Os diretores de três agências da ONU com
sede em Roma, na Itália, apelaram aos líderes do G8 que aumentem
os esforços na luta contra a fome, na terça 08 de julho, durante
cúpula, no Japão.
Numa declaração conjunta, a Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, o Fundo
Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida e o Programa
Mundial de Alimentos, PMA, pediram aos líderes do grupo dos sete
países mais industrializados do mundo, acrescido da Rússia, que
dediquem uma fatia mais significativa da ajuda ao desenvolvimento
ao setor rural e agrícola.
Josette Sheeran, diretora-executiva do PMA,
Jacques Diouf, diretor-geral da FAO e Lennart Bage, presidente do
Fida afirmam que o declínio nos investimentos agrícolas nos
últimos 30 anos é uma das razões para a atual crise alimentar.
Segundo a declaração emitida, a luta
contra a fome passaria pelo lançamento de uma nova revolução
verde, designada como dupla revolução verde, com o objetivo de
duplicar a produção alimentar até 2050. O documento cita ainda a
necessidade de adaptação dos sistemas agrícolas aos efeitos das
mudanças climáticas.
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon,
afirmou que o mundo está enfrentando várias crises, de forma
simultânea. A crise dos alimentos, os desafios do aquecimento
global e o combate à pobreza são alguns dos temas mais urgentes
para o mundo.
Ban fez a declaração num artigo de jornal
para marcar o encontro de cúpula do Grupo dos Sete Países mais
Industrializados do Mundo acrescido da Rússia, G8, em Hokkaido, no
Japão.
O Secretário-Geral da ONU disse que é hora
de ação e que qualquer medida para enfrentar o problema deve ir
além do encontro do G8. Para Ban Ki-moon, é preciso dobrar a ajuda
de desenvolvimento à África até 2010.
Se nada for feito para combater a crise
dos alimentos, mais 100 milhões de pessoas poderão ser lançadas na
pobreza extrema aumentando o número de famintos no mundo para
quase 1 bilhão de pessoas.
Combate a Fome
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, também durante o
encontro do G8 no Japão, disse que o grupo precisa levar esperança
e comida a quem não tem.
O presidente do Banco Mundial disse que os
líderes do G8 precisam usar a reunião para levar adiante ações de
combate à crise alimentar mundial. Para ser bem-sucedida, a
globalização tem que ser inclusiva e sustentável. Segundo ele,
mais do que nunca, o mundo precisa proteger os mais fracos.
Zoellick também pediu à Assembléia Geral
da ONU que adote uma resolução pondo fim às restrições impostas às
compras do Programa Mundial de Alimentos, PMA.
Segundo ele, o fundo tem arrecadado cerca de US$ 3 bilhões por
ano, o equivalente a R$ 4,8 bilhões, em contribuições voluntárias,
mas deve precisar do dobro da quantia neste ano por causa da crise
alimentar.
Para ele, a saída está no aumento de
investimentos nos setores agrícolas dos países em desenvolvimento,
principalmente os do continente africano.
Paralelo ao encontro do G8, ocorre o
Júnior 8, um grupo de crianças e jovens de todos os países
representados na reunião, mas também de nações que não pertencem
ao G8, como por exemplo o Brasil.
O J-8 é apoiado pelo Fundo das Nações
Unidas para a Infância, Unicef. A consultora do Unicef, Elisa
Calpona, disse à Rádio ONU em Nova York que a iniciativa tem
inspirado mais participação política entre crianças e jovens. O
encontro do J-8 produz uma declaração com pedidos e recomendações
que deve ser entregue aos líderes mundiais do G8.
Redução de CO2 em 50%
Na terça, 08 de julho, o G8 se comprometeu a reduzir em 50% as
emissões de CO2 até 2050. Para atingir essa meta, os líderes dos
países mais ricos do mundo, que têm posições diferentes sobre a
luta contra o aquecimento global, pediram cooperação dos também
dos maiores emissores de CO2, segundo o primeiro-ministro japonês,
Yasuo Fukuda.
"Reconhecemos que as economias mais
desenvolvidas diferem das economias em desenvolvimento, por isso
as nações mais industrializadas iniciarão objetivos ambiciosos a
médio prazo para conseguir reduções absolutas de emissões e,
quando for possível, paralisar o aumento das emissões segundo as
circunstâncias de cada país" traz o comunicado do G8.
Pela primeira vez, Estados Unidos
aceitaram uma meta de redução de gases efeito estufa, depois que
país não aderiu ao Protocolo de Kioto, que expira em 2012.
Economias crescentes como a China e a Índia produzem cerca de um
quarto das emissões. Mas os países dizem que só vão aceitar metas
de reduções caso nações ricas, principalmente os EUA, também o
façam.