Visto como um “tratado
reformador”, o resultado da Cimeira da União Européia realizada em
Lisboa, com assinatura do Tratado de Lisboa, foi criticado pelo
PCP (Partido Comunista Português).
Em comunicado divulgado em Novembro, o PCP afirma que o novo
tratado assinado em Lisboa é uma “má notícia” para Portugal.
Segundo o comunicado, trata-se de “uma encenação meticulosamente
preparada para iludir os povos da União Européia e que, no plano
nacional, procura escamotear as nefastas consequências da política
de direita e esconder o descontentamento e a luta crescente que se
desenvolve de Norte a Sul do País, que teve precisamente às portas
da Cimeira – essa sim – uma histórica expressão de massas”.
Segundo o partido, Portugal sofre graves perdas de soberania e
posições nas instituições da UE com o fim das presidências
rotativas do Conselho, perda de um comissário permanente, e a
redução do número de deputados no Parlamento Europeu. O tratado,
para o partido, refere-se ao processo de “integração capitalista
europeu ao serviço do grande capital e das grandes potências, a
começar pela Alemanha que conduziu todo o processo”, acusando a
Europa de “bloco econômico-político-militar imperialista,
articulado com a NATO e os EUA para o domínio do mundo”.
Para o PCP, o acordo só levou uma nova roupagem para ser
apresentado aos países europeus, e afirma que continuará no
combate ao processo contrário à soberania e interesses nacionais,
do progresso social e da paz na Europa e no mundo.
“O PCP exige a
realização de um amplo debate nacional e de uma consulta popular
que dê ao povo português a possibilidade de se pronunciar sobre o
tratado através de um referendo vinculativo. A realização de
referendos é um imperativo democrático amplamente reclamado em
toda a União Européia” traz o documento, divulgado antes da
aprovação do Tratado.