Com a valorização do real, o Brasil ficou mais caro e os
portugueses deixaram de escolher o país com tanta freqüência para
passar férias, tendo o destino sofrido este ano quedas de até 25%
para alguns operadores, afirmou o presidente da APAVT (Associação
Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo), que realizou em
Búzios no Rio, o seu XXXIII Congresso anual, no início de
dezembro.
Em declarações à agência Lusa, João Passos referiu que em 2007, o
“out-going”, ou saída de turistas portugueses para férias no
exterior, estagnou em relação a 2006. E assistiu-se a “quedas
grandes nas saídas para o Brasil”. “Os operadores turísticos
apostaram muito no Brasil e tiveram de derivar para outros
destinos”, explicou João Passos.
Como afirmou o presidente da APAVT, alguns operadores “registraram
quedas nas reservas entre 20 e 25%” o que “não sendo esperado,
também não surpreendeu muito”.
O administrador do Mundo Vip, operador turístico do grupo Espírito
Santo Viagens, Pedro Costa Ferreira, afirmou à agência Lusa que
"em 2007, o destino Brasil não foi isento de dificuldades", sem
dar mais detalhes acerca dos problemas que a sua operação
enfrentou. No entanto, não deixa de realçar que aquele "continua a
ser um importante destino no mercado português, apesar dos
constrangimentos que enfrenta".
Pedro Costa Ferreira explicou, tal como João Passos, que, depois
do êxito dos últimos anos, e atendendo à reduzida dimensão do
mercado português, o Brasil "é um destino maduro".
As viagens, principalmente para locais mais longínquos, foram
afetadas pela subida acentuada do preço do petróleo nos últimos
meses, quando atingiu máximos históricos, encarecendo os
deslocamentos aéreas, argumentou o administrador do Mundo Vip.
Pedro Costa Ferreira apontou ainda "a forte valorização do real",
o que foi desfavorável face a outros destinos. Mas, o Mundo Vip
"continua a apostar e a acreditar" no negócio do destino Brasil,
insistiu.
Para o presidente da APAVT existe ainda outra situação que não
ajudou à divulgação e maior sucesso dos destinos Brasil em
Portugal. “A promoção é pouca e não muito bem orientada”,
defendeu, ao mesmo tempo em que falava sobre importância de
apresentar “um outro Brasil”, além do sol e praia, como a vertente
histórica ou do Pantanal.
E, visando estes dois interesses como produto turístico, a TAP
anunciou a aposta em ligações aéreas para Belo Horizonte,
contemplado a História, e para Brasília, com ligação ao Pantanal,
recordou João Passos.