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Tiago Petinga/Lusa

Ativistas da organização
ambientalista Greenpeace protestam contra a destruição das
florestas africanas no início da UE/ África, em Lisboa
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Iniciada em 07 de
dezembro, a Cúpula UE-África representou um marco nas relações
entre a Europa e os países africanos. "Vivemos um momento muito
importante", afirmou presidente da Comissão Européia, Durão
Barroso. “Desta cimeira sai um plano de ação para os próximos três
anos, contemplando as áreas das migrações, da energia, dos
direitos humanos, das alterações climáticas e da investigação
científica”.
Foram
esperados em Lisboa 34 chefes de Estado, dos quais 28 africanos e
seis europeus. No total, participaram do evento cerca de 1.500
membros das delegações dos 80 países da Europa e África,
delegações de 14 países observadores e representantes de diversas
organizações internacionais. Eles adotaram uma Parceria
Estratégica que regulará, a longo prazo, as relações entre os dois
continentes, e o primeiro Plano de Ação engloba projetos a serem
executados entre 2008-2010.
A nova estratégia euro-africana de Lisboa identifica oito
parcerias prioritárias até a próxima Cimeira: "Paz e Segurança", "Governação
Democrática e Direitos do Homem", "Comércio e Integração
Regional", "Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento",
"Energia", "Alterações Climáticas", "Migração, Mobilidade e
Emprego" e "Ciência, Sociedade de Informação e Espaço". A terceira
Cimeira agendada para 2010 poderá ser realizada na Líbia, quem
mostrou interesse pela organização, segundo o primeiro-ministro
português, José Sócrates.
Apesar do sucesso do encontro, o secretário português de Estado
dos Assuntos Europeus, Manuel Lobo Antunes, sublinhou que o êxito
da Cimeira UE-África também será medido pela aplicação das medidas
adotadas. “Também há um 'depois' da cimeira. O sucesso da cimeira
também terá de ser avaliado por aquilo que formos capazes de
implementar relativamente às decisões que tomamos e pelos
resultados dessas medidas”.
No Parque das Nações, em Lisboa, foram mobilizados cerca de três
mil agentes da polícia portuguesa para garantir a segurança do
encontro. Uma das presenças mais polêmicas foi do chefe de Estado
do Zimbabué, Robert Mugabe, presença essa que, pelo caráter pouco
democrático do seu regime, chegou a ser contestada pelo Reino
Unido. Após dois meses de negociações a presidência portuguesa da
UE, que termina no final deste ano, conseguiu num consenso a
participação de todos os países da União Africana e da UE.
Fim do paternalismo
Durante a cimeira, Durão Barroso, pediu que a Europa abandonasse
as “atitudes paternalistas” no relacionamento com a África.
"Chegou a hora de abandonarmos atitudes paternalistas e de irmos
mais longe do que uma mera relação doador-beneficiário, esquecendo
os estereótipos sobre a África que existem na Europa e sobre a
Europa na África”.
Segundo ele, os países
europeus e africanos precisam um dos outros, e que a parceria
conjunta aprovada em Lisboa é a “melhor estratégia política” para
se cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na África e
enfrentar os desafios globais de ambos continentes.
Para o comissário responsável pelo Desenvolvimento e Ajuda
Alimentar, Louis Michel, a cúpula UE-África deve ser vista como o
"primeiro passo de uma nova era” nas relações entre ambos. A
cimeira, segundo ele, deve marcar o fim das relações conservadoras
e, por vezes, em preconceitos mútuos, marcando o início do
reconhecimento das oportunidades reais que se abrem para as duas
partes.
Após sete anos
da última realização, também durante a presidência portuguesa no
bloco em 2000, esta é a segunda Cúpula UE-África. "Seria difícil
encontrar uma melhor ponte entre os dois continentes do que
Lisboa" afirmou Durão Barroso.
Além da cimeira,
diversos eventos relacionados ao tema UE-África deram início na
capital portuguesa, a partir desta quinta-feira.
20bi para países africanos
Ao final da Cúpula, um grupo de 30 países foram beneficiados por
um pacote de ajuda no valor de 8 bilhões de euros (R$ 20,7
bilhões) formalmente entregue, em Lisboa, pela Comissão Européia.
Entre os países estão Moçambique, São Tomé e Príncipe e
Guiné-Bissau.
As verbas
deverão ser aplicadas na boa governança e nos setores prioritários
de cada país, como infra-estruturas, educação e saúde. Cada país
discutiu com a Comissão Européia as prioridades e o montante foi
atribuído tendo em conta a população e o índice de desenvolvimento
humano.
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Jornal Mundo Lusíada.