O primeiro-ministro da
Eslovênia e presidente em exercício da União Européia, Janez Jansa,
aconselhou na segunda-feira, 07 de janeiro, Portugal a ratificar o
Tratado de Lisboa por via parlamentar e não em referendo.
"Penso que não seria sensato realizar um referendo" em Portugal,
disse Janez Jansa, em declarações à Agência Lusa, na capital da
Eslovênia, cujo Governo sucedeu ao português, há uma semana, na
presidência rotativa semestral do bloco europeu dos 27.
Jansa disse, todavia, "não ter qualquer dúvida" de que o resultado
de uma eventual consulta popular em Portugal seria "positivo".
O primeiro-ministro José Sócrates remeteu a decisão do Governo
português sobre a forma de ratificação do Tratado europeu de
Lisboa para depois da presidência portuguesa da UE, que terminou
há uma semana, em 31 de dezembro de 2007.
De acordo com a Constituição portuguesa, o Governo ou a Assembléia
da República podem propor a realização de um referendo sobre o
novo Tratado ao Presidente da República, a quem compete a decisão
final sobre a sua convocação ou não.
A Irlanda, por imperativos constitucionais, é o único país da UE
que tem de ratificar o novo Tratado da UE através de um referendo,
prevendo-se que seja o único entre os 27.
Janez Jansa, atual presidente do Conselho Europeu de líderes da UE,
considerou à Lusa que uma eventual convocação de um referendo em
Portugal poderia contribuir para um efeito de "contágio",
principalmente, no Reino Unido, país que decidiu ratificar o
Tratado de Lisboa por via parlamentar, mas cujo Governo é alvo de
fortes pressões políticas para organizar uma consulta popular.
Uma decisão no sentido da realização de um referendo "poderia
desencadear discussões em outros países onde o resultado de um
referendo (ao Tratado) não é tão evidente", destacou Janez Jansa à
Agência Lusa.
"Esta é a
minha única razão" para desaconselhar Portugal a realizar um
referendo ao Tratado de Lisboa que substituiu a Constituição
Européia, inviabilizada depois da sua rejeição em referendos na
França e na Holanda, em 2005, concluiu o primeiro-ministro
esloveno.
A questão da
ratificação em Portugal do Tratado de Lisboa foi um dos temas
discutidos domingo num conselho de ministros informal, presidido
por José Sócrates, sem que tenha sido divulgada a decisão final do
Governo, que é esperada para breve.
A Hungria foi, em 17 de dezembro, o primeiro dos 27 Estados da
União Européia a ratificar o novo Tratado através de uma votação
no parlamento.
O Tratado
de Lisboa, aprovado em 19 de outubro na capital portuguesa, depois
de meses de difíceis negociações, substitui o projeto de
Constituição rejeitado pelos franceses e holandeses, em 2005, e
deverá entrar em vigor em 1° de janeiro de 2009, depois de
ratificado pelos restantes 26 Estados membros.
O novo Tratado da UE foi assinado formalmente em Lisboa, em 13 de
dezembro, pelos chefes de Estado e de Governo dos 27, mas tem de
ser ratificado em todos os Estados membros, sem exceção, por via
parlamentar ou em referendos, para poder entrar em vigor.
Para evitar sobressaltos como as votações em referendos (na França
e na Holanda) que inviabilizaram a Constituição Européia, a
maioria dos Estados-membros já anunciou que vai optar pela via
parlamentar.
Os
dirigentes europeus fixaram como objetivo que o Tratado de Lisboa
passe a ter "força de Lei Fundamental" da UE em 1° de janeiro de
2009, para que o documento possa constituir a referência central
das próximas eleições européias, em junho do mesmo ano.
Em Portugal, o PS é o único partido parlamentar que ainda não
definiu a sua posição.
PSD e CDS são a favor do Tratado da UE, mas, enquanto os
sociais-democratas defendem a ratificação no Parlamento, os
democratas-cristãos querem um referendo.
PCP e Bloco de Esquerda são críticos do novo Tratado e defendem
que seja referendado.
O
Presidente da República, Cavaco Silva, é favorável ao Tratado de
Lisboa, mas já revelou publicamente que, por princípio, é contra
referendos a Tratados internacionais.
No entanto, Belém já fez saber que convocará o referendo, caso
seja essa a decisão da Assembléia da República.