A nova Lei da Nacionalidade em Portugal,
de atribuição e aquisição da nacionalidade, permite que os filhos
dos imigrantes nascidos em Portugal se tornem portugueses. Em
dezembro último a lei completou um ano em vigor, com mais de 14
mil processos aprovados. A lei é
“inclusiva” e simplifica processos, segundo o alto-comissário
português para a Imigração, Rui Marques. “O balanço que fazemos da
Lei da Nacionalidade neste primeiro ano de aplicação é um balanço
muito positivo. Prova disso são os mais de 14 mil processos que
foram decididos favoravelmente”, disse Marques à Agência Lusa.
De acordo com o alto-comissário, desde que
a nova lei entrou em vigor, em 15 de dezembro de 2006, o acesso à
nacionalidade portuguesa “tornou-se mais fácil”. “Isto sinaliza
que a nova Lei da Nacionalidade é uma lei inclusiva e que o
objetivo de criar uma lei mais ágil e mais adequada à realidade
resultou”.
Com a nova lei, a nacionalidade portuguesa
também é concedia a imigrantes de segunda geração, caso o
progenitor se encontre em situação legal em Portugal há pelo menos
cinco anos, além da terceira geração de imigrantes, desde que
tenham um progenitor nascido em
Portugal.
Alterações
Segundo Rui Marques, ainda há aspectos que “podem ser melhorados”,
como as questões relacionadas com a prova de conhecimento da
língua portuguesa para aquisição da nacionalidade para analfabetos
ou deficientes. Nos termos da nova lei, o governo português
concede a nacionalidade portuguesa, por naturalização, aos
estrangeiros que, entre outros requisitos, demonstrem conhecer
suficientemente a língua portuguesa. “Isto é um aspecto que o
Ministério da Educação irá resolver com certeza. Esperamos que
seja muito em breve”, afirmou Marques.
O membro do Conselho Consultivo sobre
Imigração, Timóteo Macedo, disse à Agência Lusa que a vontade de
resolver este tipo de problema “já tinha sido expressa, mas que
até agora nada foi feito”. Segundo Macedo, outro problema é o
tempo que muitos dos imigrantes com direito a pedir a
nacionalidade têm de esperar para poderem realizar as provas de
português, especialmente “entre a marcação e a realização da
prova”, que chega a ser seis meses.
Requisições
Desde a entrada em vigor da lei de atribuição e aquisição da
nacionalidade até novembro de 2007 foram registrados 35.347
pedidos de nacionalidade, mais do triplo de 2005, indicam dados
fornecidos pelo Ministério português da Justiça.
Destes pedidos, um total de 14.446 foram
deferidos favoravelmente, 205 obtiveram resposta negativa e cerca
de 18 mil processos aguardam resposta dos diversos serviços. Dos
14.446 processos favoráveis, a nacionalidade portuguesa já foi
formalmente atribuída a 10.686 pessoas, sendo que os restantes
pedidos favoráveis (3.760) aguardam a sua inscrição no registro.
Os cidadãos de Cabo Verde estão no topo
dos pedidos de nacionalidade, seguido por Brasil, Angola e
Guiné-Bissau. As quatro nacionalidades de origem representam cerca
de 50% do total dos requerentes.