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Terça-feira | 06 MAI 08

25 Abril em Lisboa
Presidente impressionado com ignorância dos jovens sobre “Dia
da Liberdade”

Estudo questionou qual o número de Estados da UE, quem foi o primeiro presidente eleito após o 25 de Abril e se o PS dispunha de maioria no Parlamento. Metade dos jovens não responderam uma única questão corretamente.

Do Jornal Mundo Lusíada

Manuel de Almeida/LusaPortugal

CRAVO >> Manifestação comemorativa do 25 de Abril que decorreu em 25 de Abril de 2008, entre o Marquês do Pombal e o Rossio, Portugal.

Em solenidade que marcou o 25 de Abril em Portugal, o presidente da república Cavaco Silva mostrou-se “impressionado” com a ignorância de muitos jovens sobre o significado da data e denunciou uma "notória insatisfação" dos portugueses com o funcionamento da democracia.

Em seu discurso na sessão comemorativa da Revolução dos Cravos, no Parlamento em Lisboa, Cavaco Silva divulgou extratos de um estudo que mandou realizar sobre o conhecimento da juventude face à política, e atribuiu parte da responsabilidade do resultado negativo aos partidos políticos.

O presidente considerou "não ser justo" para aqueles que se bateram pela liberdade, tantas vezes arriscando a própria vida, que a geração responsável por manter viva a memória de Abril persista em esquecer que a revolução foi um projeto de futuro.

“Os mais novos, sobretudo, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem afirmações que surpreendem pela ignorância de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário”, declarou.

Cavaco Silva recordou que, quando o 25 de Abril ocorreu, uma parcela substancial da população não tinha ainda nascido e lamentou que quem viveu a revolução tenha a tendência para não se lembrar disso, julgando que essa data, fixada no tempo, possui uma perenidade eterna, acrescentando “não ser saudável que a nossa democracia despreze o seu código genético e as promessas que nele estiveram inscritas”.

Para o Chefe de Estado, se os jovens não se interessam pela política é porque a política não é capaz de motivar o interesse dos jovens. Cavaco foi claro ao declarar que os partidos políticos "possuem responsabilidades muito claras no combate ao alheamento" dos jovens pela vida pública. Segundo ele, isso deve-se, em boa medida, por não ter havido esforço necessário para a credibilização da vida política que "não dispensa algo de muito simples que é ouvir o povo e falar-lhe com verdade”.

25 de Abril continua
Cavaco destacou que "ainda há um longo caminho a percorrer" naquilo que o 25 de Abril continha em termos de ambição de uma sociedade mais justa, no que exigia de maior empenhamento cívico dos cidadãos, e naquilo que implicava de uma nova atitude da classe política.

Segundo ele, a data “não é monopólio de uma geração nem de uma força política” e sublinhou ter encontrado, de Norte a Sul do país, sinais promissores, embora reconheça que não se tem conseguido mobilizar os jovens para um envolvimento mais ativo.

O Chefe de Estado fez eco da “notória insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia, assim como a existência de atitudes favoráveis a reformas profundas na sociedade portuguesa”. E divulgou, aos deputados e convidados da sessão solene, seu intuito de promover em breve um encontro com representantes de organizações de juventude, para colher opiniões sobre o distanciamento dos jovens em relação à política e medidas que possam contribuir para inverter esta situação.

Defendendo que todos se concentrassem no que poderá ser feito no presente, Cavaco Silva disse que “o futuro começa agora”. “Ao invés de imaginar o dia de amanhã, em lugar de procurarmos sinais nas estrelas de um futuro incerto, construamos hoje mesmo o que queremos para um Portugal melhor”.

Jovens desconhece história
Jjovens de 15 à 17 anos desconhecem o primeiro presidente eleito depois do 25 de Abril. Cavaco Silva considerou a situação “demasiado séria” e partilhou os resultados desse estudo sobre atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal realizado, a seu mando, pela Universidade Católica.

Além destes, os jovens adultos entre 18 e 29 anos (nascidos após o 25 de Abril), são a camada etária que se mostra mais favorável à introdução de reformas incrementais e limitadas na sociedade. O estudou mostrou ainda que os jovens estão menos expostos à informação política pelos meios convencionais de comunicação do que os restantes segmentos da população e apresentam mais baixos níveis de conhecimentos políticos.

Os portugueses são ainda favoráveis a presença das mulheres na vida política, criação de novos mecanismos de participação e maior personalização do sistema eleitoral. O presidente sublinhou que, já em 2004, os portugueses se contavam entre os europeus e os cidadãos de países desenvolvidos com pior avaliação do funcionamento da democracia, e desde lá, a "insatisfação e o pessimismo" cresceram de forma sensível.

O estudo trouxe três perguntas simples: qual o número de Estados da União Européia, quem foi o primeiro presidente eleito após o 25 de Abril e se o Partido Socialista dispunha ou não de uma maioria absoluta no Parlamento. Metade dos jovens entre 15 e 17 anos e um terço dos entre 18 e 29 anos não responderam uma única questão corretamente. “No dia em que comemoramos solenemente o 34º aniversário do 25 de Abril, numa cerimônia todos os anos repetida, somos obrigados a pensar se foi este o futuro que sonhamos”, sublinhou. Com Agencia Lusa

 

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