O Mosteiro dos
Jerónimos recebeu 27 líderes de países europeus, nesta quinta 13
de dezembro, para a histórica assinatura do Tratado de Lisboa.
Acordado na última
Cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Européia, em 19
de Outubro, o Tratado representa o fim à grave crise política e
institucional provocada pelo fracasso da Constituição Européia,
rejeitada na França e na Holanda, e constitui o sucesso da atual
presidência portuguesa da UE, que termina no fim do mês e ficará
na história do processo de integração européia.
Perante os líderes dos
27 países da União presentes na cerimônia, José Sócrates sublinhou
que a idéia que sempre motivou a atual presidência portuguesa da
UE se resumiu em "fazer avançar o projeto europeu". “Um projeto
que sempre foi generoso nos propósitos e ambicioso nos objetivos.
Um projeto com provas dadas ao serviço da paz, do desenvolvimento
e da afirmação dos valores que partilhamos”, sustentou Sócrates,
presidente em exercício do Conselho Europeu de líderes da UE.
"O que aqui estamos a
fazer já está na História. A História há de recordar este dia como
um dia em que se abriram novos caminhos de esperança ao ideal
europeu", sustentou o chefe do Governo português.
“Ao assinarem o Tratado
de Lisboa, os Chefes de Estado e de governo - 50 anos depois da
assinatura dos Tratados de Roma - estão a ajudar a União Européia
a avançar no seu caminho comum em direção ao século 21”, afirmou
presidente do Parlamento Europeu, Hans Gert-Pottering. “Hoje demos
um decisivo e convicto passo em direção à garantia de que os
valores da liberdade, paz e prosperidade são possíveis juntos e
não em oposição entre si", disse.
O primeiro-ministro
britânico, Gordon Brown, preferiu não assistir a cerimônia oficial
de assinatura do Tratado de Lisboa, para poder responder, na mesma
manhã no parlamento britânico, questões do comitê de ligação da
Câmara dos Comuns, que congrega os responsáveis dos comitês
parlamentares e o interroga a cada seis meses. A ausência de Brown
da cerimônia de assinatura foi criticada pela imprensa britânica,
que o acusou de ceder à pressão dos eurocépticos do Reino Unido.
Com o atraso, Brown ficou de chegar em Lisboa a tempo de almoçar
com os seus homólogos europeus no Museu dos Coches e na seqüência,
assinar sozinho o Tratado Reformador da UE.
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Antonio Cotrim/Lusa

Manifestantes
protestam contra a assinatura do Tratado de Lisboa durante as
cerimônias em Lisboa. |
Almoço com Vaias
O primeiro-ministro, José Sócrates, foi vaiado na entrada para o
almoço com os presidentes e chefes de Governo da UE, no Museu
Nacional dos Coches.
Minutos depois da
assinatura do Tratado de Lisboa, no Mosteiro dos Jerônimos, o
elétrico azul da Carris percorreu lentamente o percurso do
mosteiro até o museu, junto ao Palácio de Belém. Sócrates foi o
primeiro a sair e logo depois algumas dezenas de pessoas, mantidas
pelas forças de segurança a alguns metros da entrada, começaram a
vaiar o primeiro-ministro.
A vaia diminuiu de
intensidade à medida que os convidados dos 27 entravam para o
Museu Nacional dos Coches, onde o Presidente da República, Cavaco
Silva, ofereceu um almoço aos líderes europeus. Os manifestantes
gritaram frases como "trabalho sim, desemprego não".