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25/JUN/07
Especial Inverno: Lugares de Aconchego
A reportagem da Agência Porto de
Notícias visitou e aprovou dois recantos de tranqüilidade: um
Santo Antonio do Pinhal (SP) e outro em Monte Verde (MG).
Conheça-os agora
Por Fernando Porto
Editor da APN
Todo turista apaixonado pelo inverno
tem um encontro marcado a cada temporada com uma região sempre
cortejada: a Serra da Mantiqueira, que se estende por três Estados
e que se caracteriza por sua paisagem verde, de montanhas altas –
acima de mil metros –, reservas ecológicas e, principalmente,
baixas temperaturas que a igualam a um destino europeu. Entre
centenas de pousadas espalhadas pela Mantiqueira, nossa reportagem
foi conferir dois perfis diferentes mas que são exemplos típicos
dessa hospedagem serrana, que une conforto, requinte e cenário
romântico ao seu redor. Saiba agora o que esperar do Jardim
Suspenso da Babilônia, (SP) São Paulo e do Kuriuwa Hotel (MG)
Terras suspensas
Hospedar-se
no chalé futurista dos “Jetsons” e participar de uma jam session
sem nunca ter tocado nenhum instrumento musical em toda sua vida.
Esse mundo idílico já existe e pode perfeitamente ser vivido por
qualquer um que se hospede no Jardim Suspenso da Babilônia. Antes
que alguém pense que o repórter tomou um porre homérico antes de
escrever, vale uma explicação dessa experiência surreal. Jardim
Suspenso da Babilônia é o nome de uma pousada, erguida
imponentemente em uma colina, na bela região de Santo Antônio do
Pinhal.
Lá, já funcionava desde 1997 o conhecido spa musical – um espaço
que recebe músicos e suas famílias para reuniões em meio à
natureza, jam sessions e até gravações em um estúdio lá montado.
Hoje, essa terapia musical sem compromisso é compartilhada com
qualquer hóspede – músico ou não – que resolva se reunir ao grupo,
sem qualquer recriminação ao som desafinado que sair da guitarra,
baixo ou bateria. É claro que, convenhamos, seria sobrenatural a
melodia sair do nada, vinda de neófitos – apesar de os
simpaticíssimos proprietários João Pinheiro e Sílvia Mazza
garantirem que a mágica acontece de vez em quando (após umas doses
a mais, brincam os dois). Sobre esse casal protagonista da
história, já falamos.
Sobre o misterioso chalé futurista dos Jetsons (se você tem pelo
menos 40 anos, sabe a que desenho se refere), trata-se do Chalé
Suspenso Maior – o destaque entre os cinco oferecidos pela pousada
– que foi construído em forma arredondada sobre um alto e sólido
tronco de madeira, praticamente uma colina maciça. O vão embaixo
da estrutura do chalé serve como alpendre coberto, com direito a
rede e churrasqueira. Mas é no interior dessa “nave espacial” de
madeira que vem a surpreendente estrutura aconchegante para um
casal em lua-de-mel ou simplesmente em busca de dias de
intimidade. São 34 metros quadrados de piso em assoalho de madeira
encerado, uma banheira de hidromassagem redonda no centro do
quarto – onde é possível assistir a um DVD lá disponível, enquanto
toma-se um vinho em suas águas borbulhantes. Há também uma - mais
do que necessária no inverno - salamandra de ferro à lenha, que
aquece muito bem ao ambiente.
Fernando Porto
O
chalé "dos Jetsons" pode até causar estranheza nas primeiras horas
por causa do balanço da estrutura em alguns movimentos mais
bruscos. Mas, após a primeira noite, vais ser difícil tirar o
casal de lá para caminhar na trilha do sítio ou para subir até o
salão social e restaurante. Não que isso seja um problema, porque
o café-da-manhã incluso na diária (almoços e jantares são à parte,
com reservas antecipadas) pode ser entregue no quarto em uma
cesta, se o hóspede preferir - e o que é melhor, no horário que
quiser.
O idealizador do Chalé Suspenso é o paulistano João César
Pinheiro, dono da propriedade e que teve a idéia a partir de seu
trabalho como engenheiro agrônomo, com o qual aprendeu a construir
casas para colonos em regiões inóspitas. Ele se autodefine como um
“pau-pra-toda-obra” porque passa o tempo inventando coisas novas
para seu “jardim suspenso”. Outra vantagem do chalé suspenso maior
é o silêncio que impera a maior parte do tempo, quebrado apenas
pelo agradável barulho da corredeira do riacho dentro da
propriedade ou pelo ronco distante de um eventual caminhão na
estrada.
Com passagens pela Alemanha - onde morou dois anos na cidade
universitária de Tübingen - e Estados Unidos – vivendo da música
–, João divide a simpatia no atendimento dos Jardins Suspensos com
sua companheira Sílvia Mazza, atriz experiente e jornalista nas
horas vagas, que traz na bagagem sete anos de vivência no exterior
em países díspares, como Inglaterra, Tailândia, Japão, Hong Kong,
Filipinas, entre outros. Aproveitando a estrutura ainda existente
do spa musical, os dois se dedicam a produções áudio-visuais,
gravam CDs para novos músicos, e desenvolvem projetos de educação
ambiental para crianças de 5 a 12 anos da região.
Para os hóspedes, as noites de sábado em seu espaço cultural são
reservadas para shows de músicos convidados e espetáculos teatrais
curtos escritos e apresentados por Sílvia. Além de novos talentos
do jazz e da MPB, já deram canja por lá músicos conhecidos como o
Duofel. Enfim, a liberdade é a filosofia da pousada, com
capacidade máxima para 14 pessoas em cinco chalés – quatro deles
com ofurô e um com hidro.
Pode não agradar quem não está disposto a caminhadas em terreno
íngreme (os hóspedes acabam usando o carro para chegar à sede no
alto da colina) ou quem detesta o contato direto com a natureza.
Mas é o lugar ideal para quem procura se desligar da correria
urbana, andar à cavalo, caminhar na mata selvagem – repleta de
animais silvestres - ouvir boa música ou, quem sabe, testar sem
vergonha seus dotes musicais num lugar que não existem vaias ou
críticas. Foi o caso do casal Jorge Mourão e Andréa Munhoz, que
estava no mesmo fim de semana que a reportagem APN, arriscando uma
“palhinha” no teclado e no atabaque, respectivamente, acompanhados
na percussão pelo casal anfitrião.
É, enfim, o paraíso imaginado pelos paulistanos Sílvia e João que,
como o rei Nabucodonosor, cultivaram ano a ano os canteiros de
seus próprios Jardins Suspensos. A diferença é que, longe da
feição carrancuda de um rei, os hóspedes encontram um atendimento
simples e bem-humorado, de uma informalidade agradável e
espontânea, como se visitássemos parentes bem próximos. O que não
deixam de ser qualidades desejadas em reis e rainhas.
* Agradecimentos ao Jardim Suspenso
da Babilônia
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Em
Monte Verde, Encantos na Hospedagem
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