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André Kosters/Lusa

COMUNICADO >> O
Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, durante a
comunicação ao país de Ano Novo 2008, no Palácio de Belém, 01
de Janeiro de 2008 |
O presidente português, Aníbal Cavaco
Silva, advertiu para o "preço elevadíssimo" que a União Européia (UE)
terá de pagar caso fracasse o Tratado de Lisboa, que só entra em
vigor após ratificação por todos os 27 Estados-membros do bloco.
"Desperdiçar a oportunidade que o Tratado
de Lisboa representa constituiria um preço elevadíssimo para a
União Européia", afirmou o chefe de Estado português, na
tradicional cerimônia de apresentação de cumprimentos de Ano Novo
pelo corpo diplomático luso, em Lisboa, no Palácio Nacional de
Queluz, em 08 de janeiro.
O tratado da UE que substitui a fracassada
Constituição européia - rejeitada em referendos na França e na
Holanda - foi assinado na capital portuguesa, em 13 de dezembro,
durante o exercício semestral da Presidência portuguesa do bloco,
que terminou no final do ano passado.
Para entrar em vigor e encerrar uma das
mais graves crises institucionais da história da integração
européia, o Tratado de Lisboa precisa ser ratificado em todos
membros da UE, sem exceção, por via parlamentar ou em referendos
populares. Vinte e cinco Estados membros já optaram pela
ratificação parlamentar, já consumada na Hungria, e apenas um, a
Irlanda, colocará o texto em votação por referendo por imperativos
constitucionais.
O governo de Lisboa foi o último a
anunciar sua decisão, na quarta-feira 09 de janeiro, sobre a forma
de ratificação do documento em Portugal. Apesar da discussão pelo
referendo sobre o Tratado de Lisboa, o primeiro-ministro José
Sócrates oficialmente anunciou a opção do governo por via
parlamentar, argumentando que, enquanto o país ocupava a
Presidência da UE, deveria se abster de tomar uma posição para não
criar "instabilidade".
O presidente rotativo da UE, o
primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, advertiu para o risco da
realização de um referendo em Portugal causar um efeito-cascata na
Europa, desencadeando discussões em outros países, onde o
resultado de um referendo sobre o tratado não seria tão evidente.
Portanto em Portugal, a comissão política
nacional do partido governista aprovou, por ampla maioria contra
sete votos, a decisão de propor a ratificação parlamentar. De
acordo com fontes do Partido Socialista, a proposta da votação foi
feita pelo primeiro-ministro e secretário-geral do partido, José
Sócrates. Eram a favor ainda o prefeito de Lisboa, António Costa,
o ex-comissário europeu António Vitorino e o secretário de Estado
da Presidência, Jorge Lacão.
Presidência portuguesa da UE
No seu discurso perante centenas de embaixadores e diplomatas
estrangeiros em Lisboa, o Presidente português referiu-se também
aos "avanços significativos" obtidos durante a presidência
portuguesa do bloco dos 27 "nas políticas preconizadas pela
Estratégia de Lisboa" de modernização da economia européia, "assim
como em novas áreas de atuação conjunta, como a energia e o mar".
O presidente luso sublinhou "a importância
da assinatura do Tratado de Lisboa, no ano em que a União
comemorava o seu 50º aniversário", o que considerou um "sinal da
sua capacidade para ultrapassar dificuldades". "Trata-se de um
instrumento da maior relevância para a afirmação de uma União mais
eficiente e mais capaz de responder aos anseios dos seus
cidadãos", considerou Cavaco Silva.
O chefe de Estado desejou ainda "o maior
sucesso" à presidência eslovena da UE, que sucedeu à portuguesa, a
primeira a ser exercida por um dos novos Estados membros da União.
A propósito, lembrou que "Portugal passou a encarar a sua presença
no contexto europeu com reforçada confiança depois da sua primeira
presidência (européia), em 1992", que, então na qualidade de
primeiro-ministro, Cavaco Silva conduziu.
Os desafios da globalização, a luta contra
o terrorismo e as alterações climáticas, o combate à pobreza e
exclusão social foram outros temas marcantes da intervenção do
Presidente da República. "As repercussões das guerras e conflitos,
da pobreza, das doenças, das desigualdades, da violação dos
direitos fundamentais, do terrorismo, da degradação ambiental
ignoram as fronteiras que lhes queiramos opor e constituem sérias
ameaças à construção, que todos desejamos, de um mundo melhor"
considerou.