MUNDO política
 

11/DEZ/2007

 

Cúpula UE-África lança Plano de Ação para até 2010

 

Mundo Lusíada
Com Lusa

Paulo Carrico/Lusa

Presidente da Comissão Européia, Durão Barroso, Presidente da União Africana,  John Kufuor, Primeiro-Ministro português, José Sócrates, e o presidente da Comissão da União Africana, Alpha Oumar Konaré, cumprimentam-se após o encerramento da UE/África, realizado em Lisboa, Portugal.

Tiago Petinga/Lusa

Ativistas da organização ambientalista Greenpeace protestam contra a destruição das florestas africanas no início da UE/ África, em Lisboa

Iniciada em 07 de dezembro, a Cúpula UE-África representou um marco nas relações entre a Europa e os países africanos. "Vivemos um momento muito importante", afirmou presidente da Comissão Européia, Durão Barroso. “Desta cimeira sai um plano de ação para os próximos três anos, contemplando as áreas das migrações, da energia, dos direitos humanos, das alterações climáticas e da investigação científica”.

Foram esperados em Lisboa 34 chefes de Estado, dos quais 28 africanos e seis europeus. No total, participaram do evento cerca de 1.500 membros das delegações dos 80 países da Europa e África, delegações de 14 países observadores e representantes de diversas organizações internacionais. Eles adotaram uma Parceria Estratégica que regulará, a longo prazo, as relações entre os dois continentes, e o primeiro Plano de Ação engloba projetos a serem executados entre 2008-2010.

A nova estratégia euro-africana de Lisboa identifica oito parcerias prioritárias até a próxima Cimeira: "Paz e Segurança", "Governação Democrática e Direitos do Homem", "Comércio e Integração Regional", "Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento", "Energia", "Alterações Climáticas", "Migração, Mobilidade e Emprego" e "Ciência, Sociedade de Informação e Espaço". A terceira Cimeira agendada para 2010 poderá ser realizada na Líbia, quem mostrou interesse pela organização, segundo o primeiro-ministro português, José Sócrates.

Apesar do sucesso do encontro, o secretário português de Estado dos Assuntos Europeus, Manuel Lobo Antunes, sublinhou que o êxito da Cimeira UE-África também será medido pela aplicação das medidas adotadas. “Também há um 'depois' da cimeira. O sucesso da cimeira também terá de ser avaliado por aquilo que formos capazes de implementar relativamente às decisões que tomamos e pelos resultados dessas medidas”.

No Parque das Nações, em Lisboa, foram mobilizados cerca de três mil agentes da polícia portuguesa para garantir a segurança do encontro. Uma das presenças mais polêmicas foi do chefe de Estado do Zimbabué, Robert Mugabe, presença essa que, pelo caráter pouco democrático do seu regime, chegou a ser contestada pelo Reino Unido. Após dois meses de negociações a presidência portuguesa da UE, que termina no final deste ano, conseguiu num consenso a participação de todos os países da União Africana e da UE.

Fim do paternalismo
Durante a cimeira, Durão Barroso, pediu que a Europa abandonasse as “atitudes paternalistas” no relacionamento com a África. "Chegou a hora de abandonarmos atitudes paternalistas e de irmos mais longe do que uma mera relação doador-beneficiário, esquecendo os estereótipos sobre a África que existem na Europa e sobre a Europa na África”.

Segundo ele, os países europeus e africanos precisam um dos outros, e que a parceria conjunta aprovada em Lisboa é a “melhor estratégia política” para se cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na África e enfrentar os desafios globais de ambos continentes.

Para o comissário responsável pelo Desenvolvimento e Ajuda Alimentar, Louis Michel, a cúpula UE-África deve ser vista como o "primeiro passo de uma nova era” nas relações entre ambos. A cimeira, segundo ele, deve marcar o fim das relações conservadoras e, por vezes, em preconceitos mútuos, marcando o início do reconhecimento das oportunidades reais que se abrem para as duas partes.

Após sete anos da última realização, também durante a presidência portuguesa no bloco em 2000, esta é a segunda Cúpula UE-África. "Seria difícil encontrar uma melhor ponte entre os dois continentes do que Lisboa" afirmou Durão Barroso.

Além da cimeira, diversos eventos relacionados ao tema UE-África deram início na capital portuguesa, a partir desta quinta-feira.

20bi para países africanos
Ao final da Cúpula, um grupo de 30 países foram beneficiados por um pacote de ajuda no valor de 8 bilhões de euros (R$ 20,7 bilhões) formalmente entregue, em Lisboa, pela Comissão Européia. Entre os países estão Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.

As verbas deverão ser aplicadas na boa governança e nos setores prioritários de cada país, como infra-estruturas, educação e saúde. Cada país discutiu com a Comissão Européia as prioridades e o montante foi atribuído tendo em conta a população e o índice de desenvolvimento humano.

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