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Manuel de
Almeida/LusaPortugal

CRAVO >> Manifestação comemorativa do 25 de Abril
que decorreu em 25 de Abril de 2008, entre o Marquês do Pombal
e o Rossio, Portugal. |
Em solenidade que marcou o 25 de Abril em
Portugal, o presidente da república Cavaco Silva mostrou-se
“impressionado” com a ignorância de muitos jovens sobre o
significado da data e denunciou uma "notória insatisfação" dos
portugueses com o funcionamento da democracia.
Em seu discurso na sessão comemorativa da
Revolução dos Cravos, no Parlamento em Lisboa, Cavaco Silva
divulgou extratos de um estudo que mandou realizar sobre o
conhecimento da juventude face à política, e atribuiu parte da
responsabilidade do resultado negativo aos partidos políticos.
O presidente considerou "não ser justo"
para aqueles que se bateram pela liberdade, tantas vezes
arriscando a própria vida, que a geração responsável por manter
viva a memória de Abril persista em esquecer que a revolução foi
um projeto de futuro.
“Os mais novos, sobretudo, quando
interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem
afirmações que surpreendem pela ignorância de quem foram os
principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao
que era viver num regime autoritário”, declarou.
Cavaco Silva recordou que, quando o 25 de
Abril ocorreu, uma parcela substancial da população não tinha
ainda nascido e lamentou que quem viveu a revolução tenha a
tendência para não se lembrar disso, julgando que essa data,
fixada no tempo, possui uma perenidade eterna, acrescentando “não
ser saudável que a nossa democracia despreze o seu código genético
e as promessas que nele estiveram inscritas”.
Para o Chefe de Estado, se os jovens não
se interessam pela política é porque a política não é capaz de
motivar o interesse dos jovens. Cavaco foi claro ao declarar que
os partidos políticos "possuem responsabilidades muito claras no
combate ao alheamento" dos jovens pela vida pública. Segundo ele,
isso deve-se, em boa medida, por não ter havido esforço necessário
para a credibilização da vida política que "não dispensa algo de
muito simples que é ouvir o povo e falar-lhe com verdade”.
25 de Abril continua
Cavaco destacou que "ainda há um longo caminho a percorrer"
naquilo que o 25 de Abril continha em termos de ambição de uma
sociedade mais justa, no que exigia de maior empenhamento cívico
dos cidadãos, e naquilo que implicava de uma nova atitude da
classe política.
Segundo ele, a data “não é monopólio de
uma geração nem de uma força política” e sublinhou ter encontrado,
de Norte a Sul do país, sinais promissores, embora reconheça que
não se tem conseguido mobilizar os jovens para um envolvimento
mais ativo.
O Chefe de Estado fez eco da “notória
insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia,
assim como a existência de atitudes favoráveis a reformas
profundas na sociedade portuguesa”. E divulgou, aos deputados e
convidados da sessão solene, seu intuito de promover em breve um
encontro com representantes de organizações de juventude, para
colher opiniões sobre o distanciamento dos jovens em relação à
política e medidas que possam contribuir para inverter esta
situação.
Defendendo que todos se concentrassem no
que poderá ser feito no presente, Cavaco Silva disse que “o futuro
começa agora”. “Ao invés de imaginar o dia de amanhã, em lugar de
procurarmos sinais nas estrelas de um futuro incerto, construamos
hoje mesmo o que queremos para um Portugal melhor”.
Jovens desconhece história
Jjovens de 15 à 17 anos desconhecem o primeiro presidente eleito
depois do 25 de Abril. Cavaco Silva considerou a situação
“demasiado séria” e partilhou os resultados desse estudo sobre
atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal
realizado, a seu mando, pela Universidade Católica.
Além destes, os jovens adultos entre 18 e
29 anos (nascidos após o 25 de Abril), são a camada etária que se
mostra mais favorável à introdução de reformas incrementais e
limitadas na sociedade. O estudou mostrou ainda que os jovens
estão menos expostos à informação política pelos meios
convencionais de comunicação do que os restantes segmentos da
população e apresentam mais baixos níveis de conhecimentos
políticos.
Os portugueses são ainda favoráveis a
presença das mulheres na vida política, criação de novos
mecanismos de participação e maior personalização do sistema
eleitoral. O presidente sublinhou que, já em 2004, os portugueses
se contavam entre os europeus e os cidadãos de países
desenvolvidos com pior avaliação do funcionamento da democracia, e
desde lá, a "insatisfação e o pessimismo" cresceram de forma
sensível.
O estudo trouxe três perguntas simples:
qual o número de Estados da União Européia, quem foi o primeiro
presidente eleito após o 25 de Abril e se o Partido Socialista
dispunha ou não de uma maioria absoluta no Parlamento. Metade dos
jovens entre 15 e 17 anos e um terço dos entre 18 e 29 anos não
responderam uma única questão corretamente. “No dia em que
comemoramos solenemente o 34º aniversário do 25 de Abril, numa
cerimônia todos os anos repetida, somos obrigados a pensar se foi
este o futuro que sonhamos”, sublinhou.
Com Agencia Lusa