|
Estela Silva/Lusa
Portugal

>> O Presidente da República, Cavaco Silva durante a
sessão solene comemorativa do 10 de Junho- Dia de Portugal, de
Camões e das Comunidades Portuguesas, 10 de Junho de 2008, em
Viana do Castelo. |
O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco
Silva, declarou na terça-feira 10 de junho, Dia de Portugal,
Camões e Comunidades Portuguesas, que Portugal não está tirando o
máximo proveito do "universalismo tipicamente português" no mundo
da globalização.
Em seu discurso na sessão solene alusivo à
data, realizado na cidade de Viana do Castelo, Cavaco Silva
considerou que o valor atribuído ao "universalismo português" no
plano internacional depende do crédito conquistado pela política
interna do país.
"Temos de começar por ser exigentes e
rigorosos conosco se queremos que o imenso patrimônio que herdamos
e de que, justificadamente, nos orgulhamos se transforme num
verdadeiro instrumento a serviço do progresso e da prosperidade do
nosso povo", afirmou Cavaco Silva.
Para Cavaco Silva, "urge investir" na rede
diplomática e consular portuguesa, para que ela possa exercer
papel "fundamental" na promoção e defesa dos interesses políticos,
econômicos e culturais de Portugal, além de apoiar as empresas
portuguesas fora do país e os emigrantes lusos.
O presidente defendeu que é necessário
"aproveitar a influência", apoiar a inserção política e valorizar
a capacidade empreendedora" dos cerca de cinco milhões de
portugueses que vivem fora de Portugal, assim como "continuar
apoiando" a internacionalização das empresas portuguesas, "também
nos países que elas escolhem como destino”.
Cavaco Silva citou como um bom exemplo da
utilização do "universalismo português" os "sinais de que uma nova
geração de empresários começa a moldar-se no mercado global",
criando ou reformulando empresas competitivas.
O líder português também citou o Tratado
de Lisboa, documento alcançado durante o mandato português na
Presidência da União Européia, que "representa uma inequívoca
vitória da diplomacia [lusa] e é um instrumento decisivo para a
saída do relativo impasse que ameaçava a construção européia" após
a rejeição da Constituição do bloco em referendos realizados na
França e na Holanda, em 2005.
Para Cavaco Silva, também levam, "bem
nítidas, as impressões digitais portuguesas" os avanços no
relacionamento da União Européia com outras forças do mundo,
representados pelas cúpulas com Brasil, Índia, China, Rússia,
Ucrânia, África e Asean.
"Atrevo-me a pensar que tal sucesso não
seria possível se não fosse a nossa facilidade de interlocução e
os laços especiais que nos unem a tantos povos, em particular
àqueles que têm o português como língua oficial e com os quais
partilhamos uma profunda afinidade”, disse Cavaco Silva.
O presidente considerou "importante" que
se definam, na próxima cúpula da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP), estratégias de atuação conjunta entre os países
lusófonos para a promoção do idioma.
"Os mais de 200 milhões de falantes do
português, dispersos um pouco por todo o mundo, já seriam
suficientes para justificar uma ação coordenada dos oito Estados
lusófonos, tendo em vista a valorização, no quadro internacional,
desse patrimônio que é a língua comum”, sublinhou.