbito da visita do papa a Portugal, tendo a secretária-geral de Segurança Interna destacado o “clima de serenidade” da operação de segurança.

O balanço da Operação Fátima 2017 foi feito pela Secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, que realçou a “forma tranquila e serena como decorreu a operação” e os “baixos níveis de criminalidade e sinistralidade”. As autoridades controlaram 263.531 pessoas, tendo recusado a entrada em Portugal a 126.



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