Diante do problema enfrentado por turistas
na entrada de estrangeiros no país, os governos da Espanha e
Brasil chegaram a um acordo para a troca de agentes que trabalham
nas fronteiras, em 1º de abril.
A medida foi acordada em Madri, em uma
reunião de alto nível entre representantes dos dois governos, que
aprovaram ainda o intercâmbio de informação sobre critérios de
entrada no Brasil e na Espanha, bem como sua máxima difusão.
Segundo o comunicado enviado à Agência
Lusa, os dois países estabelecerão um "sistema de comunicação
especial e ágil através de um procedimento de linha direta entre
as autoridades consulares e competentes das duas partes em
assuntos de fronteira".
Para paliar problemas na entrada nos dois
países, prevê-se mais cooperação policial e "a possibilidade de
que funcionários policiais de ambos os países colaborem in loco
com os seus homólogos".
O encontro, "marcado pelo alto nível de
confiança", segundo a nota divulgada, "diversas questões
relacionadas com os requisitos de entrada, tanto no espaço
Schengen [União Européia], de que Espanha faz parte, como no
Brasil".
Foram analisadas a "inadmissão de cidadãos
de ambos os países nas respectivas fronteiras e as condições de
estadia em dependências aeroportuárias" dos que foram barrados.
Os dois governos decidiram estabelecer
"medidas para aperfeiçoar os mecanismos de controle migratório",
cumprindo as normativas dos dois países, mas com "as máximas
garantias para os viajantes, melhorando a situação dos não
admitidos nos aeroportos".
Haverá reuniões regulares entre as
autoridades migratórias, que analisarão a aplicação das medidas
acordadas e dos eventuais problemas.
No que toca aos cidadãos barrados, ambos
os países analisaram "as condições referentes a assistência
jurídica, manutenção, higiene, comunicação e acesso a malas".
Também serão instalados caixas eletrônicos
na zona de controle migratório, para que os viajantes possam ter
acesso a dinheiro, e será dada a oportunidade para que os
estrangeiros comprem bilhetes de volta na companhia aérea que
desejarem.
As medidas acordadas ecoam o otimismo com
que ambas as delegações partiram para a reunião, que pretendia
minimizar a polêmica em torno das repatriações de brasileiros que
chegaram na Espanha e as recíprocas com os espanhóis no Brasil.
A delegação espanhola foi chefiada pela
subsecretária de Assuntos Exteriores, María Jesús Figa,
acompanhada pelos diretores-gerais para a Ibero-América e de
Assuntos Consulares e por representantes dos ministérios do
Interior e do Trabalho e Assuntos Sociais.
A delegação brasileira foi liderada pelo
subsecretário para as Comunidades Brasileiras no Exterior, o
embaixador Oto Maia, e incluía ainda o ministro Eduardo Gradilone,
diretor do departamento consular do Itamaraty.
Os brasileiros foram o segundo grupo com
maior número de repatriações no ano passado no aeroporto de Madri
- um total de 2.764 -, mas a Espanha nega que os cidadãos do
Brasil sejam tratados de forma discriminatória.
Reagindo às repatriações, o Brasil
endureceu seu controle e aplicou, nos últimos meses, "medidas de
reciprocidade" a cidadãos espanhóis que tentaram entrar no país.