O novo presidente do Conselho das Câmaras
Portuguesas de Comércio no Brasil, Rômulo Alexandre Soares,
defendeu que os dois países devem tirar vantagem do idioma comum
no processo de aproximação entre o Mercosul e a União Européia.
"Nesta aproximação dos dois blocos,
Portugal não deve perder espaço frente às outras câmaras européias
no Brasil", alertou Rômulo Alexandre Soares, na noite que tomou
posse na embaixada de Portugal, em Brasília, 28 de fevereiro.
O novo presidente do Conselho das Câmaras,
que substitui António Carrelhas, disse à Agência Lusa que Portugal
e Brasil não devem se limitar ao comércio bilateral.
"Portugal e Brasil devem se considerar
agentes do comércio multilateral em termos de blocos econômicos.
As Câmaras Portuguesas e seus empresários querem ser agentes de
diplomacia econômica e devemos explorar mais o fato de falarmos o
mesmo idioma", destacou Soares à Lusa.
A língua comum, que reduz
significativamente os custos de uma transação comercial, será o
tema do próximo encontro empresarial luso-brasileiro, promovido
pelo Conselho das Câmaras, que acontecerá em Fortaleza, no segundo
semestre de 2009.
O encontro "Fazendo negócios na língua
portuguesa" visa promover a integração não apenas luso-brasileira,
mas ampliar a possibilidade de negócios aos demais Estados-membros
da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A nova direção do conselho inclui ainda os
presidentes das câmaras da Bahia e de Minas Gerais, Eduardo Salles
e Raul Penna, na primeira e na segunda vice-presidências,
respectivamente.
A posse de Rômulo Soares, um jovem
empreendedor português de 36 anos, natural de Moçambique, ocorreu
após encontro entre representantes das dez Câmaras Portuguesas de
Comércio existentes no Brasil - Rio de Janeiro, São Paulo, Minas
Gerais, Pará, Pernambuco, Ceará, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul
e Brasília.
A cerimônia na embaixada marcou também a
posse do presidente da nova Câmara de Comércio Portuguesa de
Brasília, Fernando Brites, que agradeceu o empenho do embaixador
de Portugal, Seixas da Costa, para esta iniciativa.
"Brasília tem toda a vocação para ser o
centro econômico da América Latina. Já somos o oitavo PIB
brasileiro e temos um parque tecnológico que exporta para todos os
continentes", afirmou o responsável.
Brites disse ainda contar com a parceria
da companhia aérea TAP para exportar os produtos para o mercado
europeu. "Brasília vai anunciar, nos próximos dias, um pólo de
produção de flores. E podemos contar com o vôo da TAP que sai de
Brasília de 'barriga vazia', só carregando malas, para exportar
esses produtos".