|
15/SET/2006
MENS SANA, CORPORE SANA
Considerado o primeiro hotel-spa holístico do País, o Ponto de
Luz propõe ao hóspede um descanso triplo - corpo, mente e espírito
- e é procurado até por empresas
Fernando Porto e Leila
Fernanda Melo
Porto de Notícias
Junto com Shiva e Brahma, Vishnu forma trindade divina hindu e é
responsável pela manutenção do universo. Em um pequeno templo
meditativo, situado em uma área rural do interior de São Paulo, a
deidade está lá representada por uma estátua com múltiplas cabeças
e braços, auxiliando os adeptos a encontrarem a Verdade por trás
da ilusão terrena e a eliminarem os maus sentimentos que impedem o
crescimento espiritual.
Fernando Porto/APN
O
templo, uma varanda descoberta nas laterais, não recebe apenas
monges budistas e iogues tradicionais. Não é difícil encontrar no
local visitantes em roupas de jogging, com aparências bem
características de esgotados seres urbanos, tipicamente
contaminados pelo ambiente estressante das grandes empresas, do
capitalismo selvagem. Esses executivos trocam o terno e os
compromissos "inadiáveis" de suas agendas por dias de convívio
entre os colegas, com horas ininterruptas de meditação em postura
de lótus, sob a orientação de um guia iogue. E testemunhados
apenas pelos múltiplos olhos quase-vivos das cabeças de Vishnu.
O cenário descrito faz parte da rotina do Hotel Ponto de Luz,
considerado um dos pioneiros no Brasil na categoria "spa
holístico", com a premissa de garantir não apenas o descanso do
corpo, mas sim o tripé completo da filosofia holística, aliada à
mente e ao espírito. Seu sucesso como refúgio anti-stress
autêntico se moldou a partir da descoberta do local
estrategicamente ideal, a 1.200 metros de altitude, cercado pela
natureza selvagem da Serra da Mantiqueira. Ao conhecer o belo
lugar na década de 90, a terapeuta holística Libertad – hoje com o
nome adotado pela filosofia hindu de Ma Dhyan Bhavya – resolveu se
unir ao também terapeuta Sérgio Savian para erguer um pequeno
mosteiro para meditação, baseado na mesma linha rústica dos monges
budistas.
Com a decisão do sócio de seguir caminho independente logo no
início, Bhavya prosseguiu com o objetivo de criar seu próprio "shangri-lá".
O número de grupos interessados na vivência mística cresceu com o
passar dos meses até que a terapeuta resolveu consolidá-lo como
hotel-spa. Hoje, o estabelecimento recebe desde grupos organizados
de empresas, interessados em vivências motivacionais, até grupos
de casais para aprendizado do tantra ioga (a filosofia hindu de se
atingir a evolução espiritual pelo sexo). Tudo – como nossa
reportagem constatou – sem fanatismos ou imposições de crenças. Um
ótimo sinal.
A credibilidade do Ponto de Luz aumentou principalmente quando o
mestre hindu Devipuri Maharaj Dundee Baba, o Babaji, visitou o
local por dez dias no ano de 1999. A marcenaria, improvisada para
que Babaji recebesse os adeptos, acabou se transformando
posteriormente no templo em sua homenagem. A goiana Jorene Ferro,
gerente do hotel desde 1994, e mais conhecida como Jô, conta que a
estátua de Vishnu foi enviada de presente pelo próprio Babaji, da
Índia.
Hóspedes de várias cidades e Estados chegam todas as semanas em
busca de paz e vida saudável. De início, uma boa notícia: o local
não pega sinal de celular! Os quartos, com parede de tijolo à
vista, oferecem simplicidade mas sem abrir mão do conforto de uma
boa cama e chuveiro quente. Uma sacada com rede, em cada
apartamento, garante ao visitante o olhar interminável para a mata
deslumbrante. Outro deleite é poder dormir com o barulho da
cachoeira, que fica bem próxima aos quartos. Para os viciados em
tevê, um aviso: há um único aparelho, que fica em uma sala
coletiva para não incomodar o sono dos hóspedes. No corredor em
formato de meia-lua, que leva aos quartos (18 ao todo),
recipientes com essências de alecrim - e outras plantas de boas
"vibrações energéticas" - ficam queimando dia e noite para manter
o bom astral da turma. A capacidade máxima do hotel-spa é para 45
pessoas - o que garante um ambiente mais silencioso e propício.
