As
praias de Curaçao são, talvez, os lugares mais inesquecíveis da
ilha, daquelas cenas que você traz mentalmente quando volta à São
Paulo, ao mundo real. A areia branquinha, as águas mornas e cheias
de peixinhos vistos facilmente, são visões comuns aos curaçolenhos.
Perfeito para um lugar onde o clima, no verão, passa tranqüilo dos
30º C. A praia mais bonita é Kenepa Grande, que fica ao oeste da
ilha, e é mais afastada do centro. É uma praia natural, própria
para o banho, na qual é possível passar várias horas. Os hotéis
têm estrutura para levar e buscar, mas a dica é alugar um carro
para ir não só à Kenepa, mas também a outras igualmente belas e
distantes, como Jan Thiel, San Nicolas e Daaiboi, por exemplo. Os
taxistas na ilha costumam combinar o preço antes da corrida, mas
não são vistos perto dessas praias.
Uma outra opção para quem quer mais conforto é ir às praias
particulares, que são mantidas por restaurantes ou hotéis. Uma
delas é Kontiki Beach, que cobra US$ 3 para o banhista passar o
dia inteiro e usar a estrutura das cadeiras para banho de sol,
banheiros e chuveiros, além de um restaurante. Mesmo as praias
próximas ao Centro são belas, como a Korente, em Otrabanda, que é
vizinha às praias particulares dos hotéis Marriot e Hilton. A água
destas praias é a mesma, cristalina e quentinha, com a diferença
que em Korente há só quiosques, falta um pouco de limpeza na areia
e, se sentir sede, tem de ter a sorte de encontrar um carrinho que
venda bebidas nela.
A
natureza da ilha, do mar inclusive, pode render passeios muito
diferentes, com aventura ou sem. Para quem quer ir mais fundo na
fauna e flora marinha de Curaçao, há opções para mergulhar, mesmo
dentro de hotéis como o Hilton e o Marriot, que oferecem cursos e
passeios para a prática de mergulho. Há também uma escola, Ocean
Encounters, dentro do Seaquarium que oferece o curso de quatro
horas ou o de quatro dias, com direito ao certificado PADI Open
Water Diver. Os preços variam de US$ 75 a US$ 350. O que não falta
são opções para mergulhar: a ilha oferece mais de 60 pontos para a
prática, com o diferencial de que não é preciso ir longe para ver
as belezas marinhas, já que os recifes ficam a 50 metros da terra.
Mesmo que não queira ir tão fundo, há passeios de barco pela Baia
Espanhola, nas águas de Caracasbaai, bairro onde se concentram as
residências da classe alta da ilha. O passeio de quatro horas tem
duas paradas para a prática de snorkel, que está disponível no
barco. A segunda parada é a melhor para ver mais peixes, corais e
até um barco naufragado de perto.
Se cansou do balanço do mar, é possível fazer trilhas nos passeios
que contam a história das rochas vulcânicas de Curaçao. Se estiver
com pique, visite as sete cavernas do parque Shete Bokas. A
principal é a Boca Tabla, uma pequena caverna onde as ondas do mar
quebram. No parque, além de trilhas há ainda um mirante para o
mar.
Mas se a idéia é
apenas contemplar, sem grandes esforços, dê um pulo no Seaquarium,
que fica ao leste da ilha. Com uma volta pelos 70 aquários, é
possível ver tubarões, flamingos, tartarugas, peixes e outras
espécies. Mesmo que passe rápido por lá, não deixe de assistir por
15 minutos um espetáculo com golfinhos que tem como cenário de
fundo, o mar. Eles ‘andam’ sobre a água, pulam, dão piruetas e até
saem da água.
Beber e Comer
Comer em Curaçao é um capítulo à parte. A maioria dos restaurantes
oferecem refeições generosas, nas quais há quase sempre um tempero
bem específico, que vai do picante ao agridoce. É um molho que vem
com ketchup, pimenta e outros ingredientes secretos. Em quase
todos os pratos, o acompanhamento são a batata e a banana. Dos
pratos principais, os pescados e frutos do mar imperam.
No restaurante Scampis, em Punda, há uma opção de pescado com
camarão ao molho branco, acompanhado de fritas e salada. Outro
muito bom é o do restaurante do hotel Floris, que vem em estilo
europeu, perfeito para quem quer fugir do tempero adocicado de
Curaçao. De entrada, carpaccio de carne com vinho tinto e, como
prato principal, pescado ao purê e batata assada com vinho branco.
A sobremesa pode ser considerada a melhor da viagem: sorvete de
menta com carpaccio de manga, torta de chocolate e cookie de
laranja.
Para os fãs de
comida japonesa, o Hotel Breezes tem um restaurante com opções de
sushi de entrada e yakissoba.
Mas se a idéia é ir a um lugar sofisticado mesmo, com vista
panorâmica para a cidade, escolha Fort Nassau, que oferece um
linguado com batata frita (como se fosse um bolinho), feijão preto
e vegetais no bafo. Outro restaurante também refinado é o El
Governeur e fica em Otrabanda, perto da ponte Emma. No menu, um
prato saboroso e forte, o Keshi Yená, um queijo gouda que cobre
uma mistura de frango desfiado e ameixas. Para se encher de carne,
há também uma opção no restaurante Fusion, que fica no centro
comercial de Promenade, que reúne carne bovina, costela de porco e
filé de frango com purê de batata. Se não quiser o molho com
ketchup, tem de avisar.
Para conhecer um pouco mais da alimentação curaçolenha, é preciso
ter um estômago forte. O prato típico da ilha é o Jambo, uma
feijoada de quiabo, que leva frutos do mar e carne, tudo cozido
junto. Outra iguaria da ilha, recomendada para os homens, é a sopa
de iguana, cuja carne possui espinhos e é comida como se fosse
peixe. Os curaçolenhos acreditam que a sopa é um poderoso viagra
natural, apenas porque a iguana teria dois órgãos genitais
masculinos enquanto os homens só tem um.
Se o calor e nem o estômago permitirem tais aventuras, há um prato
típico mais semelhante ao paladar brasileiro, o Kabritu Stobá, do
restaurante Komedor Krioyo. É um cabrito cozido e servido com
polenta, salada, banana e um tipo de tutu de feijão adocicado.
Enquanto aprecia a comida, o visitante também pode observar um
outro lado da ilha, com cenário desértico, cheio de iguanas e
cactos.
Com um clima tão
quente, as sobremesas mais pedidas são os sorvetes e, para beber,
é possível escolher entre os refrigerantes locais ou a cerveja
mais consumida em Curaçao, a Amstel. A cerveja holandesa é feita
com água dessalinizada, que é a mesma consumida por todos na ilha.
Isso mesmo, não há água potável em Curaçao. A água que vem do mar
passa por caldeiras que eliminam o sal e a deixam sem odor e
gosto, como se fosse potável. Não deixe também de experimentar os
drinques típicos da ilha, muitos levam o licor oficial. Um é o
Ponche Crema, um drink que mistura ovos, leite e licor.
Depois de tantas delícias, a dica é gastar tantas calorias ao
ritmo de salsa e merengue na animada casa noturna Asia de Cuba, em
Saliñas, ou tentar a sorte nos cassinos, que existem aos montes
por lá e é a vida na madrugada para muitos. Quase todos os hotéis
tem o seu próprio.