O presidente da Comissão Européia, Durão
Barroso, defendeu nesta sexta, 13 de junho, em Bruxelas que o
Tratado de Lisboa "ainda está vivo" e que o processo de
ratificação deve prosseguir, apesar da vitória do "não" no
referendo na Irlanda.
De acordo com todas as projeções, o "não"
triunfou no referendo realizado no país, a única consulta entre os
27 ao Tratado de Lisboa, que, para entrar em vigor a 01 de Janeiro
de 2009, como previsto, precisa de ser ratificado sem excepção por
todos os Estados-membros.
Lembrando que o Tratado foi assinado pelos
27 Estados-membros, em Dezembro passado em Lisboa, e que 18 países
já o ratificaram, José Manuel Durão Barroso disse que o resultado
negativo da consulta popular na Irlanda é agora "uma
responsabilidade conjunta" de todos.
Durão Barroso apontou que os líderes
europeus vão encontrar-se na próxima semana - numa Cimeira
agendada para 19 e 20 de junho, em Bruxelas - e defendeu que essa
é a altura certa para, em conjunto, analisarem o que o "não"
representa e o que deve ser feito a seguir.
"Dezoito (Estados-membros) já aprovaram (o
Tratado), um votou contra, devemos continuar o processo de
ratificação e encontrar uma resposta colectiva", resumiu o
presidente do executivo comunitário, numa conferência de imprensa.
Apesar de defender repetidas vezes a idéia
da "responsabilidade conjunta" e de um "espírito de cooperação"
entre os 27 para tentar encontrar uma solução, Barroso admitiu que
a Irlanda tem uma responsabilidade especial pelo impasse agora
criado.
"Quando um governo assina um Tratado, isso
coloca-o também numa posição de responsabilidade perante os
outros. Vamos ver que sugestões o primeiro-ministro irlandês Brian
Cowen traz" à Cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 27,
disse o presidente da Comissão.
Apontando que já teve oportunidade de
falar com Cowen, Barroso disse que o chefe de governo irlandês
"deixou bem claro que este voto não deve ser visto como um voto
contra a União Europeia" e que também se manifestou convicto de
que "o Tratado de Lisboa não morreu" com o triunfo do "não" na
consulta irlandesa. "Acredito que a Irlanda continua empenhada em
construir uma Europa forte e a desempenhar um papel ativo na União
Européia", afirmou.
Sucesso da presidência portuguesa na UE
O Tratado Lisboa, que os irlandeses rejeitaram segundo as últimas
projeções, foi o maior sucesso da presidência portuguesa da União
Européia no segundo semestre de 2007 e desde sempre apontado por
Lisboa como a sua grande prioridade.
Os chefes de Estado e de Governo dos 27
assinaram no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, a 13 de Dezembro
do ano passado, há precisamente seis meses, com toda a "pompa e
circunstância", o Tratado Reformador, mais conhecido como o
Tratado de Lisboa, substituto do fracassado projeto de
Constituição Européia.
O Tratado de Lisboa visa melhorar a
eficácia do funcionamento de um bloco com quase três dezenas de
países e reforçar o seu peso político e diplomático no Mundo
globalizado.
O oficialmente designado Tratado
Reformador da UE foi concebido também para aumentar a coerência
política, a legitimidade e a transparência democrática de um bloco
comunitário único no Mundo, bem como para aproximar a sua
população - mais de 450 milhões de habitantes - do funcionamento
das suas instituições decisórias.
As alterações relativamente ao anterior
projeto de Tratado Constitucional (ou Constituição Européia) não
são muitas e a maior parte tem um valor sobretudo simbólico, como
o abandono da referência a um hino e à bandeira da União Européia,
e a denominação do responsável pela Política Externa Comum da UE,
que deixa de se chamar "ministro dos Negócios Estrangeiros",
passando a ser designado por "Alto Representante".