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Mundo Lusíada

>> Deputado José Cesário, em almoço na sede do Banco
Banif em São Paulo |
O deputado do PSD, o português José
Cesário, esteve em São Paulo durante uma rápida passagem pelo
Brasil. Em entrevista ao Mundo Lusíada, Cesário disse que as
constantes viagens às comunidades portuguesas no mundo se traduzem
num maior conhecimento dos problemas enfrentados pelos imigrantes.
Citou por exemplo questões que se transformaram em projetos de lei
em matérias como a extensão da nacionalidade para netos de
portugueses, e lamentou não poder ouvir os mais necessitados que
estão distantes das associações ou não se aproximam da política.
Em resultado desta viagem à São Paulo,
levará um assunto referente ao apoio que “não veio” do governo
luso para a Provedoria da Comunidade Portuguesa de São Paulo. Além
da busca por um “relato fiel da realidade”, Cesário aproveita os
deslocamentos para outras ações como a relação política entre
órgãos do Estado de acolhimento, e com empresas e associações.
Após visitar São Paulo, o deputado seguiu
para a capital Buenos Aires para manter contato do “mais alto
nível” com o governo argentino, e também na qualidade de
presidente do Grupo Parlamentar da Amizade Portugal-Argentina. A
agenda previa ainda Montevidéu, no Uruguai. No Brasil, o deputado
participou da sessão solene na Assembléia Legislativa de SP, e
ainda esteve com a comunidade de Santos, e participou da festa de
aniversário da Casa de Portugal da Praia Grande.
Confira a entrevista ao Mundo Lusíada,
onde o deputado relata as principais questões sobre a comunidade
luso-brasileira.
Visita a São Paulo
“Esta visita insere-se no programa de visitas que normalmente
realizo junto das diversas comunidades portuguesas no Círculo Fora
Europa. Desta vez vim a São Paulo e procuro com essas visitas
acompanhar os problemas que vão existindo nesta ou aquela
comunidade, que, embora pareçam todos iguais, não são”.
Problemas da diáspora no Parlamento
“Temos que identificar questões principais e depois na Assembléia
termos iniciativas sobre ponto de vista legislativo que respondam
esses problemas. (...)Por outro lado temos que desenvolver a
função fiscalizadora da função do governo. E por isso, nessas
deslocações também procuro ver problemas com que portugueses se
confrontam na relação com os órgãos da nossa admnistração pública.
Ao chegar em Portugal, confronto o governo com estes problemas”.
A comunidade no Brasil: tradicional,
descendente e de negócios
“Temos uma comunidade constituída por portugueses que vieram há
mais de 30 anos, alguns casos há 50 ou 60 anos, que tem suas
empresas e outros que passam por dificuldades. Temos os filhos
deles, querendo ou não, são portugueses que nasceram no Brasil,
normalmente detentores de dupla nacionalidade, muitos deles ainda
não pediram a nacionalidade portuguesa mas tem um perfil
completamente diferente. Em regra, não vão às associações, são de
caráter regionalista. Temos portugueses que vieram nos últimos 5/6
anos e há dois tipos. Há a comunidade de negócios que está
radicada em São Paulo, constituído por empresários, funcionários
de empresas, que tem uma vida muito própria, alguns interagindo
com a comunidade tradicional. E temos muitos outros que estão
localizados no estado do Nordeste sobretudo em Rio Grande do
Norte, Ceará, pessoas que estão a abrir pequenos negócios. Isso
são realidades diferenciadas e que tem seus problemas. Os homens
de negócio são essenciais por exemplo para desenvolvimento da
nossa diplomacia econômica e até cultural. A comunidade mais
tradicional é muito importante para afirmação da nossa alma
lusitana, nossa cultura portuguesa aqui no Brasil.
Independentemente da mesma língua, há especificidades culturais
que devemos afirmar de forma a complementar a cultura brasileira”.
Reestruturação e Consulado de Santos
“O atual governo tomou um conjunto de decisões em relação a rede
consular que, não a alguns casos, são extremamente negativas quer
a Portugal quer aos portugueses que aqui estão. Um caso concreto é
extinção do Consulado em Santos, aliás já disse em Santos e vou lá
repetir, é uma questão que vou defender sempre, a reabertura
daquela estrutura como Consulado ou como vice-Consulado. Não acho
aceitável para uma comunidade daquele por um lado, e por outro, é
bom não esquecer que Santos está a ter uma atividade econômica
neste momento extremamente assinalada, as últimas descobertas de
petróleo na Bacia de Santos estão a implicar já um aumento do
valor do próprio patrimônio imobiliário, isto vai implicar a
fixação de portugueses, e portanto acho que deveria ter ali uma
estrutura consular. Isto é válido para outras zonas do Brasil,
também me parece errado anunciar o fecho de Consulados como
Curitiba, uma das zonas economicamente mais dinâmicas do Brasil,
em Recife, e Belém do Pará, onde temos uma presença
significativa”.