As refeições, em sistema bufê, acompanham a filosofia do
equilíbrio e bem estar, oferecendo variações da culinária
vegetariana (todas verduras orgânicas da região) e doces da
fazenda. Para os carnívoros inveterados, há sempre uma opção de
carne branca (frango ou peixe). Ou seja, nada radical. Da mesma
forma, os hóspedes não são obrigados a fazer as vivências
coletivas. Um sino dá o aviso para o início de cada atividade.
Quem não quiser, não faz - nada de monitores gritando. Há pelo
menos duas vivências coletivas por dia, com práticas holísticas
variadas - desde a conhecida ioga até as mais ocidentais, como a
psico-dança.
Fernando Porto/APN
As
caminhadas ao ar livre são bem leves e tem mais uma
proposta de contato com a natureza do que forçar o corpo.
Contemplam-se nascentes, cachoeiras e a bela paisagem típica da
comunidade rural. Na infra-estrutura de lazer, o Ponto de Luz
conta com uma piscina ao ar livre e uma quadra de vôlei. Há também
uma piscina coberta aquecida para a prática terapêutica de watsu
(uma massagem aquática anti-stress) mas que é liberada para uso
geral nos horários vagos.
As terapias corporais - pagas à parte ou em pacotes semanais – são
todas originárias das medicinas oriental e naturalista, assim como
a aromaterapia e a fitoterapia. Além do já citado watsu, o
hotel-spa dispõe de acupuntura, integração craniossacral,
aplicação de pedras quentes, cromopuntura (método suíço de
aplicação de luz e cor), e banhos terapêuticos – ofurô, de ervas,
rosas ou escalda-pés. Para quem necessita de uma erva específica
para tratamento de saúde, o Ponto de Luz conta com seu próprio
herbário orgânico. Outras atividades são os cursos de culinária
vegetariana e a Oficina de Pães – que propõe uma experiência
sensorial relaxante e produtiva. Já as vivências no templo são
para grupos fechados de empresas ou para inscrições individuais e
chegam a custar R$ 715 por pessoa, em um fim de semana. "Esse
programa se chama Ser Em Evidência e é muito usado por empresas
para treinamento de lideranças e integração de grupos. É um
workshop de meditação intensiva sob nossa orientação", explica Jô.
Há também palestrantes convidados para abordar outras ciências
holísticas, como a quirologia védica, iridologia, astrologia,
entre outras. Em um dos fins de semana, por exemplo, a quiróloga
Conceição Trucom deu palestra sobre seu trabalho. Os hóspedes
podem inclusive agendar consultas no local (pagas à parte, cerca
de R$ 100 em média, por pessoa). Jô define o Ponto de Luz como uma
casa ecumênica, onde é possível conviver harmonicamente monges
zen-budistas, xamãs e até psiquiatras. Tudo em nome do equilíbrio
corpo-mente-espírito de cada visitante. São poucos, mas
inesquecíveis os dias nos quais o ser urbano pode "calar" sua
mente, esquecer os problemas e buscar força interior para superar
os obstáculos da vida. Pensando bem, não é pouco para quem vive na
paranóia eterna de uma metrópole.
As refeições, em sistema bufê, acompanham a filosofia do
equilíbrio e bem estar, oferecendo variações da culinária
vegetariana (todas verduras orgânicas da região) e doces da
fazenda. Para os carnívoros inveterados, há sempre uma opção de
carne branca (frango ou peixe). Ou seja, nada radical. Da mesma
forma, os hóspedes não são obrigados a fazer as vivências
coletivas. Um sino dá o aviso para o início de cada atividade.
Quem não quiser, não faz - nada de monitores gritando. Há pelo
menos duas vivências coletivas por dia, com práticas holísticas
variadas - desde a conhecida ioga até as mais ocidentais, como a
psico-dança.
<<
Voltar |